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Startups compram Startups
Startups compram Startups| Foto: Big Stock, How to go to/Reprodução

A aceleração do movimento de transformação digital serviu de insumo para uma corrida em busca de mais modernização. O processo, que começou ainda em 2020, ganhou ainda mais forma em 2021 com o mercado de investimento de risco em alta como nunca antes. Nos primeiros oito meses deste ano, o total de recursos recebidos pelas startups brasileiras por fundos de investimento já é 85% superior a todo o montante aportado no ano passado, segundo relatório mensal elaborado pelo Distrito, hub de inovação aberta.

Mais capitalizadas do que no passado, as pequenas empresas de base tecnológica do país acendem o alerta para uma nova tendência: as fusões e aquisições entre si. Longe das grandes corporações, as startups têm mostrado um potencial crescente de compra ao adquirir suas parceiras ou até mesmo as rivais de mercado.

O Distrito aponta para uma mudança no perfil dos compradores de startups. Se na última década, a maioria das aquisições vinha de grandes corporações, o primeiro semestre de 2021 vem para reconfigurar essa realidade.

Nos primeiros seis meses do ano, mais da metade (54,1%) das aquisições do mercado brasileiro foram feitas de startups para startups, ante 36,4% das transações realizadas por grandes empresas. Segundo o hub, essa inversão se dá tanto pelo “amadurecimento do ecossistema de inovação como um todo, como também pelo acirramento da competição em setores específicos”.

Com volumes recordes de investimento, as startups brasileiras não estão apenas cooperando para uma maturação do mercado inovativo do país, mas também estão mais seguras para irem às compras, avalia Renata Zanuto, cofundadora do Cubo, hub de empreendedorismo do Itaú Unibanco. “Essa capitalização expressiva fez com que as startups passassem a olhar para recursos mais “sêniores”, seja em contratações e investimentos em tecnologia, ou em novas oportunidades de mercado que as poupem de criar expertises da noite para o dia”, diz.

Renata Zanuto, cofundadora do Cubo.
Renata Zanuto, cofundadora do Cubo.| Celso Doni, Cubo Itaú/Divulgação

Renata avalia o ecossistema à frente de um hub que hoje se tornou uma grande vitrine dessa movimentação. Isso porque o Cubo tem em seu portfólio algumas histórias de sucesso envolvendo fusões e aquisições das empresas incubadas em seu espaço, seja ele físico ou virtual. Em 2020, foram 8 fusões e aquisições envolvendo as mais de 300 companhias que fazem parte da rede. Neste ano, já foram 5 operações do tipo.

O caso mais recente é o da startup Hondana, plataforma de educação corporativa B2B que foi comprada pela americana Wunder. As empresas, que antes eram concorrentes, passaram a unir forças e experiência em seu segmento de atuação em comum: o desenvolvimento de colaboradores de grandes corporações por meio da tecnologia e gamificação.

Outro exemplo está na compra da Kangu, plataforma de entrega de encomendas, pelo gigante do e-commerce Mercado Livre. A Kangu, que era uma startup do Cubo, tem cerca de 5 mil pontos de entrega em 700 cidades no Brasil, além de México e Colômbia e agora ganha ainda mais fôlego ao entrar no principal player de entregas da América Latina.

O papel do venture capital

O volume recorde de investimento em venture capital no Brasil fez com que startups, agora mais capitalizadas, pudessem olhar para não apenas contratações, mas sim novos mercados e novas soluções. Aí entram as fusões e aquisições. Isso, segundo Renata, mostra uma maturidade do ecossistema -- tanto das empresas, quanto das startups.

O Nubank é a prova disso. O banco digital recebeu um de seus maiores investimentos da história em 2021: foram US$ 750 milhões de dólares no primeiro semestre. Grande parte desse valor (US$ 550 milhões) foi investido pela Berkshire Hathaway, holding do bilionário Warren Buffet.

Apesar de fugir da lógica das startups comuns e já ter atingido um valor de mercado que a torna um decacórnio -- patamar bem acima das pequenas empresas brasileiras que ainda caminham para conquistar sua parcela de participação no mercado, o Nubank não deixou de ser uma startup e, mais capitalizada, esteve de portas abertas para a entrada de outras companhias — uma prova de que o mercado de venture capital tem papel fundamental nesse novo momento.

É assim que entra a Spin Pay, plataforma de pagamentos Pix para o e-commerce adquirida pelo Nubank — e também residente do Cubo Itaú.

“Um mercado aquecido de venture capital gera para as startups um recebimento de tempo, muito além do dinheiro”, afirma. “Elas ganham recursos para escalar recursos que já têm e mais do que isso, recebem o capital intelectual dessas trocas com grandes fundos e empresas”, conclui. Dessas conexões, surgem pontes para que empresas se unam à companhias que possuem objetivos em comum e que possam ajudar a acelerar sua estratégia. Um terreno fértil para os M&As.

Daqui para frente, o ritmo de compras - e vendas - entre startups continuará dependendo dos investimentos robustos, mas em escala menor. Afinal, a tendência já está estabelecida. A avaliação de Renata é que, com o primeiro passo dado, é possível que as fusões e aquisições se tornem uma estratégia rumo ao IPO, considerada a “etapa final” da vida das pequenas empresas.

“Sem dúvida esse é um movimento muito interessante do mercado, que ajuda empresas a ficarem maiores e possivelmente caminhar para um IPO. Isso deve se consolidar ainda mais”, diz.

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