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Global Startup Ecosystem Report 2020

Pesquisa global aponta Curitiba como ecossistema de inovação mais promissor do Brasil

Ranking global Startup Ecosystem Report 2020 destacou o avanço tecnológico da cidade em energia e transporte sustentáveis

  • PorPatrícia Basilio, especial para o Gazz Conecta
  • 09/07/2020 17:53
Pesquisa global aponta Curitiba como ecossistema de inovação mais promissor do Brasil
| Foto: Leonardo Silva

Curitiba foi considerado um dos ecossistemas de inovação mais promissores do mundo pela primeira vez no ranking Global Startup Ecosystem Report 2020, realizado pelo Startup Genome, que analisa mais de 140 cidades no mundo e é reconhecido como um dos mais abrangentes sobre o setor. A capital paranaense é a única do Brasil a integrar o “Top 100 Ecossistemas Promissores do Mundo” e uma das quatro cidades latino-americanas, junto com Bogotá (Colômbia), Buenos Aires (Argentina) e Santiago (Chile). A primeira colocação ficou com Mumbai, na Índia.

No levantamento, a organização destacou o avanço tecnológico da cidade em energia e transporte sustentáveis, coroados pela realização de eventos como o Smart City Expo, além do US$ 1,4 milhão investido na Fohat, startup software de inteligência energética, pela incubadora norte-americana Founder Institute em 2018, que provê soluções para gigantes como a Bosch e Volvo.

Além do Ebanx, as fintechs Contabilizei, Wuzu e Juno são apresentadas no relatório como exemplos do crescimento e reconhecimento global do Vale do Pinhão. O estudo estima, inclusive, que todas as empresas com base tecnológica da cidade estão avaliadas atualmente em US$ 2,2 bilhões.

Para construir o ranking, a Genome avaliou quatro principais pontos: desempenho, talentos, funding (capacidade de captar investimentos) e o potencial de expansão do ecossistema. O que levou Curitiba ao destaque foi a boa nota no quesito desempenho, que leva em consideração dados como o impacto econômico do ecossistema no exit (liquidação do negócio), durante um período de dois anos e meio. Nesta categoria, a capital paranaense alcançou a nota 7, enquanto o ecossistema líder deste quesito, o Vale do Silício, foi avaliado com uma média 9,7.

"Curitiba é o único ecossistema brasileiro além de São Paulo a produzir uma startup unicórnio (avaliada em mais de US$ 1 bilhão): o Ebanx. Poucos ecossistemas no mundo conseguiram esse feito”, explicou o brasileiro Felipe Matos, conselheiro do Startup Genome para a América Latina.

Além de inserir Curitiba no ranking principal, a Genome também mencionou outros pólos de inovação no Brasil, como São Paulo, Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ) e Florianópolis (SC). A capital paulista, inclusive, aparece em 30º lugar no “Top 30 Ecossistemas Globais”  —  divulgado no mesmo relatório em que Curitiba foi destacada.

Quebra-cabeça completo

De acordo com Cris Alessi, presidente da Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação, o sucesso do ecossistema curitibano se deve à presença de todas as peças necessárias para um ambiente de alta inovação, como profissionais qualificados, boas universidades e diversidade de indústrias.

“Ganhamos 10 anos em três meses em transformação digital com o apoio dos empresários. Desde o início da quarentena, dos 1.500 artesãos que ficaram sem vender na Feira do Largo da Ordem, 750 criaram barracas online com apoio de startups. A tecnologia por si só não faz diferença, o que faz diferença é como ela é empregada a favor das pessoas”, relata.

Norton Luiz Ritzmann, fundador da CheckMob.
Norton Luiz Ritzmann, fundador da CheckMob.| Divulgação.

A Checkmob é uma das empresas que nasceu no Vale do Pinhão e hoje já alça voos internacionais. Criada em 2013, a startup foi incubada pela FIEP (Federação das Indústrias do Estado do Paraná) e fez algumas pivotagens (mudanças no negócio) até se estabelecer na área de softwares para gestão de equipes externas.

“Chegamos a criar um aplicativo que atuava como guia turístico de Curitiba. Fomos explorando tecnologias e vendo até onde poderíamos ir. Até que, em 2018, nosso principal produto virou a empresa CheckMob”, explicou Norton Luiz Ritzmann, fundador e CEO da startup, que hoje exporta sua tecnologia para Argentina, Portugal e Moçambique.

Com 1.600 usuários e crescimento de 50% no faturamento em 2019, a empresa utiliza geolocalização e inteligência artificial para acompanhar atividades e localização de funcionários. Em seu histórico, a CheckMob inclui a participação no InovAtiva Brasil, maior programa de aceleração da América Latina, e no StartOut Brasil, apoio governamental à internacionalização de startups.

“Sofremos uma redução de 13% [no faturamento] no primeiro trimestre por conta da pandemia, mas esperamos dobrar de tamanho este ano com o lançamento de uma solução em que a própria concessionária poderá fazer a leitura do chassi e o inventário do carro", adiantou Ritzmann.

‘Do útil ao agradável’

Paulo Henrique Souza, fundador da Ubivis, startup do que atua na indústria 4.0.
Paulo Henrique Souza, fundador da Ubivis, startup do que atua na indústria 4.0.| Divulgação.

Apesar de nascer em Araraquara, interior de São Paulo, Paulo Henrique Souza também se considera um cidadão curitibano. Após um período trabalhando como engenheiro nos EUA, o empreendedor decidiu morar na capital paranaense, onde sua esposa nasceu, e apostar sua experiência na criação da Ubivis, startup do que atua na indústria 4.0.

Lançada ao mercado em 2014, a empresa criou um software que avalia os parâmetros das máquinas de uma linha de produção e realiza ajustes, como temperatura e quantidade de matéria-prima, sem intervenção humana — por meio de inteligência artificial. “Foram três anos de aprendizado e aprimoramento até implantarmos os robôs em duas multinacionais no final do ano passado”, contou Souza.

Segundo o empreendedor, a Ubivis triplicou de tamanho de 2018 a 2019 e começar a exportar para os EUA a partir do ano que vem. “Em Curitiba, uni o útil ao agradável: boa mão de obra, universidades de qualidade e minha família".

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Comentários [ 1 ]

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  • A

    André Zacarias T. de Queiroz

    ± 0 minutos

    Vamos torcer para que Curitiba se consolide mesmo como um hub de inovação e de startups que conseguem ultrapassar seus estágios iniciais. Sem dúvida, será muito bom para a cidade.

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