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Metodologia “mão na massa”é um dos pilares da Conquer, o que contribui para o engajamento dos alunos.
Metodologia “mão na massa”é um dos pilares da Conquer, o que contribui para o engajamento dos alunos.| Foto: Divulgação

Aprender na prática como desenvolver sua inteligência emocional ou tornar seu dia mais produtivo são assuntos que parecem bastante distantes das cadeiras nos cursos de graduação e de especialização, e ainda mais das escolas. Contudo, aprender a lidar com os próprios sentimentos, identificar os alheios e saber gerir bem o seu tempo são competências cada vez mais requisitadas em um mercado de trabalho hiper competitivo, como o brasileiro. Foi estudando esses preceitos aqui e ali, por conta própria, que três jovens empresários perceberam o quanto essas habilidades contribuíram para a evolução de suas carreiras. Por que não ter um local que ofereça isso a todos?

Foi o que indagou Sidnei Jr. em um café com Josef Rubin quando projetou a ideia da Conquer, escola de soft skills e negócios que abriu em Curitiba em 2016 e hoje conta com 11 sedes em cidades como São Paulo, Belo Horizonte e Vitória, entre outras – a 12ª deve inaugurar em breve, também na capital paranaense. Junto com um terceiro sócio, Hendel Favarin, os três uniram suas experiências e buscaram qualificação no Vale do Silício para criar uma metodologia e conteúdo para cursos livres e especializações na área de negócios que fogem do tradicional.

“Nesse café o Sidnei também me perguntou se o que eu mais aplicava e me orgulhava no meu dia a dia de trabalho eu tinha aprendido na faculdade ou no MBA que eu fiz. Respondi que era muito pouco, que o maior orgulho era do que aprendi fazendo. E aí ele me propôs abrir uma escola de negócios focada na nova economia”, relembra Rubin, que deixou o mundo corporativo e uma experiência profissional na Colômbia, onde vivia na época, para abraçar a ideia. Nas pesquisas para o negócio, que começou com investimento pessoal dos três sócios, de cerca de R$ 250 mil (o faturamento atingiu R$ 30 milhões nos pouco mais de três anos de funcionamento), eles chegaram à fórmula para atingir o que chamam do seu “sonho grande”: o de revolucionar a educação no Brasil.

Para isso, elencaram três pilares em que, na visão deles, há falhas no ensino profissional: o conteúdo (que costuma ser muito extenso e pouco assertivo), metodologia (ainda focada no tradicional e expositivo) e professores (que muitas vezes não estão conectados ao mercado e ao que ensinam). Logo, o conteúdo desenvolvido para as aulas na Conquer é prático, direto ao ponto e com qualidade – são 25 profissionais dedicados somente para fazer o material. A metodologia criada é a learn by doing, o famoso “mão na massa”, que engaja o aluno, com professores que atuam diretamente no mercado (90% dos docentes, aliás, nunca tinham estado em sala de aula e foram treinados para aprender a aplicar o método da escola). “Por isso a gente diz que aqui os alunos não precisam tomar café para ver as aulas”, brinca Rubin.

Da esquerda para a direita, os sócios da Conquer: Josef Rubin, Sidnei Jr. e Hendel Favarin: escola aberta em 2016 já atendeu mais de 25 mil alunos.
Da esquerda para a direita, os sócios da Conquer: Josef Rubin, Sidnei Jr. e Hendel Favarin: escola aberta em 2016 já atendeu mais de 25 mil alunos.| Divulgação

O fato de o ambiente em sala de aula refletir muito o cotidiano real do mercado de trabalho é outro fator que agrada. “Muitos alunos nos trazem o feedback de que conseguiram aplicar aprendizados das aulas já no dia seguinte”, conta Sidinei. Além disso, há foco total na experiência do cliente e, por meio de um aplicativo (chamado rocket), o aluno consegue fazer uma avaliação das aulas. O sistema, que lembra uma pontuação que fazemos quando pedimos um Uber ou comida por app, permite escutar o aluno e, de acordo com Jr., saber se a escola está no caminho certo e corrigir o erro rápido. “Faz parte desse processo de construção de um ensino melhor”.

Boca a boca

Se hoje a Conquer tem busca concorrida pelos cursos, ambiente repleto de profissionais, mais de 40 vagas de trabalho abertas e clientes como Magazine Luiza, Google, Ambev e Grupo Boticário, o começo foi de certa dificuldade, como ocorre na grande maioria dos empreendimentos. No primeiro ano os três sócios se dividiam lecionando e operando todas as outras áreas da empresa, como vendas, estratégia digital e panfletagem na rua para angariar alunos. A primeira turma começou com 36 pessoas. Foi a partir dela que se iniciou o círculo virtuoso e os interessados foram chegando cada vez mais.  A boa avaliação das aulas – a média é de 97% – fez com que o nome da Conquer chegasse ao RH das grandes empresas, que os procuraram para cursos in company, hoje outro braço da escola.

Segundo Rubin, os cursos são sempre personalizados, e o carro-chefe é o de liderança – mais de 200 empresas foram atendidas nesses três anos. “Fazemos um diagnóstico e entendemos as necessidades. Tem programas mais rápidos, outros com duração de um ano para desenvolver os colaboradores, desde o trainee até a liderança”, diz.  Os resultados tangíveis (91% de altas lideranças em grandes empresas disseram em avaliações que as capacidades adquiridas nos cursos melhoraram inclusive o desenvolvimento de suas equipes) chamaram a atenção do meio corporativo. “O mercado tem reconhecido a gente como a Harvard brasileira”, conta Rubin. “Eu prefiro que seja conhecida como a Hogwarts brasileira”, brinca Jr., em alusão à escola de magia que serve de cenário principal para os livros da série Harry Pottter, de J.K Rowling.

Outro diferencial das especializações na área de negócios (com aulas de liderança e gestão de pessoas, transformação digital, entre outros cursos) é o tempo: de dois a seis meses de duração (quem nunca ficou mais de um ano definhando em uma especialização que não levava a um objetivo final?). “É direto ao ponto”, frisa Rubin. Um dos aspetos da metodologia que tem por objetivo engajar os alunos é a gameficação: para testar os conhecimentos, o aluno sai das aulas com um desafio para resolver e há um ranking com o desempenho de cada um da turma. Quem consegue chegar aos primeiros lugares ganha prêmios, que vão desde outros cursos na escola até saltos de bunguee jump. “É uma forma meritocrática que a gente conseguiu colocar no ensino, para que o aluno coloque em prática do seu jeito”, esclarece Rubin.

Cursos com duração mais curta são outra característica da escola, que conta com formação na área de negócios e soft skills.
Cursos com duração mais curta são outra característica da escola, que conta com formação na área de negócios e soft skills. | Divulgação

A Conquer também lançará em breve uma especialização em marketing digital. A abertura do novo curso foi um pedido dos principais RHs do Brasil que, conectados com a escola, falaram sobre a carência de profissionais qualificados para a área. “Por isso nos juntamos com a Mirium [uma das principais agências de marketing digital no país] e junto com eles estamos criando essa especialização de quatro meses para formar um profissional pronto para o mercado”, diz Jr. Mais de 60 profissionais de marketing digital se envolveram para o desenvolvimento do curso que, no encerramento, terá uma feira de carreiras com a participação das principais empresas e startups do país, para que os alunos tenham acesso às vagas.

De concurseira a empreendedora

Professora e advogada, Jaqueline da Silva Paulichi acreditava que para alcançar algo que “desse dinheiro” em sua profissão precisaria conseguir o seu lugar ao sol em um concurso público concorrido e que pagasse altos salários. Mesmo essa mentalidade, fixa para muitas pessoas que se formam em Direito, mudou com as atualizações que ela fez – a princípio por necessidade e depois por vontade de desenvolver melhor as chamadas soft skills. Convidada para um cargo de liderança dentro da faculdade em que trabalhava, em Campo Mourão, interior do Paraná, ela se viu “desesperada”. “Nunca tinha sido líder na vida e na mesma semana fiz um curso com a Conquer. Mudou muito a minha cabeça em várias coisas que eu fazia, saí mais segura”, diz. Depois de um tempo, resolveu se inscrever para o curso de vendas – era a única de uma área não diretamente relacionada com as aulas. Dessa vez, o impacto foi ainda maior: ela resolveu pedir demissão do atual emprego para se dedicar ao desenvolvimento de sua startup na área jurídica, enquanto toca também o Doutorado em Direito. “Me senti pronta para tomar uma decisão e seguir o meu sonho. Tinha muito medo e agora tomei coragem. Vou fazer o que eu quero”.

A tal eficiência

A baixa produtividade no Brasil é considerada um problema crônico por muitos especialistas: segundo estudo divulgado no final de 2019 pela Fundação Getúlio Vargas, de 1995 a 2018 a produtividade no mercado de trabalho do país avançou somente 1%. O tema foi abordado no primeiro curso da Conquer, pois sentir-se ansioso com a quantidade de trabalho, mas não saber de organizar ou procrastinar as atividades costumam ser comuns no mundo do trabalho, sejam profissionais funcionários de empresas ou autônomos.

Aprender a fazer mais em menos tempo, com técnica e na prática, é algo que também passa longe dos bancos escolares tradicionais e os insights ajudaram a potencializar os negócios do dentista Juarez Garcia, especialista em endodontia e também uma espécie de digital influenciar na área (seu Instagram tem mais de 25 mil seguidores, conquistados de forma orgânica). “Eu estava cada vez mais multitarefa e me sentia atribulado. Aprendi dicas que impactaram muito o meu dia a dia, como estabelecer rotinas, fazer check list e anotar na hora ideias e tarefas, não deixando para depois. Parece algo até bobo, mas foi a maior lição do curso para mim”, fala Garcia. Classificar as tarefas por prioridade é outro aprendizado valioso citado pelo dentista para não misturar o imprescindível com o supérfluo.

Enquanto a união das soft skills com a aprendizagem prática dos negócios segue dando certo na Conquer,  os sócios da escola continuam de olho no tal sonho grande da transformação da educação no Brasil, e querem expandir o jeito de ensinar para outras esferas. “Temos muitos pedidos sobre isso, de criar uma Conquer para crianças e adolescentes. Ë algo que está no nosso radar” confidencia Rubin.

“Hoje o que caracteriza um bom profissional é ele se comunicar super bem, ter grande capacidade de resolução de problemas, ser produtivo e saber vender. A gente vende ideias o tempo todo. Também não podemos deixar de lado a inteligência emocional, de como lidar com pressão e estresse.”

Sidinei Jr., sócio da Conquer.
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