Conjunto habitacional com espelho d’água em comunidade de SP ganha prêmio de melhor projeto de 2018

De casas no cerrado a Paulo Mendes da Rocha, conheça os premiados da 5ª edição do prêmio de arquitetura do Instituto Tomie Ohtake. Parque Novo Santo Amaro V, que reurbanizou área de risco na Zona Sul de São Paulo, foi o grande vencedor da edição

Parque Novo Santo Amaro V, assinado pelo escritório Vigliecca & Associados, foi o vencedor da edição co projeto que ressignificou uma área de risco. Foto: Leonardo Finotti

por Aléxia Saraiva

28/08/2018

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Como descobrir os expoentes da arquitetura contemporânea brasileira em um mar de novos projetos que se destacam e surgem a cada dia? É com o objetivo de enaltecer as melhores construções que o Prêmio Tomie Ohtake AzkoNobel escolhe, anualmente, algumas estrelas — e que chegou à sua quinta em edição em 2018 com seis premiados.

Os inscritos não precisam ter sido inaugurados no último ano para concorrer: o recorte temporal do prêmio abrange os últimos dez anos, o que traz uma grande pluralidade de projetos à tona.

No último dia 23, o Instituto Tomie Ohtake, organizador do prêmio, revelou os vencedores do ano. Todos os finalistas e os premiados ficarão expostos no Instituto, em São Paulo, de 24 de agosto a 23 de setembro de 2018.

Confira quem levou os prêmios da 5ª edição!

1º lugar: Parque Novo Santo Amaro V

Foto: divulgação / Vigliecca & Associados

Localizado na capital paulista, o Parque Novo Santo Amaro V consiste em um espaço de convivência que busca ressignificar uma região marcada por moradias precárias em uma área de risco. Com playground, pista de skate, campo de futebol — e ainda 200 unidades habitacionais com plantas diversas, espalhadas em prédios de cinco a sete andares — o parque buscou integrar essa região de vale com a área urbana. Ele conta com passarelas que permitem a travessia dos pedestres ao longo de sua área de quase 22 mil metros quadrados.

O projeto, assinado pelo escritório Vigliecca & Associados, levou um time de peso: Héctor Vigliecca, Luciene Quel, Neli Shimizu e Ronald Werner Fiedler. “Resumimos o trabalho nesta frase: construir a cidade. Tivemos um trabalho bastante grande para estudar a sua geografia e como a gente poderia se integrar a essa realidade. O parque é resultado de uma leitura, de uma interpretação do lugar para construir uma parte da cidade”, afirmou Vigliecca em entrevista à HAUS.

Foto: divulgação/Vigliecca & Associados

Um dos pontos altos do projeto é se mostrar como uma área verde de resistência em meio ao bairro, com um espelho d’água que acompanha os desníveis do terreno. Ele foi criado para manter a identidade da comunidade, uma vez que o córrego que existia no local foi canalizado como uma solução para o saneamento básico. A obra foi realizada de 2009 a 2012 e fez parte do Programa Saneamento Ambiental dos Mananciais do Alto Tietê, realizado pela Prefeitura de São Paulo e pelo Consórcio Mananciais: Construbase + Engeform.

Foto: divulgação/Vigliecca & Associados

“Para nós, saber que aqueles habitantes que moravam no vale com problemas terríveis de locomoção, de poluição no córrego, que hoje recebem um espaço em condições extraordinárias e que a comunidade reconhece isso é, para nós, o mais importante”, relata Vligiecca.

Confira os outros vencedores:

Hors-concours: Sesc 24 de Maio

Foto: Nelson Kon

A nomeação pelo Prêmio Tomie Ohtake AzkoNobel integra uma já grande lista de honrarias que o Sesc 24 de Maio, assinado por Paulo Mendes da Rocha e MMBB Arquitetos, está levando. Por se localizar no coração de São Paulo, toda a estrutura do prédio foi desenhada para dialogar com as construções ao seu redor, enaltecendo a arquitetura do próprio bairro com grandes janelas que mostram essa pluralidade a todo momento.

A edificação conta com 15 pavimentos e todas as funcionalidades de um Sesc: áreas reservadas a esportes, exposições, oficinas, gastronomia e convivência. Um dos destaque do projeto é a piscina no terraço, destinada aos sócios, em uma área batizada de “Praça do Sol”. O espaço foi inaugurado em 2017.

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2º lugar: Hostel Villa 25

Foto: Federico Cairoli

O Hostel Villa 25 propõe a experiência de se hospedar em um clássico casarão da época do império brasileiro em pleno Rio de Janeiro. Com projeto do escritório C+P Arquitetura, assinado por Rodrigo Calvino e Diego Portas, o imóvel do século 19 foi inteiramente restaurado, mantendo estruturas de ferro maciço e paredes de alvenaria, mas trazendo intervenções modernas. Para aproveitar os fundos do terreno, os arquitetos criaram um novo prédio, que respeita o contexto do patrimônio histórico ao mesmo tempo em que aumenta o número de quartos disponíveis.

3º Lugar: Casa no Cerrado

Foto: Gabriel Castro

Localizada na cidade mineira de Moeda, a Casa no Cerrado tem projeto assinado pelo escritório Vazio S/A. O projeto de 2015 tem 320m² e desenha uma casa para se integrar com o bioma do cerrado. Por isso, não leva projeto de paisagismo: ela se basta com a vegetação natural que existe ao seu redor. O destaque da casa é o jogo com forma e função: escadas e rampas vão além da sua utilidade e dão forma às linhas da fachada.

Menção Honrosa – Sustentabilidade: Vila Taguaí

Foto: Leonardo Finotti

Assinada pela arquiteta Cristina Xavier, a Vila Taguaí se localiza nos arredores de São Paulo, na cidade de Carapicuíba. Oito casas compõem o projeto residencial que tem como premissa ocupar áreas verdes da periferia. Além de preservar ao máximo a vegetação nativa, as moradias aproveitam a iluminação e a ventilação natural e aproveitam a energia solar para aquecer a água.

Menção Honrosa – Cor: Residência em Gonçalves

Foto: Cacá Bratke

O respeito ao declive do terreno foi o ponto de partida para a Residência em Gonçalves (MG). A casa foi dividida em duas partes — uma de convivência e uma íntima — para evitar o deslocamento de terra. Outra solução foi sua forma arredondada, que se adapta às curvas de nível. No bloco de convivência, as janelas valorizam a paisagem. O projeto de 2013 é assinado pelo arquiteto André Vainer.

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