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Pesquisa do IBGE aponta que empresas brasileiras inovaram menos de 2015 a 2017
| Foto: Chuttersnap/Unsplash

A recessão econômica do país e a queda dos investimentos impactaram diretamente as atividades ligadas à inovação, revelou a Pesquisa de Inovação do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).  Divulgado nesta quinta-feira (16/4), o estudo contou com dados de 116.962 companhias dos setores da indústria, serviços e eletricidade e gás.

De 2015 a 2017, 33,6% das empresas brasileiras com dez ou mais trabalhadores fizeram algum tipo de inovação em produtos ou processos. Essa taxa de inovação ficou 2,4 pontos percentuais abaixo da apresentada no triênio imediatamente anterior, quando alcançou 36%.

Segundo o IBGE, investimentos realizados por empresas em atividades internas de pesquisa e desenvolvimento (P&D) ficaram à frente de aquisição de máquinas e equipamentos pela primeira vez na série histórica da pesquisa.

Do total de gastos, R$ 25,6 bilhões foram para atividades internas de P&D. Outros R$ 21,2 bilhões foram aplicados na aquisição de máquinas e equipamentos e R$ 7 bilhões na aquisição externa de pesquisa.

"O apoio público é muito importante. Quando esse apoio diminui, existe grande tendência de as empresas também diminuírem suas atividades inovativas. Também tivemos o efeito do câmbio e os insumos importados ficaram muito caros, o que afetou a aquisição externa de máquinas e equipamentos ”, afirma Flávio Peixoto, gerente responsável pela pesquisa.

O percentual de empresas beneficiadas com algum incentivo do governo recuou de 39,9%, em 2014, para 26,2%, em 2017, mostrou o levantamento. O financiamento à compra de máquinas e equipamentos, principal mecanismo de incentivo à inovação, foi a modalidade que mais perdeu relevância — caindo de 29,9% de empresas beneficiadas em 2014 para 12,9% em 2017.

Barreiras para a inovação

De acordo com o IBGE, os riscos econômico ganharam relevância entre as empresas inovadoras e se tornaram o principal obstáculo para inovar para 81,8% delas. Por outro lado, os elevados custos para inovar caíram da primeira colocação no ranking de importância em 2014 para a segunda em 2017, sendo indicado por 79,7% das empresas inovadoras.

“A falta de pessoal qualificado foi indicada por 65,5% das empresas inovadoras, despontando como terceiro obstáculo no ranking, ganhando espaço em relação à escassez de fontes apropriadas de financiamento (63,9%), que caiu para a quarta posição”, explicou Peixoto.

Para o gerente, um período recessivo causa impacto na decisão da companhia em inovar. “A inovação é uma decisão estratégica e de longo prazo da empresa. É um fenômeno que custa a aparecer. Tem maturação longa em vários aspectos. No momento em que a empresa se depara com riscos econômicos, é natural que ela retraia os seus investimentos”.

A pesquisa do IBGE destaca também que os investimentos em atividades inovativas estão concentrados em companhias de grande porte: 68,9% dos gastos totais foram feitos por empresas com 500 ou mais funcionários.

*Com Agência Brasil

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