Anvisa aprova terapia inovadora para linfoma agressivo no sangue
Por Mariana
Por Spineria
30/07/2026 às 15:07

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou recentemente a aprovação do registro do medicamento Columvi (glofitamabe), marcando um avanço notável no tratamento de um tipo específico e agressivo de câncer no sangue. Destinado a adultos com Linfoma Difuso de Grandes Células B (LDGCB) recidivado ou refratário, esta nova terapia oferece uma nova rota para pacientes que enfrentam desafios significativos após tratamentos iniciais ou que não são elegíveis para outras abordagens complexas. A chegada desta opção terapêutica representa um passo importante na melhoria da qualidade de vida e das perspectivas de recuperação para milhares de indivíduos.
O desafio do Linfoma Difuso de Grandes Células B
O Linfoma Difuso de Grandes Células B (LDGCB) é o subtipo mais comum entre os linfomas não Hodgkin, representando cerca de um terço de todos os casos de linfomas. Estima-se que, anualmente, cerca de 4 mil pessoas recebam o diagnóstico desta condição no País. Caracterizado por sua rápida progressão, o LDGCB pode ser particularmente desafiador quando a doença retorna (recidiva) ou não responde aos tratamentos convencionais (refratariedade). Nestes cenários, as opções terapêuticas se tornam consideravelmente limitadas, e a busca por soluções eficazes e acessíveis é uma prioridade médica e social. Para muitos pacientes, a agressividade da doença exige respostas rápidas e tratamentos que possam ser iniciados sem longas esperas.
Mecanismo de ação inovador: uma ponte contra o câncer
O medicamento glofitamabe pertence a uma classe terapêutica conhecida como anticorpos biespecíficos, que representam uma fronteira na imunoterapia. Sua ação consiste em funcionar como uma ponte molecular entre as células de defesa do corpo e as células tumorais. Conforme explicado por Renato Tavares, hematologista e membro da diretoria da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), uma extremidade do medicamento se liga especificamente à célula tumoral, enquanto a outra se fixa à célula T, que é um tipo de linfócito crucial para a resposta imune do próprio organismo. Essa conexão estratégica direciona o sistema imunológico do paciente para atacar e destruir as células cancerígenas de forma mais precisa e eficaz, minimizando danos a células saudáveis.
Resultados promissores em estudos clínicos globais
Os resultados do estudo clínico global de Fase III, denominado STARGLO, indicam um impacto notável do glofitamabe no prognóstico dos pacientes. O uso do medicamento, quando combinado com a quimioterapia padrão, demonstrou uma redução de 41% no risco de morte, em comparação com o protocolo tradicional de tratamento. Estes dados ressaltam a capacidade do glofitamabe em prolongar a sobrevida dos pacientes. Além disso, o estudo apontou que 50,3% dos participantes que receberam este novo esquema terapêutico alcançaram a remissão completa da doença, o que significa que não havia mais sinais detectáveis do câncer, um índice superior aos 22% observados no grupo comparativo. Houve também uma redução de 63% no risco de progressão da doença, o que representa um controle mais efetivo e duradouro do câncer.
Acesso facilitado e a importância do tratamento ambulatorial
A aprovação do glofitamabe representa um avanço notável, especialmente por oferecer uma alternativa mais acessível a terapias celulares avançadas, como a terapia CAR-T. Embora a CAR-T seja uma opção promissora, ela atualmente possui acesso restrito no País devido à sua complexidade de produção, alto custo e necessidade de centros especializados. Segundo Renato Tavares, a possibilidade de iniciar este tratamento com glofitamabe poucos dias após a recomendação médica é crucial, dada a agressividade da doença e sua rápida progressão. A terapia tem duração fixa de aproximadamente 8,3 meses e é administrada por infusão intravenosa. Uma vantagem importante para a rotina e o bem-estar dos pacientes é que o procedimento pode ser realizado em ambiente ambulatorial, ou seja, sem a necessidade de internação hospitalar prolongada. Isso permite que os pacientes mantenham uma maior autonomia e qualidade de vida durante o período de tratamento, facilitando a adesão e reduzindo o impacto em suas atividades diárias.
