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Marcelo Zanelatto, diretor de produtos da unico
Marcelo Zanelatto, diretor de produtos da unico| Foto: Unico/Divulgação

Pouco tempo depois de alcançar o restrito status de unicórnio, nome dado às empresas com valor de mercado de US$ 1 bilhão, a unico já fala em se tornar o novo Google. A startup de biometria recebeu em agosto um aporte de R$ 625 milhões liderado pelos conceituados fundos de capital de risco Softbank e General Atlantic e entrou para a lista de unicórnios brasileiros ao lado de startups como MadeiraMadeira, Gympass e C6 Bank.

Apetite para alcançar o objetivo não falta. Prova disso é que o mais recente aporte veio menos de um ano após a captação anterior, de R$ 580 milhões. Agora capitalizada, a empresa pensa em chegar a outros países e, mais do que o valor bilionário, quer se tornar uma big tech, ao lado de gigantes como Facebook, Google e Amazon.

“Estamos no caminho de nos tornarmos uma big tech brasileira, com um diferencial que é a tecnologia proprietária”, diz Marcelo Zanelatto, diretor de produtos da unico, em entrevista ao Gazz Conecta.

A unico nasceu em São Paulo, em 2007, com a ambiciosa intenção de se tornar a maior e mais valiosa startup de biometria digital e do país. A empresa foi pioneira na criação e desenvolvimento de uma tecnologia própria para identificação da identidade digital de pessoas, hoje utilizada por uma extensa lista de empresas que inclui gigantes varejistas como Magazine Luiza e B2W (detentora das marcas Americanas, Shoptime e Submarino) e instituições financeiras, como o Banco Original e o próprio C6 Bank.

“Viemos para facilitar a relação de empresas e pessoas, tornando a troca de informações mais segura e descomplicada”, explica Zanelatto. “Com uma identidade digital, quebramos as barreiras e burocracias que fazem com que empresas e pessoas precisem inserir muitos documentos para qualquer coisa que desejam fazer online”, conclui.

De janeiro a junho de 2021, a solução de biometria facial da unico evitou prejuízos na ordem de R$ 22 bilhões a empresas e pessoas e identificou uma fraude de identidade a cada 12 segundos, pelos cálculos da própria startup.

Parte do sucesso da empresa de um ano para cá também é mérito da transformação digital impulsionada pela pandemia. Com a disparada no número de ataques virtuais, empresas passaram a se preocupar mais com a mobilidade de informações pessoais de consumidores e também de dados internos. Um prato cheio para os e-commerces, por exemplo.

Paralelo a isso, a empresa também se beneficiou da entrada em vigor da nova Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que estabelece critérios mais rígidos para manuseio e retenção de dados pessoais na internet. “Já estávamos adequados à LGPD anos antes dessa passar a vigorar. Isso nos ajudou a auxiliar na transição de empresas agora preocupadas com esses novos critérios”, diz. O carro-chefe da empresa hoje é uma ferramenta baseada na análise de biometria facial para empresas que operam no ambiente online e que desejam eliminar riscos de fraude em operações digitais. Com a pandemia, essa solução chegou a alcançar uma parcela de 60% em todo o faturamento da empresa e é, inclusive, a ferramenta que atrai as grandes empresas já mencionadas na matéria.

Na prática, o envio da foto do consumidor durante uma autenticação no aplicativo do site ou aplicativo de uma empresa é encaminhada a unico, que analisa e garante a veracidade das imagens e responde isso à companhia em menos de 5 segundos. Importante ressaltar que essa tecnologia não está relacionada ao monitoramento do consumidor, mas do uso de imagens para um fim específico, com a captura de imagens de maneira consentida.

A empresa também conta com tecnologias para assinatura eletrônica e admissões de funcionários. A primeira solução cresceu cerca de 80 vezes nos primeiros seis meses de 2021, em comparação com 2020.

O futuro da unico

Para tirar os planos de ser a mais nova big tech do mundo do papel, a startup também busca reforços que vêm de fora. Recentemente, a unico anunciou a contratação da ex-99 Pâmela Vaiano, como diretora de comunicação; Marcelo Quintella, um ex-Google, como vice-presidente de produto; e Igor Ripoll, um ex-Salesforce e Microsoft, como vice-presidente de vendas e sucesso do Cliente. Em comum, todos os executivos vêm para trazer um fôlego a mais nessa jornada de crescimento, sempre com base em seus conhecimentos e experiência prévias em empresas que já trilharam o caminho agora desejado pela startup.

Para além dos times de peso e o olhar para a corrida junto de empresas trilionárias, o futuro da unico também está pautado na criação de novas tecnologias. A partir de agora, os esforços estarão concentrados no desenvolvimento de novas tecnologias próprias, como um motor biométrico que analisa fotos e as relaciona com um banco de dados interno para confrontar a veracidade da imagem e uma tecnologia de “prova de vida”, usada para garantir que uma foto foi tirada em tempo real.

Chegar até isso, porém, pode depender de novas aquisições. Segundo Zanelatto, a startup deve manter a tradição de ir às compras. Desde a sua criação, a unico já adquiriu cinco empresas. A mais recente delas foi a CredDefende, especializada em biometria para compra de veículos. “Quando falamos em aquisições, a questão é estratégica. Procuramos empresas que possam agregar à empresa e não buscar apenas recursos, mas talentos que vêm delas”, diz. O executivo diz ainda que, no momento, a startup analisa mais de 30 empresas para aquisição, e ao menos três delas já estão em fase avançada de negociação.

Ao que tudo indica, o apetite da empresa para crescimento também será uma realidade da porta para dentro. De maio de 2020 a julho de 2021, a unico saltou de 180 para quase 700 colaboradores, e pretende contratar ainda mais.

Segundo Zanelatto, o título de empresa unicórnio serve de estímulo para que a startup siga rumo ao patamar de big tech, mesmo que isso ainda demore certo tempo. “A jornada é longa para se chegar ao patamar dessas empresas. Concluímos 2% dessa jornada, mas a chancela de unicórnio é o sinal de que estamos no caminho certo”, diz Zanelatto.

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