Publicidade
Oferecido por:
Notícias

Terapia hormonal na menopausa pode reduzir risco de Alzheimer? Entenda o que dizem novos estudos

A terapia hormonal na menopausa voltou ao centro do debate científico após novos estudos encontrarem possíveis benefícios para a saúde cerebral. Pesquisas recentes sugerem que algumas mulheres que utilizam o tratamento podem apresentar menor risco de demência e menos alterações cerebrais relacionadas à doença de Alzheimer.

Os resultados, no entanto, precisam ser interpretados com cautela. Até o momento, as evidências não demonstram que a terapia hormonal seja capaz de prevenir o Alzheimer e não justificam seu uso especificamente com essa finalidade.

Leia também:

Terapia hormonal na menopausa e risco de demência

Um dos estudos mais recentes, publicado na revista Alzheimer’s & Dementia, analisou dados de 183.450 mulheres após a menopausa que participaram do UK Biobank, uma das maiores bases de dados de saúde do mundo.

Após um acompanhamento médio de 13,3 anos, foram identificados 3.948 casos de demência. Entre as participantes que utilizaram terapia hormonal por pelo menos um ano, os pesquisadores observaram uma associação com risco aproximadamente 10% menor de demência por todas as causas.

O efeito foi mais evidente em determinados grupos. Entre mulheres que passaram por menopausa cirúrgica, por exemplo, o risco de demência foi cerca de 26% menor entre aquelas que haviam utilizado terapia hormonal.

Também foram encontradas associações mais fortes entre mulheres com menor exposição natural ao estrogênio ao longo da vida e entre portadoras da variante genética APOE ε4, relacionada a maior risco de Alzheimer.

Outro dado chamou a atenção: a associação mais favorável ocorreu entre mulheres que começaram o tratamento entre os 46 e 56 anos.

Os próprios pesquisadores destacam, entretanto, que os resultados não provam que a terapia hormonal na menopausa seja responsável diretamente pela redução do risco.

Estrogênio também foi associado a menos sinais de Alzheimer

Outra pesquisa, publicada em agosto de 2026 na revista científica Neurology, analisou especificamente mulheres que utilizaram terapia hormonal somente com estrogênio.

Pesquisadores da Universidade Stanford avaliaram informações de mais de 21 mil participantes provenientes de dois bancos de dados sobre envelhecimento e Alzheimer. Parte do estudo incluiu análises de cérebros após a morte.

As mulheres que relataram uso de terapia somente com estrogênio apresentaram menos alterações características da doença de Alzheimer, incluindo placas de proteína beta-amiloide e emaranhados neurofibrilares.

Além disso, as usuárias da terapia tiveram menor probabilidade de receber diagnóstico clínico de demência durante a vida e apresentaram resultados melhores em algumas avaliações de memória e independência funcional.

A terapia somente com estrogênio, porém, costuma ser utilizada principalmente por mulheres que retiraram o útero. Para quem possui útero, normalmente é necessário associar um progestagênio ao estrogênio para proteger o endométrio.

Por isso, os resultados não podem ser automaticamente aplicados a todas as formas de terapia hormonal na menopausa.

Por que o estrogênio poderia influenciar o cérebro?

Há motivos biológicos que ajudam a explicar por que os cientistas investigam a relação entre estrogênio e saúde cerebral.

O hormônio participa de diversos processos no sistema nervoso e pode influenciar mecanismos ligados à comunicação entre neurônios, metabolismo cerebral, resposta inflamatória e funcionamento dos vasos sanguíneos.

Durante a menopausa, a produção ovariana de estrogênio diminui significativamente. Essa alteração hormonal também coincide com mudanças que podem afetar sono, memória, concentração, humor e regulação da temperatura corporal.

Isso não significa, contudo, que a queda do estrogênio seja uma causa direta do Alzheimer. A doença é multifatorial e envolve idade, genética, saúde cardiovascular, estilo de vida e diversos outros fatores.

Por que os resultados ainda exigemcautela

Uma das principais limitações dos novos estudos é o fato de serem observacionais. Isso significa que os pesquisadores analisaram o que aconteceu com mulheres que já haviam utilizado ou não terapia hormonal, em vez de distribuir aleatoriamente o tratamento e um placebo.

Consequentemente, é possível identificar associações, mas não afirmar que a terapia hormonal na menopausa causou a redução do risco de demência.

Há ainda outros fatores capazes de interferir nos resultados. Mulheres que utilizam terapia hormonal podem ter maior acesso aos serviços de saúde, melhores condições socioeconômicas, hábitos diferentes e acompanhamento médico mais frequente.

O tipo de hormônio, a dose, a via de administração, a idade de início, o tempo de tratamento e a presença ou não de progesterona também podem alterar os efeitos.

O que pesquisas anteriores mostraram

A relação entre terapia hormonal e cognição já é estudada há décadas.

O Women’s Health Initiative (WHI), um dos maiores estudos sobre terapia hormonal já realizados, encontrou aumento do risco de demência entre mulheres mais velhas que iniciaram determinados esquemas hormonais aos 65 anos ou depois.

Uma das limitações para aplicar esses resultados às mulheres mais jovens é justamente a idade das participantes e o tipo de terapia hormonal utilizado na época.

Pesquisas posteriores passaram então a investigar a chamada “janela de oportunidade”: a hipótese de que os efeitos da terapia podem ser diferentes quando o tratamento é iniciado próximo ao começo da menopausa.

Mesmo assim, os resultados continuam heterogêneos. Estudos como o KEEPS, realizado com mulheres mais jovens, não demonstraram benefício significativo nem prejuízo importante sobre cognição.

Terapia hormonal não é indicada atualmente para prevenir Alzheimer

Esse é o ponto mais importante para quem acompanha as novas pesquisas.

Apesar dos resultados recentes, sociedades médicas não recomendam iniciar terapia hormonal na menopausa com o objetivo de prevenir Alzheimer ou outras demências em mulheres que passam pela menopausa na idade habitual.

As principais indicações do tratamento continuam relacionadas ao controle de sintomas da menopausa, principalmente ondas de calor e suores noturnos, além da síndrome geniturinária da menopausa e, em determinadas situações, à prevenção da perda óssea.

Para muitas mulheres saudáveis com sintomas importantes, especialmente quando o tratamento é iniciado antes dos 60 anos ou dentro dos primeiros dez anos após o início da menopausa, a relação entre benefícios e riscos pode ser favorável. A decisão, porém, precisa ser individualizada.

Histórico pessoal e familiar, doenças cardiovasculares, risco de trombose, câncer de mama, presença ou ausência do útero, idade e intensidade dos sintomas são alguns dos fatores que devem ser avaliados pelo médico.

O que as novas pesquisas mudam?

Os novos estudos ajudam a mostrar que a relação entre hormônios, menopausa e saúde cerebral provavelmente é mais complexa do que uma simples conclusão de que a terapia hormonal “protege” ou “prejudica” o cérebro.

Idade de início, tipo de menopausa, genética e exposição ao estrogênio ao longo da vida podem fazer diferença.

Por enquanto, portanto, a terapia hormonal na menopausa não deve ser encarada como tratamento preventivo contra Alzheimer. Os achados abrem novas possibilidades para a pesquisa e podem ajudar a identificar, no futuro, quais grupos de mulheres poderiam obter diferentes benefícios do tratamento.

Até que estudos clínicos mais robustos tragam respostas definitivas, a indicação da terapia hormonal deve continuar baseada principalmente nos sintomas da menopausa, nas necessidades individuais e na avaliação dos riscos e benefícios de cada mulher.

Oferecido por:
Produzido por:

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.