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Uso indevido de testosterona e anabolizantes: conheça os riscos

O uso indevido de testosterona e anabolizantes tem preocupado profissionais de saúde devido aos riscos associados à utilização dessas substâncias sem indicação e acompanhamento médico. A promessa de acelerar o ganho de massa muscular, melhorar o desempenho físico ou retardar sinais do envelhecimento pode esconder consequências graves e, em alguns casos, irreversíveis.

A testosterona exerce funções importantes na manutenção dos músculos, dos ossos, do metabolismo e do funcionamento cerebral e cardiovascular. Quando existe uma deficiência hormonal comprovada, a reposição pode ser indicada após uma avaliação clínica completa. Fora desse contexto, entretanto, o consumo do hormônio e de seus derivados pode comprometer a saúde física e mental.

Além dos riscos relacionados ao uso sem indicação, cresce a preocupação com produtos irregulares vendidos pela internet como suplementos, peptídeos ou substâncias para aprimoramento físico. Sem controle de qualidade, esses produtos podem conter ingredientes diferentes dos informados no rótulo e expor o consumidor a doses desconhecidas.

Uso indevido de testosterona e anabolizantes cresce

A testosterona é um hormônio essencial para a saúde e desempenha funções que vão além da sexualidade, como a manutenção dos músculos, dos ossos, do metabolismo e do funcionamento de diversos sistemas do organismo.

Quando seus níveis estão abaixo do adequado, condição conhecida como hipogonadismo, podem surgir sintomas como cansaço, redução da libido, perda de massa muscular e alterações de humor. Nesses casos, a terapia de reposição hormonal pode ser indicada para ajudar a recuperar a qualidade de vida.

Nos últimos anos, porém, o hormônio também passou a ser procurado por pessoas sem deficiência hormonal comprovada, motivadas pela busca por ganho de massa muscular, melhor desempenho físico ou por um suposto efeito de rejuvenescimento.

Esse comportamento, impulsionado pelas redes sociais e por serviços que prometem a chamada “otimização hormonal”, preocupa profissionais da saúde. Sintomas como fadiga, falta de disposição e diminuição da libido podem ter diferentes causas, incluindo estresse, obesidade, alterações emocionais e distúrbios do sono.

Por isso, uma avaliação clínica completa é indispensável antes de considerar qualquer tratamento hormonal.

Riscos cardiovasculares da testosterona e dos anabolizantes

Um dos principais perigos associados ao uso de testosterona sem indicação médica está relacionado ao sistema cardiovascular.

Um estudo que acompanhou aproximadamente 360 mil homens durante um período de até dez anos observou maior ocorrência de infarto, acidente vascular cerebral, parada cardíaca, insuficiência cardíaca e morte entre aqueles que iniciaram a terapia sem evidências clínicas de deficiência hormonal.

Os resultados reforçam que a segurança da reposição de testosterona depende de uma indicação adequada e do acompanhamento profissional.

No caso dos esteroides anabolizantes, que frequentemente incluem derivados da testosterona, o uso prolongado pode provocar o crescimento anormal do músculo cardíaco, condição chamada hipertrofia miocárdica.

Quando relacionada à atividade física regular, a adaptação do coração pode ser fisiológica. Entretanto, entre usuários de anabolizantes, o crescimento pode ocorrer de maneira exagerada e ser acompanhado por alterações que comprometem o funcionamento cardíaco.

Essas mudanças aumentam o risco de arritmias, insuficiência cardíaca, infarto e morte súbita.

Uma pesquisa publicada em 2025 identificou uma taxa de morte súbita cardíaca cinco vezes maior entre fisiculturistas profissionais. Outro estudo, realizado com mais de mil usuários de anabolizantes, encontrou risco significativamente maior de cardiomiopatia, infarto e insuficiência cardíaca quando comparado ao observado na população geral.

O chamado “coração de atleta”, desenvolvido em resposta ao treinamento intenso, não deve ser confundido com as alterações patológicas provocadas pelo uso de esteroides.

Uso indevido de anabolizantes afeta a saúde mental

Os perigos dessas substâncias não se limitam ao organismo. A saúde mental também pode ser gravemente afetada pelo uso de testosterona e esteroides anabolizantes sem acompanhamento médico.

Um caso ocorrido nos Estados Unidos mostrou as consequências do consumo de comprimidos vendidos como suplementos para ganho de massa muscular. O produto, que não apresentava corretamente sua composição, continha testosterona.

Após cerca de dois anos de uso, o consumidor desenvolveu alterações importantes de comportamento e um quadro de psicose, acompanhado por paranoia e delírios persecutórios.

A avaliação médica apontou que o episódio havia sido induzido pelo consumo de esteroides.

O caso demonstra que produtos aparentemente inofensivos podem provocar efeitos psiquiátricos severos, especialmente quando possuem substâncias não declaradas ou são utilizados em doses desconhecidas.

Além da psicose, o uso inadequado pode estar relacionado a irritabilidade, agressividade, ansiedade, alterações de humor, insônia e sintomas depressivos. A interrupção repentina também pode provocar queda da disposição e piora do estado emocional.

Produtos clandestinos aumentam os riscos à saúde

O caso também expõe um problema crescente: a comercialização de suplementos e substâncias sem regulamentação.

A empresa responsável pelos produtos adulterados enganou milhares de consumidores ao vender medicamentos não aprovados e fornecer informações falsas sobre a origem e a pureza das substâncias.

Embora os produtos fossem divulgados como fabricados nos Estados Unidos e submetidos a testes rigorosos, eles eram importados de outros países, não passavam por controle adequado de qualidade e eram misturados com testosterona.

O mercado clandestino frequentemente opera em uma zona regulatória pouco clara. Produtos como peptídeos e Moduladores Seletivos dos Receptores Androgênicos, conhecidos como SARMs, podem ser anunciados como suplementos, embora não tenham aprovação para uso humano com finalidade estética ou esportiva.

Essas substâncias também são amplamente promovidas por influenciadores nas redes sociais, muitas vezes sem informações claras sobre seus riscos.

A falta de fiscalização e controle de qualidade aumenta a possibilidade de o consumidor ingerir substâncias com composição, concentração e procedência desconhecidas. Entre as possíveis consequências estão danos ao fígado, trombose, problemas cardiovasculares e alterações hormonais.

Orientação médica é indispensável

A testosterona não deve ser tratada como um suplemento, mas como uma terapia hormonal que possui indicações específicas.

O tratamento tem respaldo científico principalmente para pessoas com deficiência hormonal confirmada por exames e avaliação clínica. Mesmo nesses casos, a reposição não é isenta de riscos e precisa ser acompanhada regularmente.

Entre os possíveis efeitos adversos estão infertilidade, aumento da quantidade de glóbulos vermelhos no sangue, elevação do risco de trombose e AVC, acne, alterações na próstata e agravamento da apneia do sono.

A produção natural de testosterona também pode ser reduzida durante o uso externo do hormônio. Em homens, isso pode causar diminuição dos testículos, queda na produção de espermatozoides e dificuldades reprodutivas.

Quando corretamente indicada, a terapia de reposição pode melhorar significativamente a qualidade de vida. O problema não está necessariamente na testosterona, mas no uso por pessoas que não apresentam deficiência e na administração sem controle médico.

A busca por bem-estar e saúde deve ser orientada por informações confiáveis e acompanhamento profissional. Antes de considerar qualquer tipo de suplementação hormonal ou substância para ganho de massa muscular, é fundamental consultar um médico e realizar uma avaliação completa.

Escolhas conscientes e decisões bem informadas ajudam a evitar atalhos que podem comprometer justamente o que se pretende melhorar: a saúde e a qualidade de vida.

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