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Multinacionais anunciam home office permanente como benefício pós-Covid-19
| Foto: Unsplash

Com a pandemia do novo coronavírus, empresas de diversos países fecharam as portas temporariamente e foram reabertas na casa de cada profissional de forma remota. No Brasil, o home office começou a ser oferecido por segurança há aproximadamente dois meses — quando o vírus registrou expansão pelo país. Algumas companhias, porém, já decidiram estender a medida de forma permanente após a quarentena, como forma de benefício aos funcionários, dado o bom feedback da equipe e o desempenho positivo de toda a organização no período.

No início de maio, Jack Dorsey, CEO do Twitter, anunciou que todos os funcionários que ocuparem cargos que permitam o trabalho remoto poderão optar pelo modelo para sempre. O executivo também disse que os escritórios não devem voltar a funcionar antes de setembro.

“Os últimos meses provaram que trabalhar em casa funciona. A [re]abertura dos escritórios será uma decisão nossa. Quando e se nossos funcionários voltarão a trabalhar de lá, será uma decisão deles. Quando decidirmos abri-los, será de forma gradual, cuidadosa e planejada”, informou Dorsey, no blog da empresa.

O Twitter não foi a única gigante de tecnologia a tomar essa decisão, tampouco a única empresa que vai oferecer esse benefício no Brasil. Nesta quinta-feira (21), Mark Zuckerberg, diretor-executivo e fundador do Facebook, afirmou em entrevista que pretende contratar funcionários para trabalhar remotamente em áreas onde a empresa não possui escritório e permitir que alguns empregados façam home office permanentemente.

Segundo pesquisas internas, Zuckerberg acredita que o trabalho remoto pode representar até 50% da força do trabalho da companhia nos próximos cinco a 10 anos. “Nós e muitas outras pessoas estávamos preocupados, achando que a produtividade realmente fosse despencar. Mas isso não aconteceu. Somos tão produtivos quanto antes, e algumas pessoas relatam estar ainda mais produtivas”, disse ele, ao The Verge.

Energia extra

Os sócios da Zee.Dog Felipe Diz,  Rodrigo Monteiro e Thadeu Diz (direita).
Os sócios da Zee.Dog Felipe Diz, Rodrigo Monteiro e Thadeu Diz (direita).| Divulgação

Em março, os 200 funcionários da Zee.Dog, startup brasileira de produtos para animais, conquistaram um benefício inédito no Brasil: uma jornada de trabalho de quatro dias por semana. No mesmo mês, contudo, a pandemia do coronavírus fez a equipe deixar o escritório e trabalhar em casa por segurança. Uma mudança repentina nos planos da empresa.

Ao registrar aumento de produtividade e feedback positivo dos funcionários nos dois meses de trabalho remoto, a Zee.Dog anunciou na semana passada que todos [exceto a área de varejo] terão flexibilidade para fazer home office para sempre após o fim da quarentena. Ou seja, poderão trabalhar de casa quando quiserem e se quiserem.

“Não conseguimos provar que o rendimento da equipe aumentou por conta do home office, mas a sensação de ter mais tempo do dia certamente contribui com os resultados. Além disso, quando as pessoas não passam duas horas indo e voltando da empresa, sobra mais energia para trabalhar”, argumentou Thadeu Diz, diretor criativo da marca e um dos fundadores da startup.

Na avaliação de Diz, o novo coronavírus está mudando paradigmas na economia mundial e fazendo as empresas enxergarem que é possível trabalhar remotamente sem prejuízo financeiro. A dificuldade, diz ele, é perpetuar os valores da companhia a distância. “Vamos disseminar nossa cultura quando a galera estiver junta em eventos e festas. Não acho que alguém vá ficar 100% em home office. Tudo em excesso cansa, e a beleza do projeto remoto é ter a opção de ficar em casa e voltar ao escritório quando quiser”, acrescentou o executivo.

A XP Investimentos é outra empresa brasileira que deve flexibilizar o modelo de trabalho de seus 2,7 mil funcionários. Em uma pesquisa realizada com a equipe, a instituição financeira verificou que 95% dos funcionários gostariam de manter, pelo menos, um dia por semana de home office e quase 60%, entre três e quatro dias.

Escritórios reconfigurados

CEO da XP Investimentos, Guilherme Santanna.
CEO da XP Investimentos, Guilherme Santanna.| Alessandro Couto | Photographer:

Com os resultados, a XP decidiu estender o trabalho remoto até o fim deste ano, enquanto estrutura um projeto de home office permanente [e optativo] e ajusta os escritórios para receber equipe, clientes e parceiros. “O grande desafio é entender quando o colaborador deve ter interação com a cultura da empresa e quando ele precisa estar fisicamente no escritório, como em integrações, treinamentos e reuniões”, explicou Guilherme Sant’Anna, sócio e responsável pela área de gente e gestão da XP.

Segundo o executivo, com a provável adesão da equipe ao projeto de trabalho remoto permanente, os escritórios da companhia devem ser reconfigurados e modernizados — tendência que também é corroborada por Thadeu Diz, da Zee.Dog. Entre as possíveis mudanças estão: redução de estações de trabalho e criação de salas de reunião interativas e de espaços comunitários e de convivência.

“Com o home office, poderemos contratar pessoas de forma descentralizada, do Brasil e do exterior. Isso muda tudo para a gente e soluciona a escassez de talentos que vivemos no país.  A empresa sentiu o momento de se reinventar e isso faz muita diferença para o negócio”, destacou San’Anna.

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