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Até fevereiro deste ano, os investimentos em proptechs e construtechs já somaram R$ 800 milhões.
Até fevereiro deste ano, os investimentos em proptechs e construtechs já somaram R$ 800 milhões.| Foto: Unsplash

Os setores imobiliário e de construção civil estão vivendo uma nova fase após a recessão econômica e os escândalos de corrupção que assolaram o Brasil na década passada. No protagonismo desta retomada estão as startups do tipo proptechs e construtechs. Juntas, elas captaram R$ 1,9 bilhão em 2019, registrando um aumento de 264% em relação ao ano anterior — quando o montante foi de R$ 521 milhões, segundo dados exclusivos da Terracotta Ventures. Até fevereiro deste ano, os investimentos já somaram R$ 800 milhões.

De acordo com Bruno Loreto, co-fundador da empresa de investimentos, no ano passado foram realizadas 26 negociações no país, contra 21 em 2018. Ou seja, quase R$ 2 bilhões foram investidos em apenas 26 startups. Entre as rodadas, está a do Quinto Andar, proptech que se tornou unicórnio em setembro do ano passado. “Ela [Quinto Andar] sozinha captou R$ 1 bilhão em 2019. Isso é comum no mercado de investimentos, em que 20% dos negócios movimentam 80% dos recursos”, explicou.

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Apesar da alta concentração do setor, o sucesso de startups, como o próprio Quinto Andar e a Loft, que foi avaliada acima de US$ 1 bilhão em janeiro, estimula o crescimento de outras jovens empresas e o avanço dos setores imobiliário e de construção como um todo, afirmou Loreto. “Existe um efeito natural de descrédito e resistência no início. Quando alguns casos dão certo, há motivação para as demais. Ainda assim, a cada 10 startups, no máximo duas sobrevivem e 1% vira unicórnio”, analisou.

Segundo dados da própria Terracotta, que devem ser divulgados em relatório ainda neste semestre, existem 700 construtechs e proptechs no Brasil atualmente, sendo que até o final do ano devem haver 800. Em 2019, o levantamento apontava para 550 empresas — o que mostra um provável aumento de 45% no número de startups entre 2019 e 2020.

‘Tinder dos imóveis’

Um dos exemplos de sucesso da categoria é a startup Quero Lar. Marcado por experiências ruins ao alugar e comprar imóveis, o advogado Emir Calluf Filho decidiu implantar no Brasil um modelo de negócio que utiliza tecnologia para agilizar contratos imobiliários, com base em casos de sucesso que viu no exterior. Em 2017, ele lançou a Quero Lar, uma espécie de Tinder que conecta proprietários de imóveis a possíveis locatários.

Emir e Nelson Pizzato, sócios da Quero Lar. Foto: Divulgação
Emir e Nelson Pizzato, sócios da Quero Lar. Foto: Divulgação

A protech curitibana promete oferecer uma plataforma gratuita para proprietários encontrarem inquilinos virtualmente sem a exigência de uma imobiliária, e para locatários buscarem imóveis sem a intermediação de um corretor. “Não administramos imóveis. Conectamos quem quer uma casa com quem quer alugar, mas não quer intermediação. Sentia falta de uma ferramenta que fizesse essa ligação”, disse o advogado.

Com 2 mil usuários ativos em Curitiba, a Quero Lar garante não se envolver nas negociações. A vistoria inicial, por exemplo, é feita com base em imagens que o proprietário posta antes de entregar o imóvel ao locatário, enquanto a final, no processo contrário. “Podemos mediar possíveis conflitos, mas só se o usuário quiser”, acrescentou Calluf Filho.

Para se rentabilizar, a proptech oferece serviços complementares de crédito, principalmente para quem não tem fiador. Para análise, a startup (que também tem um pé em fintech) conta com algoritmos que analisam a nota de crédito do locatário e prometem selecionar um “bom pagador”. “Cobramos uma taxa de 3% [do valor pago em aluguel] ao longo do contrato do proprietário, confiando nos algoritmos que inventamos. O locatário que utilizar o serviço [de crédito], por sua vez, paga 6%”, explicou o empreendedor.

Com um crescimento de 300% ao mês, a Quero Lar ainda não obteve investimento porque estava operando em formato de teste, mas em breve deve recorrer ao mercado para acelerar sua expansão e operar em todo país até o final do ano.

“Enquanto construtoras, incorporadoras e imobiliárias de alto desempenho sofrem para crescer 20% ao ano, uma startup que encontrou o caminho de sucesso se move em uma velocidade muito maior”, comparou Loreto, da Terracotta Ventures.

Para estimular o crescimento de jovens empresas, como a Quero Lar, a empresa de investimentos está levantando um fundo focado em startups que atuam no mercado imobiliário e de construção. A previsão é que ele seja lançado em junho deste ano.

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