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Casa So+ma
Ao longo dos seis anos de atuação da So+ma, 8,2 mil famílias já trocaram seus materiais.| Foto: Leticia Akemi/Gazeta do Povo

Quem é curitibano deve conhecer o Câmbio Verde, iniciativa da prefeitura da capital onde moradores podem levar seus materiais recicláveis até caminhões de coleta e trocar por frutas e verduras. Em 2015, Claudia Pires, cientista comportamental, decidiu utilizar um modelo de trocas semelhante para impulsionar a destinação correta de resíduos e a distribuição de renda.

Assim, Claudia fundou a So+ma. O objetivo da startup é promover a sustentabilidade através da troca de resíduos recicláveis por pontos, que podem ser transformados em alimentos, produtos de higiene, cursos e até doados para instituições não governamentais. As unidades físicas da startup atuam como pontos de recebimento de materiais com o objetivo de ampliar a reciclagem nas cidades em troca de benefícios e vantagens.

Sistema de gatilhos ajuda a incentivar hábitos voltados para a sustentabilidade e conscientização.
Sistema de gatilhos ajuda a incentivar hábitos voltados para a sustentabilidade e conscientização.| Leticia Akemi/Gazeta do Povo

Hoje, a So+ma conta com dois pontos de coleta em Curitiba e cinco em Salvador. Na capital paranaense, as duas casas localizadas no bairro Cidade Industrial foram inauguradas no início de junho. Em pouco mais de um mês na cidade, elas receberam mais de 215 toneladas de materiais para a reciclagem. O objetivo é que ainda neste ano seja instalada uma Casa So+ma no bairro Batel, também em Curitiba.

Em Salvador, mais de 2 mil famílias já participaram da iniciativa levando seus resíduos. Desde que foi implantada na capital baiana, a So+ma arrecadou mais de 370 toneladas de materiais. A expectativa agora é de dobrar esse número a partir de dois novos postos de recebimento. A iniciativa beneficia ainda as cooperativas locais, gerando emprego e melhores condições de trabalho.

Ao longo dos seis anos de atuação da So+ma, 8,2 mil famílias já trocaram seus materiais, gerando ao todo uma economia de mais de R$ 172 mil em vantagens. O posto de coleta é instalado sempre em parceria com as prefeituras das cidades-sede e conta com o apoio de grandes marcas, como Grupo Heineken, iFood, e hipermercados como Assaí e BIG.

Mudança de comportamento 

O que norteou a criação da empresa foi o comportamento e a cultura do brasileiro sobre a sua produção e descarte de lixo. O propósito é reduzir a distância entre a intenção das pessoas de reciclar e a ação. Para Claudia Pires, fundadora da So+ma, a ideia do projeto é gerar novos hábitos através da tecnologia.

“Quando começamos a mostrar o impacto de cada um no meio ambiente, entendemos qual a nossa importância individual e incentivamos uma nova atitude. Mostramos também o valor de quem descarta corretamente, o quanto ele economizou baseado no preço de produtos no supermercado, por exemplo. Assim, as pessoas começam a ter noção que a atitude vale muito e é fundamental para o meio ambiente”, destaca Pires. 

A movimentação de resíduos do usuário fica disponível para visualização em um dashboard.
A movimentação de resíduos do usuário fica disponível para visualização em um dashboard.

Toda movimentação de resíduos do usuário fica disponível para visualização em um dashboard que gera um extrato ambiental, importante para o que a fundadora chama de pequenos gatilhos que incentivam a mudança de hábitos. “A relação que temos com o resíduo é sempre deixar para o outro. A sociedade pensa que haverá alguém que vai lidar com o seu resíduo. A reciclagem precisa do envolvimento de todos, já que todos nós somos consumidores”, enfatiza a CEO.

Um dos cases de troca que gera impacto é o de uma empresa de Salvador de manutenção de televisores. As carcaças das manutenções que iriam para o descarte foram entregues na Casa So+ma. Ao final de um ano, a empresa pode trocar os pontos arrecadados por cestas de Natal para seus funcionários e ainda reduzir sua pegada ambiental.

Monetização por parcerias com grandes marcas

A startup monetiza sua atuação através do mercado B2B. Empresas que desejam crescer ou aumentar seu impacto social se aliam à So+ma e aportam a viabilização de pessoal e instalação de um ponto de coleta. Em troca, além do impacto social, a empresa acessa dados sobre o caminho deste descarte e garante a destinação correta dos resíduos entregues.

“Nós somos monetizados por grandes empresas por unir todo este ciclo: cidadão, cooperativa, setor público e privado. Fazemos isso utilizando tecnologia, comunicação e ciência do comportamento através de pequenos gatilhos para incentivar a mudança”, descreve Claudia. 

Claudia Pires, fundadora da So+ma.
Claudia Pires, fundadora da So+ma. | Divulgação

Cada Casa So+ma conta com uma cooperativa agregada, que recebe os resíduos já devidamente separados, passivos de venda, para o seu beneficiamento. Hoje, a empresa conta com 18 funcionários e reúne dez vagas abertas em seu quadro. Também em relação à expansão, a ideia é que até o final de 2021 seja implantada uma unidade em Goiânia (Goiás) e outra em Camaçari (Bahia).

Entre os objetivos futuros da startup estão a internacionalização do software, além da reciclagem. Através de seu sistema de gatilhos, é possível incentivar outros hábitos da sociedade voltados para a sustentabilidade e conscientização.

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