Frutas e saúde mental na adolescência: o que diz o estudo
Por Gabriela Antunes
Por Spineria
22/10/2026 às 15:06

A relação entre o que comemos e nossa saúde mental tem sido cada vez mais objeto de estudo. Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Sydney, na Austrália, revelou que as escolhas alimentares de adolescentes podem ter um impacto significativo em seu bem-estar psicológico. O estudo aponta que a ingestão diária de frutas está associada a uma menor probabilidade de desenvolver sintomas de depressão e ansiedade nessa faixa etária, enquanto o consumo elevado de bebidas açucaradas pode aumentar esses riscos.
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O impacto da fruta na saúde mental
O levantamento, publicado na revista Child and Adolescent Mental Health, acompanhou 6.537 adolescentes de 71 escolas secundárias australianas por um período de quatro anos. Os participantes, com idade média de 12,5 anos no início da pesquisa, responderam a questionários anuais sobre seus hábitos alimentares e saúde mental.
Os resultados indicaram que o consumo de duas porções de qualquer fruta por dia diminuiu o risco de depressão e ansiedade. Mais especificamente, a ingestão de uma porção adicional de fruta por dia foi associada a uma redução de 13% no risco de sintomas de depressão e de 7% no risco de sintomas de ansiedade ao longo do período do estudo. A média de consumo de frutas entre os participantes variou de duas a 2,5 porções diárias.
O lado negativo das bebidas açucaradas
Em contraste com os benefícios das frutas, a pesquisa também destacou os efeitos prejudiciais do consumo elevado de bebidas açucaradas. Refrigerantes, concentrados adoçados e bebidas esportivas foram associados a um aumento no risco de transtornos mentais. Essa associação foi observada em adolescentes de ambos os sexos, mas mostrou-se mais acentuada em meninos, particularmente em relação à ansiedade.
Lily Davidson, autora principal do estudo e pesquisadora de pós-doutorado no Centro Matilda de Pesquisa em Saúde Mental e Uso de Substâncias da Universidade de Sydney, ressalta a importância de investigar essa relação durante a adolescência. “O ensino médio é uma época em que os jovens começam a ganhar muito mais independência em relação ao que comem e bebem, ao mesmo tempo em que muitos problemas de saúde mental começam a surgir”, afirma Davidson.
Metodologia e implicações preventivas
Grande parte das pesquisas anteriores sobre alimentação e saúde mental em adolescentes se baseava em dados de um único momento, o que dificultava a compreensão da ordem dos acontecimentos. Para superar essa limitação, os pesquisadores utilizaram dados do estudo Health4Life do Matilda Centre e acompanharam os adolescentes por três anos, excluindo aqueles que já apresentavam critérios para depressão ou ansiedade no início do estudo.
“Uma das grandes questões em nossa área é se a má nutrição precede os problemas de saúde mental, ou se os jovens que sofrem de problemas de saúde mental simplesmente se alimentam de maneira diferente”, explica Davidson. Ao iniciar com adolescentes sem sintomas elevados e monitorá-los ao longo do ensino médio, foi possível analisar se a ingestão alimentar estava associada ao surgimento posterior desses sintomas.
Os participantes relataram sua ingestão diária habitual de frutas, vegetais e bebidas açucaradas. O estudo também considerou outros fatores como atividade física, idade, gênero e nível socioeconômico para garantir a precisão dos resultados.
As conclusões deste estudo reforçam os esforços para entender o que pode ser feito antes que os jovens desenvolvam problemas significativos de saúde mental. Embora a alimentação não seja o único fator, é um aspecto da vida de um jovem que pode ser modificado, tornando essas descobertas importantes do ponto de vista da prevenção. A pesquisadora enfatiza que “não estamos dizendo que comer uma maçã previne a depressão, ou que tomar um refrigerante causa ansiedade — a saúde mental é muito mais complexa do que isso. Mas a alimentação é um aspecto da vida de um jovem que pode ser potencialmente alterado”.
Este levantamento oferece um caminho prático para pais e educadores, sugerindo que incentivar o consumo de frutas e reduzir a ingestão de bebidas açucaradas pode ser uma estratégia valiosa para promover a saúde mental de adolescentes.
