Após restauro, biblioteca mais antiga do mundo reabre no Marrocos

Fundada no século 9 junto com a Universidade de al-Qarawiyyin, biblioteca passou três anos fechada para restauro

Detalhes em piso e ornamentação das paredes de al-Qarawiyyin também foram alvo de restauro. Foto: Bigstock

26/09/2016

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Pátio da universidade al-Qarawiyyin, fundada no século 9 e restaurada mais de um milênio depois de sua fundação. Foto: Samia Errazouki/AP Images

Pátio da universidade al-Qarawiyyin, fundada no século 9 e restaurada mais de um milênio depois de sua fundação. Foto: Samia Errazouki/AP Images

O nome de Fatima Al-Fihri pode ser desconhecido de boa parte da população mundial. Mas a filha de um rico mercador tunisiano que migrou à Fez no começo do século 9 tem grande importância para a história. Na segunda maior cidade do Marrocos, Fatima fundou, em 859, a Universidade de al-Qarawiyyin, uma das primeiras instituições de ensino superior do mundo.

O centro de estudo não foi o único fundado por uma mulher no mundo islâmico. Fatima fez parte de uma geração feminina que fundou madraças e mosteiros na região. Neste caso, o que mais surpreende, é a biblioteca da Universidade.

Entrada da sala de leitura da biblioteca de al-Qarawiyyin, mais antiga ainda em funcionamento no mundo Foto: Aaziza Chaouin

Entrada da sala de leitura da biblioteca de al-Qarawiyyin, mais antiga ainda em funcionamento no mundo Foto:
Aziza Chaouni

Além do acervo de mais de quatro mil livros – incluindo um exemplar do Corão do século 9, escrito em couro de camelo, e uma das primeiras e mais completas coleções de Hadith (registro dos preceitos de Maomé, e segundo livro mais importante do Islã) -, a biblioteca é considerada pela UNESCO a mais antiga em funcionamento no mundo.

Fechado parcialmente em 2012 para restauro – mais de um milênio depois de sua fundação -, o local esteve aberto apenas para pesquisadores e funcionários nos últimos anos. Agora, porém, reabriu ao público, com áreas restauradas e algumas adições ao projeto original.

Sala de leitura da blibioteca de al-Qarawiyyin, que teve as estruturas em madeira reformadas, e ganhou um novo lustre. Foto: Samia Errazouki/AP Images

Sala de leitura da blibioteca de al-Qarawiyyin, que teve as estruturas em madeira reformadas, e ganhou um novo lustre. Foto: Samia Errazouki/AP Images

A arquiteta marroquina Aziza Chaouni, outro importante nome feminino da história da biblioteca, foi a responsável pela restauração que envolveu telhas, peças trabalhadas em madeira, e dos zellige (mosaicos de cerâmica, típicos da cultura islâmica e ricos em detalhes), componentes que compunham a milenar beleza do local. Aziza também modernizou a estrutura e adicionar sistemas que ajudam na preservação do acervo.

As novidades ficam por conta de um sistema de canais subterrâneos que ajuda no controle da umidade interna, protegendo as obras antigas. A sala com a parte mais frágil do acervo também recebeu atenção, e alguns livros passaram por um processo em que um produto é aplicado às páginas, não permitindo a ‘quebra’ do papel.

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