Antiga fábrica das Ceras Canário no Rebouças será centro de inovação com espaço gastronômico

Construção que abrigava antiga fábrica das Ceras Canário terá centro de inovação em engenharia em parceria com o Green Building Council

Perspectiva da fachada do CRIA, em primeira mão para a Haus. Imagens: RAC Engenharia/Divulgação

por Luciane Belin*

25/02/2019

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Região valiosa para a história de Curitiba pelas tradicionais fábricas que por ali passaram, a área da cidade conhecida como Vale do Pinhão, que engloba parte do Rebouças e do Prado Velho, deve se tornar nos próximos anos o endereço de um importante espaço de inovação e sustentabilidade. Em parte do terreno, onde antes se situava a fábrica das ceras Canário e do sabão Guaíra, a RAC Engenharia vai construir um centro de inovação voltado para a elaboração de iniciativas sustentáveis na construção e formação de profissionais com a chancela do Green Building Council Brasil (GBC Brasil).

Dos 16 mil m² quadrados do terreno, três serão inicialmente dedicados a um espaço multiuso que vai se chamar CRIA, sigla de Campus Rebouças de Inovação e Aceleração, onde serão instalados escritórios e laboratórios para empresas e startups, coworking, auditório, espaço gastronômico e café. O projeto é assinado pelo arquiteto Gonzalo Serra.

Terreno ocupa localização privilegiada entre as ruas Engenheiros Rebouças, Francisco Nunes e Brasílio Itiberê. Foto: Reprodução/Nogari Leilões

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“Nesses espaços, todas as empresas serão estimuladas a trabalhar de forma colaborativa e será incentivada a convivência e troca de experiências entre as pessoas. Além disso, os ambientes estão sendo projetados para proporcionar conforto e eficiência aos usuários, tudo isso aliado às melhores práticas de construção sustentável e health building aplicadas ao ambiente de trabalho”, explica o diretor da RAC Engenharia, Ricardo Cansian.

Para que essa transformação ocorra, o local foi totalmente reestruturado. Da construção anterior, além de parte da estrutura externa do prédio, foram mantidas apenas as características interiores que dão o tom fabril ao projeto, como as instalações aparentes, o piso em concreto alisado e as telhas à vista. No entanto, com o objetivo de servir como case do que prega, o prédio fará uso eficiente e racional dos recursos naturais como energias renováveis, aproveitamento de água de chuva, tratamento e reuso de resíduos.

Imagens: RAC Engenharia/Divulgação

“Não poderia ser diferente, já que trabalharão ali muitas empresas que têm foco em soluções sustentáveis, gestão de cidades inteligentes e economia circular. As startups de base tecnológica que tiverem em seus princípios a solução de problemas existentes com a aplicação de recursos de forma sustentável poderão ser incentivadas, aceleradas ou até mesmo receber investimentos de grupos de empresários interessados”, afirma Cansian.

Segundo o diretor executivo do GBC Brasil e presidente do Comitê dos GBCs das Américas pelo World Green Building Council, Felipe Faria, as atividades do conselho direcionadas para o novo espaço serão pautadas especialmente em duas frentes: “uma voltada para a área de tecnologia, em que vão estar empresas e startups desenvolvendo seus programas de pesquisa e acompanhando o que vem acontecendo no mundo com novos produtos das áreas de engenharia; e outra com um centro de capacitação de profissionais para empreendimentos sustentáveis – energia renovável, tecnologias de Smart Cities, laboratórios para ensaios, projetos, materiais e produtos voltados para a construção sustentável, com centro de referência para formação de profissionais da plataforma BIM (Building Information Modeling)”, detalha Faria.

Imagens: RAC Engenharia/Divulgação

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Segundo ele, o objetivo é que o espaço atue como um braço do GBC fora de São Paulo, o que possibilitaria uma constância maior na dos treinamentos até mesmo do que a da capital paulista, que hoje concentra a maior parte dos eventos. “O GBC vai identificar as opções de cursos em nosso programa nacional de educação e torná-los ativos nesse ambiente, de forma que seja possível contar também com o apoio da iniciativa privada, para que esses cursos cheguem de uma forma subsidiada a futuros profissionais e lideranças da construção”.

Outro importante ponto focal do CRIA e dos treinamentos que serão realizados no lugar serão parcerias com universidades. “Queremos aumentar muito o número de jovens talentos e de profissionais que estão iniciando no mercado de trabalho para que já entrem com esse viés mais relacionado a edificações de alta eficiência”, completa Faria. Em fase de finalização do projeto e seleção de demandas das primeiras empresas que serão instaladas no lugar, o CRIA deve ser inaugurado ainda no primeiro semestre de 2019.

Imagens: RAC Engenharia/Divulgação

Sul sustentável

A escolha de Curitiba como endereço para a instalação do centro de inovação não se dá sem motivo. A capital paranaense vem chamando a atenção do GBC Brasil com a grande demanda por certificação em prédios verdes nos últimos anos – algo que se reflete no estado inteiro e vem se expandindo também para Santa Catarina e Rio Grande do Sul. “Na região Sul do país, 23% dos prédios certificados conseguiram a certificação Platinum [a mais avançada da organização].

No mundo todo, essa porcentagem é de 5%. A maioria dos projetos é de Curitiba, onde todos os lançamentos de alto padrão estão buscando a certificação ‘Casa e Condomínio’ do GBC”, diz Faria.

Imagens: RAC Engenharia/Divulgação

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