A sofisticação da arquitetura brasileira

Arquiteto paulista assina os projetos do Hotel Fasano e da Boate Disco e se destaca pelo simples e arrojado

Foto: Eliseu Cavalcante/Centro de Arquitetura de Viena

por Eloá Cruz

27/05/2015

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Já é de senso comum entre os profissionais da área que seu trabalho é muito importante e um dos mais consagrados dentro da arquitetura brasileira. Com base na sua experiência, como vê a arquitetura hoje? É diferente de quando começou?

Sim, pois muita coisa mudou. O crescimento das cidades, o avanço da tecnologia, até as novas estruturas familiares, tudo isso contribui para um ritmo de vida diferente de 40 anos atrás e, claro, tem reflexo na arquitetura, no modo como as pessoas vivem, na casa que sonham ter.

A arquitetura está mais ligada à funcionalidade, ao bem-estar ou à estética?

Funcionalidade é o mais importante, mas conforto é fundamental. E mais do que ser bonita, acho que a arquitetura tem de emocionar.

Como e por que você decidiu ser arquiteto?

Não decidi. Sempre fiz, e continuo fazendo muitas coisas na órbita da arquitetura – cenografia, cinema, arte conceitual. Aconteceu, simplesmente, que a arquitetura foi tomando um espaço cada vez maior na minha vida profissional.

Seu trabalho é conhecido também por projetos de hotéis de luxo, construções e interiores ligados a essa temática. O que é luxo para você?

Luxo é ter aquilo que te deixa feliz.

Atualmente fala-se no conceito das peças, em sua funcionalidade e numa divulgação maior do design. Qual a ligação do design com a arquitetura? Eles sempre andam juntos?

O design pelo design, acho abominável. O que quer que seja, tem de funcionar, ser confortável.

Como é o seu processo de criação? Ele sempre foi assim? O que o inspira a criar?

O que me inspira é sempre o cliente. Ele me conta de seus sonhos, desejos, necessidades, seja o cliente que me contrata para o projeto de uma casa, loja ou hotel. O que me serve de referência para criar é tudo aquilo que está à minha volta – são as pessoas, a cidade, um filme, um livro, uma música, uma pintura – além, é claro, do local onde se construirá o projeto.

Suas obras e projetos em geral são atemporais ou eles são válidos para uma determinada época? Eles poderiam ser construídos em qualquer lugar do planeta?

Minhas obras são contemporâneas. Elas são projetadas para atender os anseios de um determinado cliente, em determinado terreno, com determinado entorno, sujeito a determinada legislação, dentro de um prazo e orçamento definidos.

Em que setores a arquitetura brasileira precisa evoluir e qual pode ser sua colaboração para o mundo?

Basta nos preocuparmos em fazer o melhor possível em cada rua, bairro e cidade em que construirmos. Sem a tolice de copiar o que se faz lá fora, e sem a pretensão de querer ensinar algo ao mundo.

Edifício 360º, em São Paulo, venceu duas categorias do Prêmio Future Projects, da revista inglesa Architectural Review. Foto: Fernando Guerra/Centro de Arquitetura de Viena

Edifício 360º, em São Paulo, venceu duas categorias do Prêmio Future Projects, da revista inglesa Architectural Review. Foto: Fernando Guerra/Centro de Arquitetura de Viena

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Perfil

Para Isay Weinfeld, funcionalidade e conforto são fundamentais. Com projetos que, além de impressionar pela beleza, emocionam, Isay não pode ser considerado somente um técnico. Ele é um artista do morar. A arquitetura aconteceu naturalmente na vida dele. Aos poucos, seus projetos atraíam artistas e personalidades. As obras como o Hotel Fasano e Boate Disco, na metrópole paulistana, trouxeram ainda mais à tona seu trabalho, único. Hoje Isay Weinfeld, 63 anos, é um dos principais nomes desse setor no Brasil.

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