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Arte e conexão social ajudam a proteger a mente e combater a solidão

Arte e conexão social podem desempenhar um papel importante na construção de uma vida mais saudável. Além de alimentação equilibrada, atividade física e cuidados médicos, pesquisas recentes mostram que o contato com atividades culturais e o fortalecimento das relações humanas também estão relacionados ao bem-estar e à saúde cerebral.

Esses fatores ganham ainda mais relevância diante de dois desafios que atravessam diferentes gerações e países: o declínio cognitivo associado ao envelhecimento e a solidão. Embora sejam questões distintas, ambas ajudam a mostrar como a saúde não depende apenas de escolhas individuais, mas também das oportunidades de participação, convivência e integração disponíveis ao longo da vida.

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O poder da arte para a mente

A arte, em suas diferentes manifestações, pode estimular emoções, lembranças, movimentos e interações sociais. Projetos como o Revivendo Memórias, desenvolvido na Pinacoteca de São Paulo, mostram como visitas a espaços culturais podem ser utilizadas para promover convivência e estimular pessoas idosas.

Segundo Carlos Chechetti, empreendedor e pesquisador em neurociência e criador do programa, iniciativas desse tipo também ajudam a combater o isolamento social e a ampliar o senso de pertencimento. Visitas a museus e outros espaços culturais criam oportunidades para conversar, compartilhar experiências e estabelecer novos vínculos.

Mais do que observar uma obra, portanto, frequentar exposições, assistir a filmes, participar de atividades musicais ou realizar trabalhos manuais pode representar uma forma de estimular diferentes capacidades cognitivas.

A neurologista Sonia Brucki, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), participa das atividades do Revivendo Memórias. Segundo a especialista, experiências como filmes, peças de teatro, novelas e esportes podem despertar emoções intensas, favorecendo a formação e a permanência de determinadas lembranças.

Atividades como pintura, costura e dança também exigem coordenação, atenção, planejamento e memória, estimulando diferentes regiões do cérebro.

Estudo analisa hábitos que podem proteger a cognição

Parte desse debate ganhou força com os resultados do LatAm-FINGERS, ensaio clínico realizado em 11 países da América Latina para investigar intervenções de estilo de vida voltadas a adultos mais velhos com maior risco de declínio cognitivo.

O programa estruturado reuniu alimentação saudável, atividade física, exercícios cognitivos, participação social e controle de fatores cardiovasculares. Após dois anos, os participantes submetidos à intervenção estruturada apresentaram uma melhora 55% maior na cognição global em comparação com aqueles que receberam orientações de saúde de maneira mais flexível.

Os resultados reforçam a ideia de que não existe apenas uma medida capaz de proteger o cérebro. A combinação de diferentes hábitos e do convívio social pode contribuir para preservar funções como memória, raciocínio e velocidade de processamento ao longo do envelhecimento.

Nesse cenário, arte e conexão social fazem parte de uma abordagem mais ampla de cuidado, somando-se ao exercício físico, à alimentação equilibrada e ao acompanhamento da saúde cardiovascular.

Solidão é um desafio de saúde em diferentes países

Se a convivência pode trazer benefícios, sua ausência também merece atenção. Um estudo publicado em 2026, utilizando dados da Gallup World Poll de 2023 e 2024, analisou respostas de 218.048 adultos em 148 países e revelou que mais de uma em cada cinco pessoas relatou sentir solidão.

Os números, porém, variam significativamente conforme as condições econômicas. Nos países de alta renda, 15,7% dos entrevistados disseram ter sentido solidão. Entre os países de baixa renda, o percentual chegou a 31,3%.

Os resultados mostram que a solidão não deve ser entendida apenas como um sentimento individual. Condições econômicas, acesso a oportunidades, redes de apoio, instituições e características das próprias comunidades também podem interferir na maneira como as pessoas se sentem conectadas às outras.

A solidão também apareceu associada a pior percepção de bem-estar e maior frequência de emoções negativas, reforçando sua relevância como tema de saúde pública.

Conexão social funciona como uma rede de proteção

Um dos fatores que mais se destacaram na pesquisa foi o chamado capital social, conceito relacionado à confiança, à cooperação e à existência de pessoas com quem se pode contar.

Em diferentes regiões do mundo, quem afirma possuir uma rede confiável de apoio apresenta menor probabilidade de sentir solidão. Saúde, emprego, escolaridade e tamanho do núcleo familiar também aparecem associados ao problema, embora esses fatores tenham impactos diferentes dependendo do contexto econômico de cada país.

Isso significa que arte e conexão social podem ser trabalhadas não somente no âmbito individual, mas também por meio de políticas e iniciativas coletivas.

Centros culturais, parques, bibliotecas, atividades esportivas, grupos comunitários e espaços públicos de convivência podem facilitar encontros e criar oportunidades para que relações de confiança sejam construídas.

Estratégias integradas para o bem-estar

Não é necessário participar de grandes projetos culturais para incorporar esses estímulos à rotina. Visitar uma exposição, frequentar uma biblioteca, participar de uma aula de dança, pintar, cantar, costurar ou assistir a uma peça de teatro são exemplos de atividades capazes de unir estímulo cognitivo, interesse pessoal e interação com outras pessoas.

O mesmo vale para os vínculos cotidianos. Manter contato com amigos e familiares, participar de grupos com interesses em comum, praticar atividades coletivas e buscar ambientes que favoreçam encontros pode ajudar a ampliar a rede de apoio.

Essas práticas não substituem tratamento médico ou psicológico quando necessário. Elas fazem parte de um conjunto mais amplo de fatores associados ao bem-estar e à qualidade de vida.

Bem-estar também depende dos vínculos que construímos

Os estudos recentes reforçam uma visão cada vez mais abrangente de saúde. Cuidar do corpo e da mente envolve alimentação, movimento e acompanhamento médico, mas também passa pelas experiências culturais, pelas relações de confiança e pela sensação de fazer parte de uma comunidade.

A arte e conexão social, portanto, podem funcionar como importantes aliadas ao longo da vida. Ao estimular o cérebro, despertar emoções e criar oportunidades de convivência, elas ajudam a mostrar que viver bem também depende dos vínculos, experiências e espaços que compartilhamos com outras pessoas.

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