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Juliana Alencar, sócia da StartSe, é a mulher mais jovem a receber o prêmio de empreendedorismo
Juliana Alencar, sócia da StartSe, é a mulher mais jovem a receber prêmio de empreendedorismo| Foto: StartSe/Divulgação

Há mais de 10 anos a executiva Juliana Alencar assumiu como missão profissional pregar a boa palavra da inovação em diferentes companhias e projetos corporativos. Hoje, ela comanda um cargo de liderança numa das principais startups do país: tornou-se Chief Culture Office (CCO) e sócia da plataforma StartSe.

Para chegar até lá, ela começou trabalhando em agências de publicidade. Depois de alguns anos, percebeu que o mercado, por si só, começava a abrir espaço para a inovação como uma área corporativa definitiva. Foi a partir daí que passou a atuar na área dedicada ao tema na seguradora Amil, uma das principais do país. É da executiva o mérito da primeira carteirinha de saúde digital do Brasil, por exemplo.

“Apesar do contato direto com a tecnologia, percebi que meu interesse estava nas pessoas, como elas se comportam, suas dores e gatilhos. Sentia falta disso para criar estratégias no dia a dia”, conta a executiva, em entrevista ao GazzConecta.

História vai, história vem, Juliana acabou na área de produtos da também seguradora Prudential, dentro da corretora de investimentos XP. Foi assim que conheceu um dos sócios da StartSe e então sócio da XP, Eduardo Glitz.

“A missão da StartSe me encantou e logo me coloquei à disposição para entrar nessa jornada”, diz. A executiva tornou-se, então, a primeira sócia mulher da StartSe e a especialista responsável pelos projetos de inovação, além de soluções culturais e mudança de mindset da liderança, sempre para o setor B2B.

Quatro anos depois, Juliana assumiu o cargo de CCO e se tornou responsável por garantir que as ações da StartSe estejam alinhadas com sua cultura e que todos os 58 colaboradores sejam guardiões dos princípios e valores da empresa.

Agora, aos 32 anos, Juliana se tornou a mulher mais jovem da história a receber o prêmio G10 Liderança Empreendedora, que destaca as personalidades femininas que mais contribuíram para a economia do país. O reconhecimento colocou Juliana ao lado de personalidades como Luiza Helena Trajano, presidente do conselho administrativo do Magazine Luiza, e a investidora Camila Farani. Confira a entrevista na íntegra:

Como esse mindset de inovação voltada a pessoas se aplica ao seu dia a dia?
As pessoas são o grande motor da inovação corporativa. Um exemplo disso está na própria StartSe. Em outubro do ano passado, o CEO da StartSe, ao me promover a CCO, disse que estávamos em um momento muito mais positivo do que estávamos antes da pandemia. E não por conta dos produtos ou tecnologia, mas por causa das pessoas que estão aqui e são alinhadas à nossa cultura e propósito. No mesmo período, durante uma palestra sobre inovação aberta em um curso no qual sou professora, falei sobre o papel das pessoas. Foi quando percebi meu propósito ali e como de fato a inovação parte do ser humano e topei o desafio na StartSe.

E quando foi que percebeu que era possível expandir esse propósito de inovação para além da área de saúde?
Acho que tudo foi muito intuitivo. A conversa com o Eduardo Glitz, pouco antes de entrar como sócia na StartSe, aconteceu quando ainda estava na Prudential, na área dedicada à XP. Acho que aquela adrenalina de me dispor a entrar nessa aventura foi a ação mais empreendedora que tomei na vida. Entrei com uma espécie de “empréstimo”, prometendo resultados em inovação, e deu tudo certo.

O cargo de CCO é uma ampliação do que já fazia em relação à inovação e cultura?
Sim. À frente dos projetos de inovação para grandes empresas, já percebemos que eles [projetos] só iam para frente se todos estivessem com prazos alinhados e com a mentalidade certa. A conclusão é uma só: a inovação é morta e não evolui sem as pessoas. Por isso, os projetos de inovação que eu liderava, sempre com foco na liderança, agora também mostram que a mudança não está ligada só aos consumidores, mas aos colaboradores. Então, além da alta liderança, hoje também falo de estratégia: feedback, colaboração, comunicação, diversidade, entre outros assuntos.

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Juliana foi a mulher mais jovem a receber o prêmio G10 Liderança Empreendedora.| Divulgação

Qual seu papel na transformação da StartSe em uma empresa praticamente educacional? Como tem sido essa transição?
A StartSe se inspira muito nas empresas do Vale do Silício, mas se você perguntar para qualquer startup como é de fato a vida de startup, você vai ver que é uma tremenda bagunça. Uma bagunça cheia de boas intenções, mas pouco estruturada. As informações se perdem, os critérios e valores se perdem, pois não é possível mapear. Meu papel nessa mudança é organizar a casa quando falamos de pessoas e da essência do que a empresa quer ser daqui para frente. Criamos um guia de cultura completo com o que esperamos e o que não toleramos, tudo para construir o futuro. A primeira conquista chegou há pouco tempo: hoje, 50% dos colaboradores são mulheres e 50%, homens.

E o que a StartSe quer ser daqui para frente?
A maior plataforma de conhecimento e negócios do Brasil, impactando líderes e empresas a favor da inovação.

Como essa trajetória profissional se alinha com a sua vivência pessoal?
Até a cadeira de CCO foram, sim, muitas questões profissionais, mas, em caráter pessoal, destaco que tive muita sorte. Vim de uma família de mulheres muito empoderadas e líderes. Meu pai ficou doente muito novo, e minha mãe assumiu a casa. Minha avó, com 50 anos, fez vestibular para Direito e se aposentou como Procuradora ganhando mais do que meu avô. Cresci aprendendo que os cuidados e tratamentos entre homens e mulheres são a mesma coisa. Então, quando entrei no mercado de trabalho eu demorei a entender as razões para o machismo e preconceito em torno da capacidade profissional das mulheres. Quando me toquei, vi que precisava me adequar. Ouvi muito “você ri demais, Ju”, ou “você precisa cortar o cabelo, curto é mais elegante” e “você fala muito durante as reuniões com homens”. Deixei de ser quem eu era, e percebi que perdi também minha performance e essência. Nunca entendi as razões para o machismo no mercado de trabalho, mas sabia que precisava agir. Foi com isso que percebi o papel da cultura corporativa para que casos assim não mais aconteçam.

E nesse contexto, o que significa para você ser a mulher mais jovem a receber o prêmio G10?
Foi uma surpresa. Significa algo muito forte para alguém idealista e sonhadora como eu. Sempre escutei que as coisas nas quais acredito não trariam reconhecimento, dinheiro etc. Então, era sempre muito descolado e um mundo irreal. Esse reconhecimento como uma das mulheres que mais impactaram a economia quer dizer que estou construindo e contribuindo com o país e com empresas que querem avançar. Fico muito feliz.

Qual conselho você daria para mulheres que estão no caminho da inovação?
Trabalhe o autoconhecimento para entender como você pode efetivamente contribuir com seus talentos para a sociedade e para a sua empresa. Assim, você também conhece seus pontos fortes e fracos e se torna mais relevante e confiante para destacar o seu trabalho. Hoje, é muito mais fácil reconhecermos nossa escuridão do que a nossa luz. Outra dica é ouvir suas intuições, pois muitas respostas estão dentro de nós e, mesmo assim, buscamos respostas fora. Um último conselho é: se posicione. Não tenha medo de falar as coisas nas quais você realmente acredita.

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