Expansão internacional e aquisição de startups: os planos do Olist após aporte de R$ 310 milhões
| Foto: Eduardo Macarios/Divulgação

Em novembro, o Olist, startup curitibana que oferece solução de vendas para lojistas, recebeu um aporte que injetou R$310 milhões no negócio. A rodada de investimento foi liderada pelo SoftBank, fundo japonês com o qual as startups da América Latina, sobretudo do Brasil, têm histórico positivo.

A plataforma de marketplace viu seu crescimento disparar devido à pandemia e ao aumento expressivo do e-commerce brasileiro. Hoje, já são mais de 90 mil lojistas usando a solução para gestão de vendas online e também gestão logística.

Com a rodada milionária, a startup já adiantou os planos de expansão, consolidação dos serviços já oferecidos e o desejo de realizar novas aquisições, tal como fez com a startup de gestão de marketplaces ClickSpace. O Olist também quer aumentar o portfólio de produtos e serviços para auxiliar empreendedores a migrarem para o ambiente online.

"Qualquer aporte não acaba por ele mesmo. Ele vem para acelerar planos de uma companhia," afirma Tiago Dalvi, fundador e CEO do Olist.

Em conversa com o GazzConecta, Dalvi explica os planos da startup a partir da injeção financeira e divide estratégias de internacionalização. Confira a entrevista na íntegra:

Com o aporte milionário e sob um pano de fundo de digitalização do comércio, quais são os planos do Olist para 2021?

Quando olhamos para 2021, acredito que ainda será um ano muito marcado nesse contexto de pandemia. O grande foco da Olist será fortalecer os serviços que já levamos para o nosso lojista. Hoje, temos três principais serviços, entre eles a loja Olist, que reúne mais de 20 mil lojistas. Para esse produto, queremos facilitar o onboarding, ou seja, a entrada de novos usuários, melhorar nosso catálogo e diminuir as complexidades para que o varejista leve o negócio dele para o meio digital. Esse é um grande foco para nós, porque ainda temos milhões de empreendedores no Brasil que ainda não digitalizaram o negócio.

E quais são as melhorias esperadas para os outros serviços do Olist?

Para o Olist envios, nossa solução de logística, vemos uma evolução ainda maior. Ela [solução] já tem evoluído muito desde o último investimento. Ampliamos os pontos de coleta: ano passado, não tínhamos nenhum e agora temos seis hubs de centralização de carga. No  ano que vem, teremos 35 hubs em múltiplas cidades, não apenas nas capitais e grandes centros, mas em cidades menores - para conseguirmos mais próximos de lojistas que ainda não estão no digital. A ideia é oferecermos cada vez mais uma solução que promova vendas.

No caso do Olist shops, que nasceu um pouco antes da pandemia, o timing foi perfeito: o período de isolamento fez com que ele recebesse um aumento gigantesco. Hoje, temos mais de 70 mil lojas ativas. O shops é a vitrine virtual do comerciante, onde ele pode vender na sua região, bairro, cidade e até mesmo no Brasil todo.

Em relação a novas ofertas, o que vocês têm mapeado para os próximos meses?

Olhando para 2021, boa parte do nosso foco é também adicionar novos componentes para o nosso serviço. Um exemplo disso é o lançamento do Olist Pay, nossa solução de pagamentos. Hoje, o Olist Pay processa os pagamentos feitos no Olist Shops, mas em escala pequena. O foco é termos 100% da nossa base usando o Olist Pay.

Tiago Dalvi, fundador e CEO do Olist
Tiago Dalvi, fundador e CEO do Olist | Julia Yazbe/Divulgação

A Olist adiantou intenções de internacionalização. Como isso vai funcionar na prática?

Já estamos em mais de 165 países pelo Olist Shops. Dessa forma, entramos em novos países e levamos outros elementos. No ano que vem, esperamos expandir para a América Latina.

Você anunciaram recentemente a aquisição da Clickspace, startup de marketplaces e comércio via canais sociais, e já mencionaram o interesse em continuar seguindo por esse caminho de fusões e aquisições. Existem outras empresas já no radar?

Não abrimos as empresas, mas alguns setores nos interessam muito, como o e-commerce, logística e pagamentos. Estamos analisando muitas empresas que tenham afinidade com a nossa missão e que podem fazer parte do nosso ecossistema.

A contratação de profissionais vindos de outros países continuará sendo uma tendência no Olist? Qual a relação do aporte com essa movimentação?

Estamos jogando na série A. Precisamos dos melhores colaboradores e do time mais experiente. O mercado hoje é dinâmico e possui muitas empresas bem capitalizadas que querem trazer soluções digitais, e o que nos diferencia nesse contexto é o time. Trouxemos alguns executivos de fora do Brasil e também de grandes empresas brasileiras. Fomos eleitos como uma das 20 melhores empresas de tecnologia para se trabalhar, e queremos atrair cada vez mais talentos.

O Olist contratou, apenas na pandemia, 100 novas pessoas. Com quase 500 funcionários, como a startup pretende conduzir as novas admissões?

Um dos nossos objetivos é focar na formação. Somos uma startup local de Curitiba, então desde o início, investimos na formação de profissionais capacitados para o nosso time. Procuramos parcerias com instituições de ensino com ênfase em tecnologia e estamos contratando pessoas do Brasil inteiro, sendo remoto ou não.

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