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Castelo do Batel à frente e DOC Batel ao fundo
| Foto: Eduardo Bragança/Divulgação

Na tricentenária Curitiba, encontramos lado a lado - ou, ao menos, muito próximos - casas e prédios que estão a décadas e até a séculos de distância. A convivência é consequência de um processo que é orgânico, mas também estimulado de preservação das construções - tombadas ou não - que ajudam a contar a história da cidade e de seus moradores, a falar sobre a cultura e a identidade curitibanas.

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“Preservar essas casas é tentar entender um pouco como chegamos até aqui, é permitir que levemos os monumentos do passado até o futuro, e é também um meio de conhecer modos mais agradáveis de se morar e de se construir”, resume o engenheiro civil e arquiteto Gabriel Ruiz de Oliveira, que leciona no curso de arquitetura da FAE.

É por isso que aqueles que trabalham com arquitetura hoje buscam contribuir para esse processo de preservação, mesmo quando seu foco é desenvolver projetos novos e contemporâneos. É o caso do escritório Baggio+Schiavon, que, ao longo de seus 40 anos de atuação, realizou uma série de projetos que interagiam com casas e regiões históricas da cidade, como o Batel 1550, o DOC Batel e o Neo Superquadra.

As duas torres do Batel 1550 próximas às edificações históricas que já estavam nos terrenos.
As duas torres do Batel 1550 próximas às edificações históricas que já estavam nos terrenos.| Divulgação

O primeiro é um conjunto multiuso (home & work) edificado em diferentes terrenos na Av. do Batel que foram unificados onde existem duas antigas residências, devidamente restauradas e transformadas em comércio. O segundo é um edifício destinado a consultórios médicos implantado nos fundos do Castelo do Batel, na parte do terreno que fica voltada para a Av. Visconde de Guarapuava. E o terceiro é um empreendimento corporativo que fica entre a Rua da Glória e a Av. Cândido de Abreu, no Centro Cívico, em uma área de características modernistas.

Integrar tempos e espaços

Além de integrarem tempos diferentes, promovendo a preservação de edificações e regiões que formam o patrimônio da cidade, uma das características que os projetos têm em comum é o fato de transformarem a área em que foram implantados, para integrar também os espaços.

DOC Batel foi desenvolvido de modo a dar destaque para a arquitetura do Castelo do Batel.
DOC Batel foi desenvolvido de modo a dar destaque para a arquitetura do Castelo do Batel.| Eduardo Bragança/Divulgação

“Quando você vai projetar num terreno que contém uma unidade de interesse de preservação, você está, de alguma forma, tentando revitalizar uma edificação antiga que é importante para a cultura da cidade e que precisa ser respeitada e você está criando uma integração de atividades e usos dessas edificações. Aí, vem sempre o desafio - que talvez seja uma tendência nossa - de integrar não só as edificações, mas integrá-las com a cidade, permear esses espaços com a cidade”, diz o arquiteto Flávio Schiavon.

Essa característica de integração das edificações com a cidade é, conforme Oliveira, importante para as próprias construções, para a cidade e para as pessoas. “Possibilitar o uso público ou coletivo dessas edificações é fundamental, porque torna aquele ambiente da cidade um espaço mais movimentado e mais seguro. Além disso, você está, de certa forma, democratizando o acesso ao patrimônio - e isso é um acesso à cultura”, explica o engenheiro, arquiteto e professor.

NEO Superquadra abriu a circulação para pedestres em uma região da cidade desenvolvida com foco maior nos carros
NEO Superquadra abriu a circulação para pedestres em uma região da cidade desenvolvida com foco maior nos carros| Paula Morais

No caso do Batel 1550, por exemplo, as áreas ao redor das torres foram abertas ao público, criando espaços de circulação e fruição para aqueles que moram ou passam na região. “Com isso, você não revitaliza só arquitetonicamente cada uma das edificações [antigas], mas você dá vida nova a elas pela presença do fluxo de pessoas. Aí, tem um cuidado com o paisagismo para criar um espaço realmente novo para absorver um pouco dessa fruição pública”, explica Schiavon.

O efeito foi semelhante no Neo, onde o empreendimento “abriu um caminho” entre a Rua da Glória e a Av. Cândido de Abreu.

Com terrenos totalmente permeáveis, o Batel 1550 criou uma praça que pode ser usada por qualquer morador ou passante.
Com terrenos totalmente permeáveis, o Batel 1550 criou uma praça que pode ser usada por qualquer morador ou passante.| Divulgação

O DOC Batel, por sua vez, tem uma integração mais restrita, já que o tombamento do Castelo do Batel se estende aos jardins e impede uma abertura total à circulação de pedestres. Ainda assim, a parte do terreno que cabe ao empreendimento não tem muros e também tem um projeto de paisagismo “aberto” à rua. O fato de a área de embarque e desembarque ficar dentro do terreno, além do recuo, e de o prédio contar com um pilotis contribui para uma sensação de abertura.

Os três projetos citados aqui aparecem na exposição e no livro "40+40: Baggio+Schiavon, 40 anos de arquitetura". A mostra, que está em cartaz no Museu Oscar Niemeyer desde 22 de fevereiro, conta um pouco sobre os últimos 40 anos do urbanismo curitibano a partir das produções do escritório - e engloba o Fórum Futuro das Cidades, que será realizado nesta quinta-feira (31), também no museu. A HAUS é patrocinadora tanto da exposição quanto do livro.

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