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Ana Fontes
Ana Fontes fundou a Rede Mulher Empreendedora em 2010 e hoje é referência em capacitação empreendedora.| Foto: Rede Mulher Empreendedora/Divulgação

Com 28 colaboradores, 700 representantes no mundo e mais de 750 mil mulheres apoiadas, a Rede Mulher Empreendedora — empresa que atua há dez anos na capacitação e aceleração gratuita de negócios liderados por mulheres — anunciou nesta semana a captação de R$ 40 milhões em investimentos, o maior da sua história.

O aporte será direcionado para projetos de geração de renda e apoio a empreendedoras. Do total captado, R$ 25 milhões serão direcionados para o Projeto Heróis Usam Máscara, que contratou seis mil costureiras para fabricar máscaras a serem doadas para 200 instituições sociais de 20 estados brasileiros; R$ 7,5 milhões para o projeto Potência Feminina, que auxilia empreendedoras com capacitação, mentoria e acompanhamento para aceleração de negócios durante 24 meses e R$ 8 milhões para outras iniciativas lideradas pela RME. O investimento foi realizado pelos bancos Bradesco, Itaú e Santander.

As costureiras contratadas pelo projeto Heróis Usam Máscara fabricaram máscaras para 200 instituições brasileiras. Foto: Divulgação/Rede Mulher Empreendedora
As costureiras contratadas pelo projeto Heróis Usam Máscara fabricaram máscaras para 200 instituições brasileiras. Foto: Divulgação/Rede Mulher Empreendedora

O início da RME

A história da RME inicia em 2010, quando a fundadora Ana Fontes participou de uma capacitação da Fundação Getúlio Vargas (FGV) focada em mulheres que não tinham recursos financeiros para realizar o curso. Lá, ouviu que ela era uma das privilegiadas: a capacitação oferecia mil vagas e Ana foi uma das 35 selecionadas. Saber que 900 mulheres tiveram suas inscrições negadas foi o estopim para iniciar a Rede Mulher Empreendedora.

Dez anos depois, 750 mil mulheres foram apoiadas pelos programas da empresa, que incluem mentorias, aceleração e programas que conectam mulheres a empresas de forma gratuita. A expectativa da fundadora é que o número de participantes chegue a um milhão até o final do ano.

A atuação da rede está baseada na captação de recursos de empresas e fundações para realizar capacitações gratuitas, conforme explica Ana. “Nosso modelo de negócio é o financiamento através de grandes empresas para desenvolver projetos e programas que ajudam essas mulheres”, relata.

“Temos muitos desafios pois somos um negócio que oferece conteúdo qualificado. A rede é referência não só para mulheres empreendedoras, mas também no que diz respeito à inclusão e políticas públicas”, enfatiza a fundadora. 

Além das iniciativas encabeçadas pela RME já mencionadas, uma das ações de destaque da rede são as mentorias Cresça com o Google, que já ofereceram 4 mil capacitações e têm mais de 5 mil atendimentos programados para o segundo semestre de 2020.

"As mulheres podem ter as carreiras que quiserem"

A proporção de mulheres no mercado de tecnologia é conhecida por ser bastante desigual, tendo uma média de apenas 15% de presença feminina nos quadros societários de startups. Dos 12 unicórnios brasileiros, apenas dois têm mulheres como cofundadora: a fintech Nubank e a foodtech iFood. A atuação da Rede Mulher Empreendedora tem como objetivo mudar este cenário, que na visão de Ana é um reflexo cultural.

“O número de mulheres em carreiras em ascensão tem diminuído nos últimos anos, e isso é uma consequência da falta de representatividade. Precisamos mostrar cada vez mais que todas as carreiras são possíveis e construir a consciência social de que mulheres podem ter as carreiras que quiserem. O ambiente empreendedor de tecnologia infelizmente é dominado por homens brancos de classe média”, declara Ana. 

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