Pesquisa da consultoria PwC revela que 57% dos executivos de TI e segurança brasileiros planejam aumentar seus orçamentos de segurança cibernética.
Pesquisa da consultoria PwC revela que 57% dos executivos de TI e segurança brasileiros planejam aumentar seus orçamentos de segurança cibernética.| Foto: Pexels.

O período de isolamento social exigiu muito mais das empresas do que apenas resiliência financeira. Acelerada pela pandemia, a transformação digital fez com que corporações passassem a se preocupar - e investir - mais em cibersegurança. A conclusão é da pesquisa Global Digital Trust Insights, elaborada pela consultoria PwC.

Para o estudo, foram ouvidos mais de 3 mil executivos das áreas de negócios, tecnologia e segurança, como CEOs, conselheiros de administração, CFOs, CISOs, CIOs, por exemplo, entre julho e agosto de 2020. Mais da metade (55%) dos respondentes eram de empresas com receitas superiores a US$ 1 bilhão. No Brasil, foram ouvidos 109 executivos.

De acordo com a pesquisa, que também buscou analisar os efeitos de médio e longo prazo da pandemia nos processos corporativos, a aceleração da digitalização deve ser a principal consequência, ao passo em que 48% das companhias brasileiras disseram ter acelerado seus projetos de digitalização quinquenais logo no primeiros meses de pandemia.

Também chama a atenção o percentual de empresas nacionais que enxergam a melhoria das infraestruturas de tecnologia e telecomunicações em virtude do período da Covid-19 como principal herança para o futuro: foram 46% das companhias brasileiras, frente a 37% das empresas a nível global.

O que vem a seguir

Buscar rapidez e eficiência é a principal ambição para 29% dos executivos, enquanto 31% querem modernizar a marca com novos recursos e 21%  querem mudar totalmente o modelo de negócios da companhia. Segundo Marcos Ota, diretor da PwC Brasil e especialista na área de Gestão de Riscos, o ritmo acelerado da adoção de novas tecnologias e reconfigurações de modelos de negócio (como por exemplo a adoção do trabalho remoto em massa), também coloca as empresas em posição de obrigatoriedade quando se fala em investimentos em segurança digital.

A pesquisa revela que 57% dos executivos de TI e segurança brasileiros planejam aumentar seus orçamentos de segurança cibernética, sendo que 60% pretendem formar equipes cibernéticas para trabalho em tempo integral em 2021. Segundo Ota, esses investimentos são uma consequência direta da transformação digital. “Com a fragilidade de sistemas e o aumento no fluxo de dados que transitam na rede, as empresas nunca estiveram tão vulneráveis”, explica.

Para o executivo, o reajuste de orçamentos em tecnologia foi acelerado sobretudo devido ao impacto financeiro e reputacional. Agora, com a entrada em vigor da nova Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o vazamento indevido de informações se tornou uma preocupação ainda maior. “Esse assunto virou prioridade na agenda de executivos e esses são apenas alguns motivos para as empresas continuarem investindo em segurança ”, analisa.

Uma outra pesquisa da PwC direcionada a executivos de finanças buscou entender a pretensão de manter os investimentos em transformação digital em função da pandemia. Como resultado, 52% dos entrevistados disseram que iriam postergar investimentos em geral, porém os recursos para transformação digital seriam priorizados, e apenas 9% responderam que adiariam esse tipo de investimento. A pesquisa foi aplicada entre novembro e dezembro de 2020.

Novos talentos digitais

O conhecimento técnico, segundo a pesquisa, deixou de ser o único critério para a seleção de candidatos e contratação de profissionais. Gerentes de grandes empresas passaram a buscar profissionais de tecnologia com habilidades comportamentais como visão de negócios, criatividade e inteligência emocional.

No Brasil, as principais habilidades digitais requeridas são, nesta ordem: soluções em nuvem (61%); inteligência de segurança (55%); análise de dados (43%) e análise financeira e de risco (43%). Já as competências sociais mais buscadas são criatividade (61%), comunicação (61%) e pensamento crítico (53%).

“A pessoa precisa ter um pensamento digital e isso é uma mudança comportamental em todos os níveis da empresa”, diz Ota. Para ele, para que uma empresa tenha sucesso em seu processo de transformação digital, é preciso que, muito além da tecnologia, exista um time de pessoas engajadas.

Com o desemprego em alta, o setor de tecnologia chama a atenção pelo volume de vagas em aberto - e sem candidatos para preenchê-las. De acordo com um levantamento da plataforma online de vagas Catho, houve um aumento de 600% no número de vagas na área, mas a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (ABRAT) aponta para um cenário de déficit: até 2024, existirão 260 mil vagas sem dono.

Para Ota, as empresas só serão capazes de concluir seus processos de transformação digital, se também olharem para investimento em pessoas, e não apenas em ferramentas “Não tem como passar por um processo de transformação digital efetivo sem capacitar as pessoas para que elas sejam capazes de operar as tecnologias emergentes”, diz.


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