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Isadora Saraiva Zamataro, Mariana Siqueira e Gabriele Bueno.
Isadora Saraiva Zamataro, Mariana Siqueira e Gabriele Bueno.| Foto: Divulgação/Fiber Bio

Começou com uma simples conversa nos corredores de uma universidade paranaense. As amigas e estudantes de engenharia química Isadora Saraiva Zamataro, Mariana Siqueira e Gabriele Bueno perceberam que, além da área de estudo, tinham em comum o interesse e o desejo em criar soluções sustentáveis capazes de resolver problemas críticos do meio ambiente.

O problema em questão? A poluição plástica. O tema não poderia ser mais pertinente: estudos mostram que, nos próximos 40 anos, a população mundial vai chegar a 10 bilhões de pessoas, e o aumento populacional terá consequências desastrosas para os oceanos. Um estudo da Fundação Ellen Macarthur aponta que, em 2050, os mares terão mais plástico do que peixes.

E é nesse contexto que entra a Fiber Bio, a startup criada pelas estudantes. Elas desenvolveram um biopolímero sustentável e biodegradável que se decompõe com maior facilidade, e pode ser uma alternativa muito menos poluente para produtos compostos por plástico. O material reaproveita resíduos agroindustriais e produtos naturais, sobretudo fibras da casca do arroz — uma das justificativas para o nome da empresa.

As estudantes e fundadoras da Fiber Bio foram selecionadas para representarem o Brasil no Innovation Leaders Summit 2021, evento global de inovação aberta realizado em março no Japão.
As estudantes e fundadoras da Fiber Bio foram selecionadas para representarem o Brasil no Innovation Leaders Summit 2021, evento global de inovação aberta realizado em março no Japão.| Divulgação

Da iniciação científica à aceleração

A ideia começou a se consolidar através de um projeto de iniciação científica em 2018. Um ano depois, já havia se tornado uma empresa iniciante: fundada em 2019, a Fiber Bio foi selecionada para um programa de aceleração do Governo do Estado do Paraná e Fundação Araucária, com apoio do Sebrae/PR.

Foram 1,8 mil startups paranaenses inscritas na competição. As 192 vencedoras — entre elas a Fiber Bio — receberam aporte financeiro de R$ 40 mil.

“Foi a partir da inscrição do nosso projeto de iniciação científica que percebemos que havia um potencial muito grande de nos tornarmos uma empresa. Nossa ideia estava não só sendo aceita, mas percebida como algo muito inovador”, conta Isadora Saraiva.

Dentro dos laboratórios da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu, as três estudantes receberam todo o apoio da estrutura de inovação. Os dois professores que orientaram o projeto de iniciação científica são, inclusive, sócios da empresa.

Para testar a ideia que viria a se tornar a Fiber Bio, as estudantes participaram de um projeto de iniciação científica na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu.
Para testar sua ideia, as estudantes participaram de um projeto de iniciação científica na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu.| Divulgação/Fiber Bio

Hoje, depois de menos de dois anos de existência, a startup também foi vencedora de um prêmio de empreendedorismo e está prestes a ser uma das sete startups a representarem o Brasil no Innovation Leaders Summit 2021, evento global de inovação aberta que será realizado em março no Japão.

Pandemia acelerou empreendedorismo

A pandemia atrasou os planos da startup em desenvolver o produto e levá-lo ao mercado. Contudo, os meses em distanciamento social e afastadas do laboratório serviram para que os estudantes desenvolvessem o seu lado empreendedor.

“Viemos de uma área que não incentiva tanto o pensamento para o mundo dos negócios, mas nesses meses do programa fomos capacitadas e entendemos o valor de mercado da nossa empresa” disse Gabriele.

A partir do programa estadual, as estudantes também puderam traçar um plano B que pudesse contornar os desafios impostos pela pandemia. Nesse período, surgiu a ideia de submeter a Fiber Bio em mais um programa de aceleração, desta vez com a Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo. O programa de aceleração Startups Connected incentiva startups a apresentarem suas soluções para diferentes desafios propostos por grandes empresas.

A Fiber Bio foi campeã na categoria de embalagens sustentáveis e inteligentes, em setembro de 2019. O período de aceleração termina em fevereiro de 2021 e, enquanto isso, a startup tem a chance de fazer testes e validar o produto a partir da estrutura e equipamentos das grandes empresas envolvidas no projeto. “Precisávamos atacar outras frentes, para que a Fiber Bio se desenvolvesse e tivesse acesso a outros lugares”, conta Gabriele.

Fiber Bio conectada a multinacionais

O potencial da Fiber Bio também pode atrair os olhares de grandes empresas que estão interessadas em reduzir o impacto negativo de suas embalagens no meio ambiente. Gigantes como Nestlé, Unilever e Ambev, por exemplo, investem quantias milionárias e têm compromissos que pretendem dar adeus ao plástico num futuro próximo.

De fato, a associação com multinacionais não tardou. Como resultado do Startups Connected, a Fiber Bio está atualmente desenvolvendo um projeto piloto do material em parceria com a Klabin e Voith Paper, ambas da indústria de papel e celulose. O apoio das multinacionais pode acelerar etapas e aproximar o lançamento do produto, segundo as empreendedoras.

No próximo mês, a Fiber Bio também terá a oportunidade de agilizar ainda mais a sua escalada. A startup irá conectar a importantes players do setor de empreendedorismo mundial no evento japonês Innovation Leaders Summit.

Lá, a Fiber receberá aceleração, mentorias e poderá criar uma rede de networking com incubadoras, aceleradoras e até mesmo fundos de investimento. Para as empreendedoras, participar do evento é uma oportunidade de conexão sem comparação. “Trazer para casa essa responsabilidade para nós, é incrível — ainda mais por sermos uma startup paranaense e liderada apenas por mulheres”, conta Gabriele.

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