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Alargamento da faixa de areia de Balneário Camboriú já tem 500 m e pode ser acompanhado em tempo real
| Foto: Element Film

No décimo dia desde o início das obras, o alargamento da faixa de areia da Praia Central de Balneário Camboriú já atingiu 500 m de extensão e vem mudando a paisagem da conhecida praia catarinense.

Tida como a Dubai brasileira, devido a altura de seus prédios à beira-mar -- um dos mais emblemáticos deles, o Yachthouse, assinado pela Pininfarina e em construção da Barra Sul, terá 275 m de altura e será o mais alto do país, para citar apenas um exemplo --, a praia sofre com a grande área de sombra projetada pelas edificações durante boa parte do dia. O adensamento e a ocupação urbana próxima à orla e o avanço da maré, que por vezes já atingiu a Avenida Atlântica, são outras justificativas para a obra, avaliada inicialmente em R$ 66,8 milhões.

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O projeto prevê a ampliação da faixa de areia dos atuais 25 m, na média, para 70 m. Para isso, milhares de metros cúbicos de areia vinda de uma jazida próxima são transportados pela draga Galileo Galilei para a praia e despejados nela por meio de uma tubulação que conecta a embarcação à beira-mar. Na praia, homens e máquinas são responsáveis por espalhar a nova areia, que garante a nova metragem à faixa de areia da Praia Central. Diariamente, cerca de 40 mil metros cúbicos de areia são depositados na praia.

“Esta é uma obra desejada há décadas em Balneário Camboriú e vem num momento de reestruturação da cidade, o momento em que a cidade se prepara para a retomada mais forte da economia. É uma obra de proteção ambiental que vai permitir, além da proteção da orla contra o avanço das marés, a criação de espaços privilegiados para os moradores e os visitantes. Espaços ao ar livre para esporte, lazer, uma nova ciclovia, paisagismo diferenciado, enfim, equipamentos que, no projeto de reurbanização que está sendo feito, vão transformar e renovar a Praia Central, o principal cartão-postal de Balneário Camboriú”, avalia, em nota, o prefeito de Balneário Camboriú, Fabrício Oliveira.

| Jaime Lerner Arquitetos/Divulgação

Estas instalações, inclusive, estão previstas no masterplan que o escritório Jaime Lerner assina para a cidade e que prevê recuperação da vegetação de restinga e revitalização do passeio, com ciclovias, quiosques para o comércio, serviços de segurança e academias ao ar livre no beira-mar.

Outra curiosidade sobre o projeto é a transmissão, em tempo real e 24 horas por dia, das obras pela prefeitura do município pelo site novapraiacentral.com.br, a partir de 13 câmeras espalhadas em diferentes pontos da praia.

A conclusão da obra está prevista para novembro deste ano e, mesmo que ainda no início, ela tem gerado polêmicas nas redes sociais. Nos últimos dias, memes e mensagens questionando a viabilidade ambiental do projeto circularam pela internet. Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Balneário Camboriú reforçou se tratar de uma uma "obra motivada por questões ambientais, para a proteção da cidade contra o avanço das marés" e disse ainda que ela tem gerado um "engajamento absolutamente favorável" entre as pessoas que trabalham "com as informações reais e verdadeiras".

| Element Film

Linha do tempo

O início dos trabalhos jogaram luz sobre a obra, mas o fato é que as discussões sobre a ampliação da faixa de areia não são novidade em Balneário Camboriú, nem outras cidades litorâneas do país (Natal e Florianópolis, por exemplo, estudam projetos similares).

Na cidade catarinense, as discussões sobre o alargamento tiveram início ainda na década de 1970, motivadas pelo crescimento econômico da região. A falta de tecnologia disponível e o alto investimento necessário para a realização da obra fizeram com que seus planos fossem adiados durante as décadas seguintes, porém sem serem esquecidos. Até que, em 1994, o curso de Oceanografia da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) deu início aos primeiros estudos sobre o ambiente costeiro e o alargamento da praia.

Em 2001, um plebiscito foi realizado para que a população pudesse se manifestar sobre o projeto, que recebeu 4.752 votos favoráveis e 1.759 contrários, em um universo de 50.780 eleitores que estavam aptos para votar.

Onze anos depois, a prefeitura do município publicou o edital para a realização da obra. O licenciamento ambiental, por sua vez, foi aprovado em abril de 2018. Em 2020, a Licença Ambiental de Instalação da obra, orçada em R$ 66,8 milhões, foi aprovada pela Comissão Central de Licenciamento Ambiental.

Conteúdo editado por:Luan Galani
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