Plataforma de vitrines virtuais permite que influenciadores recebam comissão por vendas de produtos.
Plataforma de vitrines virtuais permite que influenciadores recebam comissão por vendas de produtos.| Foto: Anna Shvets/Pexels.

Quase 60% das compras realizadas na internet têm interferência de influenciadores, indicou uma pesquisa do Ipobe de 2019. Mesmo assim, a relação entre essas personalidades digitais e os distribuidores dos produtos divulgados por elas é, na maioria das vezes, muito informal, garantindo poucos benefícios financeiros.

Foi o que constatou o empresário Fernando Corrêa de Oliveira após escutar uma conversa entre duas influenciadoras na academia. Segundo ele, uma delas comentava frustrada que, apesar de ter uma base fiel de seguidores que compravam os produtos indicados em suas redes, o único retorno que tinha pela publicidade eram poucos brindes enviados pelos fornecedores.

Com isso em mente, Oliveira logo concluiu que faltava a existência de um espaço que conectasse as duas partes dessa relação, de forma que a remuneração de influenciadores fosse consequência direta do resultado que gerassem a partir dos produtos anunciados. Assim nasceu a UTOO, uma plataforma de venda direta, com divulgação de produtos por meio do marketing de influência.

“Chamamos a UTOO de vitrine virtual. Isso porque é uma plataforma onde fornecedores expõem seus produtos e também a comissão oferecida pela venda de cada um deles”, diz o empresário. “Os influenciadores, por outro lado, têm a possibilidade de escolher quais deles irão divulgar, já sabendo o quanto irão ganhar por cada venda”, completa o founder.

A ideia, segundo Oliveira, é ampliar as possibilidades, sobretudo, para as personalidades digitais, mas a UTOO tem funcionado também como fomentadora de novas parcerias. “Muitos fornecedores não sabem a quem recorrer para fazer esse serviço de marketing digital. Com a UTOO, não é preciso fazer muito porque os próprios influenciadores irão escolher as marcas e itens com os quais se identificam. A plataforma acaba reforçando parcerias já existentes e proporcionando novas também”.

Benefício mútuo

Em cada venda realizada através da UTOO, 7% do valor fica para a plataforma. O valor arrecadado por venda pelos influenciadores pode variar de acordo com a comissão estipulada pelas marcas fornecedoras, sendo o percentual mínimo de 5%. Para eles, tampouco existem taxas de participação; basta que, em suas redes, vinculem o site da UTOO em posts sobre os produtos, nas bios ou stories.

Outra vantagem é que nenhum dos itens comercializados na plataforma precisam ser mantidos em estoque por qualquer uma das partes. É o chamado dropshipping, que dá liberdade aos influenciadores para venderem sem terem que comprar o produto, e aos fornecedores que organizam a produção e entrega de acordo com a demanda.

Para o consumidor final, também existem benefícios financeiros. Segundo Oliveira, comprando através da plataforma, o cliente não paga bitributação, que é a cobrança dupla de impostos sobre um mesmo produto.

“O processo é benéfico para todos os envolvidos: influenciadores passam a ganhar por um trabalho que já realizavam gratuitamente; fornecedores ampliam seu hall de contatos e ganham a oportunidade de expor produtos gratuitamente no site; e consumidores chegam em seus itens de interesse com mais facilidade [através das redes sociais] e pagam menos por eles”, explica.

Venda por confiança

Além do grande poder de influência nas decisões de compra das pessoas, a pesquisa do Ibope também indicou que mais da metade dos usuários de redes sociais se sente mais confiante ao adquirir um produto que foi sugerido por personalidades digitais queridas. Para Oliveira, isso faz muito sentido:

“A imagem dos influenciadores é o que eles têm de mais importante em suas carreiras e, portanto, não vão colocá-la em risco ao sugerir um produto que não é bom ou que viola seus valores. Na UTOO garantimos que esses valores estejam alinhados pois fazemos uma curadoria das marcas e produtos expostos nas nossas vitrines, prezando pela democracia, diversidade e respeito”.

O empresário também defende a ideia de que a venda por confiança, grande propósito da plataforma, não precisa ser feita apenas por grandes influenciadores. “O que está em questão aqui não é, necessariamente, quantos seguidores uma pessoa tem, mas sim a taxa de engajamento com quem a segue”, diz.

Por esse motivo, a UTOO acaba sendo uma ótima alternativa a pequenos influenciadores em ascensão. No momento, por limitações técnicas de quantidade de funcionários, a plataforma estabelece que os influenciadores participantes devem ter, ao menos, 1.500 seguidores, mas a ideia é que, logo, qualquer pessoa possa se engajar nas vendas.

Perspectivas e expansão

Estruturada no início do ano passado e colocada em funcionamento completo em novembro, a UTOO já conta com a participação de 200 influenciadores cadastrados na base e 80 fornecedores, que oferecem produtos em oito categorias diferentes. A expectativa da empresa, é ampliar seus nichos de produtos para engajar ainda mais clientes de ambas as partes.

Para este ano, a perspectiva é de que o faturamento da UTOO chegue próximo da casa dos R$ 6 milhões, sendo R$ 1 milhão em dezembro, com as vendas de Natal.

Além dos aspectos financeiros, a plataforma também visa a expansão de ideias para o negócio que, como explica Oliveira, tem a capacidade inventiva “de um Uber do e-commerce”, isto é, o negócio inicial pode gerar ramificações que cumpram com o mesmo propósito.

Por exemplo, a UTOO já está desenvolvendo um segmento de vendas diretas, no qual uma marca vende uma quantidade de produtos para seu distribuidor que, então, revende para seus contatos. Seguindo o formato de vitrines online, a plataforma quer criar um braço específico para esses distribuidores, que poderão potencializar suas vendas.

Além disso, Oliveira afirma estar focando no segmento da educação para orientar influenciadores. “Muitos deles não têm noção de como capitalizar seus trabalhos nas redes, queremos oferecer essa orientação a eles e expandir suas possibilidades de engajamento conosco”, finaliza.

Conteúdo editado por:Camila Machado
Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]