A crise do Direito no Brasil está começando na formação
Brasil forma bacharéis no Direito em escala cada vez maior, mas a precariedade dessa formação já tem reflexos na advocacia, no Judiciário e nas demais carreiras jurídicas.
03/07/2026 às 14:53

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Não faltam cursos de Direito no Brasil. Segundo a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o país já tem mais de 700 faculdades em funcionamento e mais de 1,9 mil cursos jurídicos. O número impressiona, mas a quantidade não tem se traduzido em boa formação.
A própria OAB tem chamado a atenção para esse desafio. A entidade atribui a apenas cerca de 10% dos cursos o seu selo de qualidade, concedido com base em resultados como o Exame de Ordem e o Enade.
A precariedade da formação jurídica tem impacto direto sobre a qualidade da advocacia, da magistratura, do Ministério Público, da gestão pública e de todas as áreas que dependem de profissionais do Direito.
O problema ganha ainda mais peso diante da crise de confiança e de ética que atinge partes do sistema de Justiça, incluindo tribunais superiores. Levantamento AtlasIntel divulgado em março de 2026 apontou que 60% dos brasileiros não confiam nos ministros do STF, o maior patamar de desconfiança da série histórica.
A origem dos problemas não está só nas faculdades, mas a formação acadêmica continua sendo decisiva. É no ensino superior que o futuro advogado, juiz, promotor ou gestor público pode aprender não só as normas e procedimentos que precisará aplicar, mas também o sentido da justiça, os limites do poder e a responsabilidade de decidir sobre a vida de outras pessoas.
É com essa visão que a Faculdade Belavista, em São Paulo, estrutura o curso de Direito. A proposta da instituição é formar juristas tecnicamente sólidos, mas também capazes de compreender o Direito em sua dimensão humana, social e ética.
Segundo Ricardo Castagna, coordenador do curso de Direito da Faculdade Belavista, uma formação jurídica de alto nível não pode se limitar à transmissão de conteúdo legal. O estudante precisa aprender a pensar juridicamente, interpretar problemas concretos, sustentar argumentos e compreender as consequências humanas de uma decisão.
Na Belavista, essa proposta passa pelo Core Curriculum, um conjunto de disciplinas transversais integrado aos cursos de Direito e Economia. A formação inclui áreas como ética, antropologia, filosofia política, literatura e humanismo, com o objetivo de ampliar o repertório dos alunos para além da dimensão técnica. Em um momento em que o debate público cobra mais integridade de magistrados, advogados e outros operadores do Direito, uma formação desse tipo é ainda mais importante na preparação profissional.
Rigor acadêmico e Método do Caso aproximam o aluno da realidade jurídica
Um dos diferenciais do curso de Direito da Belavista é o Método do Caso, inspirado em Harvard. A proposta substitui a simples memorização de conceitos por uma experiência mais ativa: o aluno estuda situações concretas, discute alternativas, formula seus próprios argumentos e participa de debates conduzidos pelos professores.
O estudante é colocado diante de dilemas que exigem análise dos fatos, definição do problema, avaliação de alternativas e tomada de decisão. Segundo a Belavista, essa metodologia busca desenvolver habilidades analíticas e espírito crítico, tornando o aprendizado mais dinâmico e próximo da realidade profissional.
“O estudante passa por um processo que envolve preparação prévia, discussões em equipe e participação em plenária na qual são debatidos os dilemas jurídicos presentes nos casos analisados”, explica Castagna.
Esse tipo de formação exige mais do aluno. Ele precisa estudar antes da aula, ouvir argumentos contrários, sustentar sua posição e compreender a complexidade dos casos. O resultado é uma experiência mais próxima da prática jurídica, na qual raramente há respostas simples ou decisões sem consequência.
Além da formação jurídica direta, os alunos da Belavista têm acesso ao Summit, programa de mentoria que acompanha os alunos ao longo da jornada universitária. A iniciativa trabalha competências pessoais, sociais, profissionais e éticas, como autogestão, comunicação, colaboração, visão sistêmica, liderança, integridade e atitude de serviço.
Em um país com uma demanda crescente por integridade no sistema de Justiça, a qualidade humana da formação jurídica se torna uma questão pública.
Na Belavista, essa preocupação orienta a experiência acadêmica do começo ao fim.
