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Jaime Basso, presidente do Sicredi PR/SP.
Jaime Basso, presidente do Sicredi PR/SP.| Foto: Divulgação

Com 31 anos de mercado, o Sicredi (Sistema de Crédito Cooperativo) Piquiri Abcd PR/SP enfrenta um desafio que vai na contramão das instituições financeiras tradicionais: se modernizar sem deixar de lado a tradição do cooperativismo e a proximidade dos clientes. Com 52 agências no Paraná e 30 em São Paulo, a instituição parece ter encontrado o equilíbrio ao investir em tecnologia e, ao mesmo tempo, em atendimento pessoal. De 2019 ao final deste ano, a cooperativa promete abrir 400 agências em todo Brasil.

À frente do sistema regional, o gaúcho Jaime Basso está modernizando os negócios junto com a sede nacional: firmou parceria com fintechs — Meerkat (captura de cheques), Cosmobots (bot para investidor) e Hallo (marketplace) — e com universidades e estuda casos internacionais de sucesso. Em 2019, por exemplo, 7.224 contas digitais do Sicredi foram abertas no país. Para não “reinventar a roda”, o presidente do Sicredi PR/SP aposta em agências como consultorias financeiras e afirma: “Quando oferecemos esse serviço aos associados, fidelizamos eles”.

Leia entrevista exclusiva ao GazzConecta abaixo:

Como o Sicredi se mantém moderno, apesar de ser uma cooperativa?

Não vamos competir no mercado se não trouxermos facilidade ao associado. Temos nossa conta digital para quem não quiser ir a uma agência física, por exemplo. A diferença é que se você quiser falar com alguém presencialmente, ela vai te atender na agência. Ou seja, apostamos no digital e no físico. Sabemos que a sociedade hoje precisa fazer as coisas com rapidez e nem sempre pode ir a uma agência física. Por isso, o Sicredi investe em tecnologia, mas nunca deixamos o ser humano de lado. Acredito que as agências vão continuar existindo, mas o serviço vai mudar. Os profissionais serão uma espécie de psicólogos financeiros que vão orientar os clientes para uma melhor tomada de decisão.

Se apostam no ser humano, abriram agências físicas?

Sim. Entre 2019 e o final deste ano vamos abrir 400 agências no Brasil, na contramão dos bancos tradicionais. E o motivo é claro: Itaú e Unibanco eram separados e se uniram. O mesmo com HSBC e Bradesco. Se eles não cortarem custos, não vão operar. Além disso, estão investindo muito em plataformas. Há prédios que possuem 200 pessoas apenas para atendimento virtual. Nós fazemos o contrário.

Como enfrentaram a crise e lidam com a concorrência, então?

Entendemos o que o cliente quer, não oferecemos o produto que temos disponível. Viemos de um tempo em que o foco estava no produto. Agora, precisamos entender a realidade de nosso cliente. E a cooperativa facilita isso porque nossa presença é nacional, mas temos uma atuação local (mais próxima do tomador de crédito). Enquanto os bancos negam crédito para empresas via algoritmo, por exemplo, a cooperativa consegue liberar o dinheiro porque conhece o empresário — mesmo que o setor em que ele atue esteja mal.

Vocês também utilizam tecnologia para análise de crédito, apesar da proximidade com os clientes?

Usamos a tecnologia disponível no mercado, sim, mas vamos além disso. Firmamos parcerias com fintechs e temos acordos com a PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) para um novo core bancário e um hub em Piracicaba, interior de São Paulo, para tecnologia no setor agropecuário. Parcerias com startups de finanças são normais dentro da cooperativa para atender a demanda de associados. Não adianta a gente querer reinventar a roda. Precisamos juntar forças para desenvolver algo novo. Nossa conta digital foi criada junto com a PUCRS, adequando o sistema às necessidades do Sicredi.

Já trabalhamos nossa própria bandeira de cartão, mas vimos que não funciona. O ideal é firmar parceria com quem já atua com o negócio. Inclusive, estamos trabalhando com fintechs para disponibilizar novos produtos de investimentos ainda este mês.

Quais são os projetos do Sicredi para 2020?

O Sicredi tem muito interesse em trabalhar com profissionais autônomos, como os MEIs (Microempreendedores Individuais). Estamos desenvolvendo parcerias com startups para orientação financeira desse público. Parte do curso será presencial e a outra EAD. Com isso, queremos colocar a população de volta na formalidade. Como havia dito no início, as agências realmente vão virar consultorias. Quando oferecemos esse serviço aos associados, fidelizamos eles.

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