Rodrigo Balassiano, da ID CTVM: crédito privado assume posição estratégica nas carteiras dos investidores
02/07/2026 às 16:50

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Com mercado mais sofisticado, aumento das emissões e maior diversificação de ativos, o crédito privado amplia sua relevância no mercado de capitais e consolida um novo ciclo de crescimento.
O crédito privado vem ocupando um espaço cada vez mais relevante nas estratégias de investimento no Brasil. O avanço da indústria de fundos, a ampliação das emissões e a busca por ativos ligados à economia real fizeram com que instrumentos como debêntures, CRIs, CRAs, Notas Comerciais e Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) deixassem de ser alternativas complementares para se tornarem componentes importantes da alocação de recursos.
Esse movimento acompanha a transformação do mercado de capitais brasileiro. Nos últimos anos, empresas passaram a diversificar suas fontes de financiamento por meio do mercado de dívida, enquanto investidores ampliaram o interesse por ativos capazes de combinar retorno, previsibilidade de fluxo e diversificação dentro dos portfólios.
Para Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, o crescimento do crédito privado reflete uma mudança estrutural no comportamento dos participantes do mercado.
“O amadurecimento ocorreu dos dois lados. As empresas perceberam que existem alternativas eficientes além do crédito bancário, enquanto os investidores passaram a enxergar o crédito privado como uma classe estratégica para composição das carteiras, e não apenas como uma oportunidade pontual de rentabilidade.”
Rodrigo Balassiano - Diretor da ID CTVM
Mercado amplia alternativas para investidores
Embora o ambiente de juros elevados tenha contribuído para fortalecer a atratividade do segmento, especialistas avaliam que a evolução do crédito privado está associada a fatores estruturais. O aumento do número de emissores, a diversificação das operações e o desenvolvimento de novas estruturas ampliaram significativamente as possibilidades de investimento.
Com isso, ativos antes concentrados nas carteiras de investidores institucionais passaram a ser incorporados por diferentes perfis de investidores, acompanhando a evolução do mercado de capitais e o crescimento dos mecanismos de financiamento da economia real.
Segundo Balassiano, o papel do crédito privado também mudou dentro da estratégia patrimonial.
“Hoje, o investidor não busca apenas retorno. O crédito privado passou a integrar o planejamento de longo prazo, permitindo maior diversificação entre setores da economia e diferentes perfis de risco dentro de uma mesma classe de ativos.”
Qualidade das operações ganha ainda mais relevância
O amadurecimento da indústria trouxe também uma postura mais criteriosa por parte dos investidores. Se em um primeiro momento o crescimento era impulsionado principalmente pelo aumento das emissões, atualmente a atenção está voltada para a qualidade dos créditos, a estrutura das operações, a governança e a capacidade financeira dos emissores.
Esse novo ambiente favorece análises mais aprofundadas e fortalece operações estruturadas, acompanhando a crescente sofisticação do mercado brasileiro de capitais.
Na avaliação de Balassiano, essa tendência deverá se intensificar nos próximos anos.
“O crédito privado continuará ampliando sua participação no mercado, mas o diferencial estará cada vez mais na qualidade das estruturas, na seleção dos ativos e na capacidade de conectar bons projetos a investidores com objetivos de longo prazo. Esse amadurecimento fortalece a indústria e amplia a contribuição do mercado de capitais para o financiamento da economia brasileira.”
Com a expansão contínua do mercado de capitais e o fortalecimento dos instrumentos de crédito privado, a expectativa é que essa classe de ativos continue ganhando espaço nas carteiras dos investidores, acompanhando um movimento de maior profissionalização, diversificação e sofisticação da indústria financeira.
