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João Pedro Novochadlo (à esquerda) com os demais cofundadores da Veever
João Pedro Novochadlo (à esquerda) com os demais cofundadores da Veever| Foto: Veever/Divulgação

Uma tecnologia capaz de decodificar objetos e imagens e traduzi-los em mensagens de áudio para aqueles que não podem ver. Parece coisa de ficção científica, mas esse recurso existe e tem até mesmo um nome: Veever. O aplicativo que traduz imagens em sons é realidade graças a um jovem empreendedor curitibano que acaba de ser reconhecido como o principal jovem cientista em uma competição que envolveu outros 19 cientistas dos países do BRICS, bloco econômico que inclui as nações emergentes, são elas: Brasil, China, Índia, Rússia e África do Sul.

A inspiração veio após um período como voluntário em um instituto que atende pessoas com deficiência na capital paranaense, em 2014. O episódio mais marcante foi durante um passeio na cidade, quando João Pedro Novochadlo percebeu que esperar um ônibus, para deficientes visuais, é uma tarefa que passa longe da banalidade. “Aquele dia ficou na minha memória, e passei a me perguntar se era possível trazer melhorias àquela situação com ajuda de tecnologia”, conta.

Encarar de perto os desafios enfrentados por esse público em simples tarefas do dia a dia motivou João Pedro a criar a Veever, um ano depois, durante uma competição de tecnologia envolvendo soluções voltadas à mobilidade urbana. O racional por trás disso esteve na ideia de focar em um público até então desassistido e, ao mesmo tempo, cumprir com o papel social de uma empresa que nasceria para ser uma startup de impacto. O sistema foi desenvolvido ao lado dos sócios da Veever, Lohann Coutinho e Leonardo Custódio.

Na prática, o que a Veever oferece é um sistema gratuito de conectividade entre locais, transportes e pessoas, a partir de seus smartphones. Segundo Novochadlo, os celulares “conversam” com pequenos aparelhos instalados em espaços físicos a partir da tecnologia de Bluetooth. Ao passar por um ambiente onde há algum aparelho instalado, um smartphone “traduz” a informação em alto e bom som, para que o usuário ouça. “Um assistente de voz pode transformar um sinal em uma orientação, uma descrição ou direcionamento para aquela pessoa”, explica o empreendedor.

Veever na prática
Veever na prática

Em um museu, por exemplo, o Veever pode descrever as obras com detalhes históricos e físicos sobre cada peça. Já num shopping, a entrada pode ter uma mensagem de boas-vindas, acompanhada de orientações sobre horário de funcionamento, localização de lojas e banheiros, por exemplo. “Promovemos autonomia, sem dúvida, mas o grande foco ainda é a inclusão social”.

Para a solução escalar, no entanto, levou certo tempo. À época, a tecnologia de Bluetooth necessária para o funcionamento do sistema ainda não era popular, sendo uma realidade em poucos aparelhos celulares. Foram três anos para que tudo que a Veever oferece fosse, de fato, mais inclusivo. No caminho também estão testes de usabilidade com usuários reais.

A proposta, segundo o cientista, é ser um complemento a todos os outros recursos de acessibilidade já disponíveis para a população cega, como cães-guia, bengalas e piso tátil. “O cenário ideal é uma união de tudo isso. O caminho que escolhemos é incluir tecnologia nessa jornada”.

De olho no setor público

Apesar de ter sido motivada por um problema que envolve justamente a malha de transporte público, a Veever ainda não tem projetos implementados em parceria com governos estaduais ou entidades municipais. Mas esse é o próximo grande passo da startup, segundo o fundador. “Apesar de ter a missão social, somos uma empresa capitalizada e, até o momento, apenas o setor privado decidiu pagar pela solução. Mas queremos levar a plataforma na web, o aplicativo gratuito, a inteligência artificial e os aparelhos também para o setor público em breve”, diz.

Atualmente, o projeto funciona em um shopping center e uma escola para deficientes visuais em Curitiba, além de um aeroporto em Guarapuava, município do Paraná. O grande caso de sucesso, porém, é o do Rock In Rio. Na última edição do festival de música, a Veever levou sua tecnologia à Cidade do Rock a pedido da empresa organizadora do evento em seu maior projeto-piloto até o momento.

Veever no último Rock in Rio
Veever no último Rock in Rio

Parte do futuro da Veever também vai se dar em investimentos em tecnologia, e a premiação do BRICS, organizada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTIC), deve ajudar nisso. A empresa recebeu US$ 25 mil e deve usaro capital para ampliar os recursos tecnológicos. “Foi a grande oportunidade que tivemos de ver que a ciência está colaborando para resolver grandes problemas sociais, o que nos dá fôlego para crescer".

Em boa medida, essa conexão com outros atores globais também veio em boa hora. “Vimos que acessibilidade e inclusão também são pautas prioritárias para a sociedade e para governos. É um grande espaço para avançarmos”, conclui.

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