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Célia Kano, diretora de projetos e programas da Rede Mulher Empreendedora.
Célia Kano, diretora de projetos e programas da Rede Mulher Empreendedora.| Foto: Divulgação/RME

Compreender o contexto do ecossistema de empreendedorismo feminino em um ano tão atípico como 2020, cunhado por uma pandemia e crise econômica que afetaram diretamente o desempenho de pequenas e médias empresas, foi o grande desafio do recém-lançado “Mapa do Ecossistema de Apoio às Mulheres”, estudo que compila instituições de apoio a mulheres no empreendedorismo.

O mapeamento é realizado pela Rede Mulher Empreendedora (RME), principal rede de apoio a mulheres empreendedoras e microempresárias, que também fomenta ao ecossistema de inovação feminino no Brasil. Em sua quinta edição, o mapa, que é feito de maneira voluntária pelo braço de filantropia da rede, o Instituto RME, tem como proposta apresentar instituições públicas e privadas do país que possuam ações ou programas voltados ao apoio de mulheres. Foram 148 empresas listadas no total.

“Entendemos que teríamos de ampliar o leque e entender novas iniciativas no último ano”, conta Célia Kano, diretora de projetos e programas da RME, sobre a nova versão. Os temas abordados no estudo vão desde empreendedorismo e inserção no mercado de trabalho a profissionalização, aceleração e investimentos em startups.

Versão atualizada do mapeamento realizado pela Rede Mulher Empreendedora. <a href="https://rme.net.br/2021/01/11/mapa-do-ecossistema-de-apoio-as-mulheres-brasileiras-5-0/" target="_blank" rel="noreferrer noopener" aria-label="Clique aqui para baixar a versão em PDF (abre numa nova aba)">Clique aqui para baixar a versão em PDF</a>.
Versão atualizada do mapeamento realizado pela Rede Mulher Empreendedora. Clique aqui para baixar a versão em PDF.| Rede Mulher Empreendedora

Para participarem da seleção, os programas deveriam ser 100% voltados ao apoio às mulheres, estar em operação e ter atuação nacional. Com a digitalização impulsionada pela pandemia de Covid-19, muitos projetos locais também foram capazes de ganhar escala nacional e ganharam a chance de serem inseridos no mapeamento.

Hoje, o mapa transcende os limites do empreendedorismo e abrange questões com foco em empregabilidade, por exemplo. “Vemos o mapa como uma maneira de reconhecer iniciativas de destaque não apenas para aquela mulher que empreende ou está no mundo corporativo, mas também às que querem recorrer à rede de apoio para conseguirem um trabalho, por exemplo”, afirma Kano.

Mulheres na inovação em alta

A relevância do tema é maior do que nunca. Em uma pesquisa Sebrae com a FGV, os pequenos negócios liderados por mulheres foram apontados como o grande motor do empreendedorismo durante a pandemia. O estudo mostrou que 71% dos negócios femininos inovaram no período de crise, sobretudo com a ajuda da tecnologia — um desempenho superior aos demais empreendimentos.

Comparado à sua última versão, o mapa manteve uma média similar de instituições em cada categoria, o que segundo Célia, é algo positivo. Desde sua fundação, em 2018, foram cinco novas categorias mapeadas pela RME, totalizando 21 subdivisões.

Novas categorias

O destaque do mapeamento que se refere ao ano de 2020 está na aparição de uma nova categoria: a de conselheiras. Esse grupo reconhece ações de treinamento e incentivo para que mulheres ocupem um maior número de cargos de liderança em conselhos de administração de grandes empresas, e inclui instituições como Conselheira 101 e Women on Board (WOB).

“A discussão sobre a presença feminina nas empresas já alcançou um outro nível”, detalha Kano. “A hierarquia importa e há uma pressão de investidores e da sociedade por mais representatividade. Isso por si só os organismos corram contra o tempo para tratar do tema”, conclui a diretora.

As conselheiras surgem nesse contexto da necessidade de adaptação e preparação das companhias para uma nova realidade do mercado.

Além do foco corporativo, surgiram também no último ano diversas iniciativas que apoiam a presença de mulheres em setores majoritariamente masculinos, como o da construção civil, agropecurária e política. "São setores escassos para mulheres, mas com um potencial imenso. Percebemos que em construção civil, por exemplo, havia iniciativas que fomentam o trabalho de arquitetas, pedreiras e engenheiras e incluímos essa categoria tão importante no mapa”, esclarece.

Empreendedorismo feminino mais segmentado e inclusivo

Ao analisar o futuro do empreendedorismo feminino no Brasil, será cada vez mais comum a existência de programas segmentados, segundo a executiva. Para ela, o foco em tecnologia também será indispensável. “Nos próximos anos, o destaque estará nas iniciativas que levem em conta a transformação digital, e priorizem levar mulheres para a área de tecnologia”, afirma.

Serão cada vez mais comuns programas que estejam determinados a auxiliar empresas femininas a se digitalizarem e ajudar mulheres a competirem de forma mais igualitária no próspero mercado de tecnologia. Afora isso, Célia destaca a ascensão das categorias que envolvem mulheres negras, empregabilidade e investimentos em startups femininas.

O surgimento de uma categoria voltada exclusivamente para o incentivo financeiro de PMEs femininas também não irá tardar, diz a diretora. “Temos pouquíssimas iniciativas de crédito no Brasil, e sabemos a diferença que o crédito faz para um pequeno negócio. Essa não é uma categoria que já existe, mas irá existir logo”, conclui.

“O empreendedorismo feminino brasileiro será cada vez mais setorizado e inclusivo, valorizando setores do mercado que precisam de mais atenção e populações que necessitam de uma melhor inserção no mercado”.

Um exemplo disso, segundo Célia, está na ascensão da categoria de mulheres negras, com iniciativas como a Feira Preta, maior evento de empreendedorismo negro da América Latina. “Não podemos mais falar apenas em empreendedorismo feminino. O empreendedorismo será inclusivo”, ratifica.

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