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Gestora cria token de ‘venture capital’ para startups brasileiras
Gestora cria token de ‘venture capital’ para startups brasileiras| Foto: Pexels, Alesia Kozik/Reprodução

A Fuse Capital nasceu com o propósito de facilitar o acesso de investidores a um mercado ainda pouco explorado: o de ativos alternativos. A gestora brasileira de venture capital agora afirma que a jornada acaba de ganhar novos contornos, ao criar a primeira criptomoeda voltada exclusivamente para o investimento em startups de alto potencial.

A moeda digital, batizada de Fuse, será lançada neste mês, e ainda está em fase de testes. Até agora, porém, a afirmação é que o token seguirá a proposta do fundo recém-lançado, que chegou ao mercado em 2019: minimizar os riscos em mercado que, por si só, já é pautado em apostas arriscadas.

Inicialmente, a criptomoeda estará disponível apenas para investidores qualificados, aqueles com experiência na compra de ativos alternativos. Além disso, o Brasil fica de fora da primeira listagem, e o token será negociado apenas em bolsas de criptomoedas da Europa e Ásia, como a Fusang, na China, e a Archax, no Reino Unido. A justificativa está na ausência de regulação de cripto por aqui. A mesma complexidade também serviu de barreira para a venda nos Estados Unidos.

A Fuse já chega ao mercado com uma oferta de US$ 20 milhões. As empresas escolhidas, segundo a gestora, seguirão a sua tese de investimentos, que prioriza startups brasileiras, com grande potencial de crescimento e tecnológico nas áreas de educação, saúde, inteligência artificial, finanças e comércio.

Segundo João Zecchin, um dos sócios da Fuse Capital, além da intenção de fomentar o ecossistema de startups do Brasil, o token surge para solucionar uma das principais entraves relacionadas ao mercado de venture capital: a falta de liquidez dos investimentos.

“A nossa intenção é acabar com o principal problema do mercado de investimentos alternativos, seja ele venture capital ou private equity, que é a falta de liquidez e segurança”, explica. “Ninguém quer ficar preso em um investimento por dez anos, o que hoje é comum”.  A proposta é que, com o token, as cotas adquiridas ganhem liquidez à medida em que podem ser vendidas no momento em que o investidor julgar mais apropriado, o que, por vezes, segue a lógica de valorização da própria pequena empresa.

Os sócios da gestora Fuse, da esquerda pra direita: Guilherme Hug, Alexis Terrin, Dan Yamamura e João Zecchin.
Os sócios da gestora Fuse, da esquerda pra direita: Guilherme Hug, Alexis Terrin, Dan Yamamura e João Zecchin.

Para ele, a tokenização das cotas de fundos será, cada vez mais, uma tendência. Para provar seu argumento, a Fuse participou de uma rodada de investimento de US$ 135 milhões no fundo de criptomoedas brasileiro Hashdex, ao lado dos fundos Canary, Valor Capital, Softbank, Coinbase Ventures, entre outros.

Além da Hashdex, no portfólio da Fuse estão startups brasileiras como a healthtech W.Dental, a plataforma de comunicação para pequenas e médias empresas PinkApp, e as startups de inteligência artificial AIO e Fligoo. A gestora também investe na Vexi, fintech mexicana de crédito, e na DNA Nudge, de biotecnologia, que saltou de um faturamento de 30 mil libras por mês antes da pandemia para 70 milhões de libras mensais no período atual.

O outro lado da moeda

Se de um lado as criptomoedas podem vir a calhar quando o assunto é liquidez, por outro lado, há desafios específicos que representam barreiras para a evolução. Grande parte delas relacionada a detalhes burocráticos. Um deles é justamente a necessidade de ter uma sede física regulamentada. “O mercado ainda está em evolução constante, é algo muito novo”, diz Zecchin.

Foi essa obrigatoriedade que levou a Fuse Capital a criar uma estrutura jurídica fora do país. O lugar escolhido foram as Ilhas Cayman, no Caribe.

E os riscos?

O risco é o mesmo de se investir em fundos tradicionais, segundo Zecchin. “Não vemos nenhum risco adicional por conta do token”, diz. “É até mais seguro ter um token do que as cotas tradicionais, pois temos uma custódia terceirizada, que elimina preocupações, velocidade e transparência com blockchain”, afirma.

Na prática, o sócio afirma que a volatilidade e as curvas constantes de preço envolvendo criptomoedas como o Bitcoin, por exemplo, não devem impactar o bolso do investidor que decidir usar o token da Fuse, que também é cripto. De acordo com Zecchini, o conjunto de benefícios trazidos pela tecnologia podem dar um retorno adicional de 6% ao ano, além do retorno do equity nas startups. “Não é possível prometer nada, mas nossa estimativa é essa”, diz.

Segundo Zecchin, os custos com o token também são irrisórios. “Um quinto do custo de um fundo tradicional e um milésimo do custo de um IPO'', diz.

Se bem-sucedida a experiência com o primeiro token, a gestora espera emitir outros 20 milhões de tokens, precificados a 1 dólar cada, até o final do ano. Já em 2022, a intenção é multiplicar isso por dez, e emitir 200 milhões de tokens (ou dólares), para um fundo infinito. "Entendemos que esse lançamento é uma disrupção no mercado, e estamos otimistas”, conclui.

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