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Equipe de fundadores da Toti.
Equipe de fundadores da Toti.| Foto: Divulgação

O número de refugiados no mundo cresce a cada ano. Apenas em 2020, 82,4 milhões de pessoas foram obrigadas a se deslocar de seus países de origem, por motivos como violação dos direitos humanos, perseguição, conflito, intolerância religiosa e violência. O Brasil soma 57 mil refugiados reconhecidos, mas o número pode ser ainda maior por conta de subnotificações. Os dados são da Agência da ONU para Refugiados.

O cenário inquietou uma turma de sete cariocas do curso de Engenharia Mecânica do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET/RJ) e se tornou um projeto de extensão voltado para o
empreendedorismo social. O propósito da iniciativa é aliar duas dores: de um lado, os refugiados e migrantes que veem sua renda desaparecer ao mudar de país, ou sentem dificuldade na recolocação no trabalho; e de outro, o mercado de tecnologia aquecido e com falta de mão de obra.

Assim, a Toti nasceu em 2016 com o objetivo de fazer o bem para refugiados. Por sete meses, os fundadores estudaram a vida de uma comunidade congolesa para entender a origem dos problemas e o que as pessoas mais precisavam. Na etapa de escuta, a turma entendeu que a grande dor da comunidade era moradia, documentação e, principalmente, empregabilidade.

Na foto, os fundadores da Toti.
Equipe de fundadores da Toti.| Divulgação

No início do projeto, os alunos participavam de aulas na área de empreendedorismo, gastronomia e saúde. A história da formação da empresa contou ainda com um período de venda de hambúrgueres para levantar recursos e manter os cursos presenciais, ainda antes da pandemia.

Em 2018, ao buscar uma área com bons salários e possibilidade de contratação imediata, os fundadores viram na formação de programadores uma oportunidade que se alia ao propósito da Toti, conforme explica Caio Rodrigues, um dos fundadores da startup.

“Quando olhamos para a causa dos refugiados, a maioria atua com subempregos. Ensinar tecnologia e mostrar que um aluno contratado pode receber até R$ 8 mil é incrível, pois quebra essa lógica. Não é apenas pelo dinheiro, mas pela reconstrução de vida e capacidade de se reinventar” descreve. Todos os alunos da Toti participam das aulas de forma gratuita.

Hoje, a Toti atua com formação online em 11 estados do Brasil, entre eles Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Amazonas, Roraima, Paraná, Espírito Santo e Rio Grande do Sul. Atualmente, a Toti está em vias de lançar sua 13ª turma, em parceria com o Banco Neon, contando com 15 alunos em aulas online. Até agora, a startup já formou 216 pessoas, das quais 80 foram contratadas como programadores.

Modelo de negócio

Para faturar, a Toti oferece serviços para empresas parceiras, através de contratações pontuais ou o patrocínio de turmas personalizadas, nas quais as companhias podem definir as linguagens de programação que serão ensinadas aos alunos. Em troca, a Toti leva mais diversidade e profissionais capacitados para as empresas. Entre as corporações parceiras da startup estão o unicórnio Vtex e a especialista em produtos digitais Your/Dev.

A Toti também selou acordos com organizações reconhecidas, como a Organização Internacional da Imigração, que direcionam verbas para a viabilização de projetos. Além disso, em 2020 a empresa passou por um programa de aceleração da Inovativa Brasil, voltado para negócios de impacto e de empreendedorismo social.

Na foto, equipe da Toti reunida.
Turma da Toti de 2019.| Divulgação

Para Caio, o aumento de renda dos alunos é a métrica de sucesso da startup: “Já propiciamos uma média de aumento de renda de 172%. Isso mostra o quanto conseguimos promover de impacto e mudança. É um passo importante não só na vida destas pessoas mas também na de seus filhos, na alimentação, moradia e envio de recursos para famílias que estão no país de origem”. Para o futuro, a meta é expandir os locais de atuação e aulas, internacionalizar a plataforma e ainda atingir um índice de contratação de 80% dos alunos que participam das turmas.

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