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Mesquita de Bait Ur Rouf, projetada pela arquiteta de Bangladesh Marina Tabassum, em que os únicos ornamentos presentes são as luzes.
Mesquita de Bait Ur Rouf, projetada pela arquiteta de Bangladesh Marina Tabassum, em que os únicos ornamentos presentes são as luzes.| Foto: Sandro Di Carlo Darsa

A arquiteta Marina Tabassum, 53 anos, natural de Bangladesh, na Ásia, é uma das principais vozes da arquitetura contemporânea da península indiana. E por isso foi convidada para falar neste domingo (18) durante a UIA2021RIO (27º Congresso Mundial de Arquitetos), que segue até a próxima quinta-feira (22).

Desde 1995 ela tem seu próprio estúdio de arquitetura e design, e atualmente também é professora na Universidade do Texas e outras instituições. Este ano Marina ganhou o prêmio Arnold W. Brunner Memorial e foi considerada pela revista "Prospect" como uma das maiores pensadoras da nova era.

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Marina Tabassum foi eleita pela revista "Prospect" uma das principais pensadoras da arquitetura contemporânea.
Marina Tabassum foi eleita pela revista "Prospect" uma das principais pensadoras da arquitetura contemporânea.| Divulgação

Em sua apresentação, ela forneceu diversas dicas e experiências de como a arquitetura vernacular pode lidar com o equilíbrio do ambiente e reparar o ecossistema, uma questão que se impõe com as consequências das mudanças climáticas aparecendo cada vez mais.

Segundo a arquiteta bengali, até 2050 um terço de Bangladesh será inundado pelo mar. E por ser uma terra ricamente irrigada, com um dinâmico sistema de águas, os rios mudam de curso todos os anos, principalmente devido ao degelo das águas do Himalaia. Essa situação gera o caos para a população rural, que vira e mexe perde tudo, com vilarejos inteiros, hospitais, escolas e outras instituições tendo que serem mudados para outras áreas com frequência.

Uma das casas feitas de barro para o resort ecológico de Panigram, no maior mangue aéreo do mundo, localizado em Bangladesh.
Uma das casas feitas de barro para o resort ecológico de Panigram, no maior mangue aéreo do mundo, localizado em Bangladesh.| Divulgação

Muitos moram em casas pré-fabricadas de aço e madeira que custam entre 1 mil e 4 mil euros. Mas as pessoas com renda mais baixa não conseguem adotar essas casas. Então Marina desenhou uma residência móvel de apenas 250 dólares, super fácil de montar e desmontar, resistente às intempéries, leve e que permite agrupá-las para viverem em comunidade. As paredes são feitas de palha, material abundante na região, e conexões de ferro com estruturas de bambu. As pessoas aprovaram e no próximo ano algumas comunidades querem adquirir 100 casas.

Ao sudoeste do país, existe o maior mangue aéreo do mundo, e em 2011 uma empresa quis criar um resort ecológico que oferecesse uma experiência autêntica de morar no delta. Marina enxergou aí a oportunidade de trazer o orgulho perdido da terra.

Monumento da Independência e Museu da Guerra de Libertação, em Dhaka, Bangladesh, com projeto de Marina Tabassum.
Monumento da Independência e Museu da Guerra de Libertação, em Dhaka, Bangladesh, com projeto de Marina Tabassum.| Sandro Di Carlo Darsa

Ela criou vários tipos de cabanas com pátios. Foram até os vilarejos e ouviram as populações locais que, segundo Marina, são as melhores enciclopédias construtivas. E aprenderam as melhores técnicas e quais seriam os melhores materiais para a empreitada. Fizeram as casas a partir de barro com telhado de palha, utilizando mão de obra local, o que ajudou a economia local e a formar senso de pertencimento. Em 2016, terminada a construção, a arquiteta criou oficinas para ensinar artesanato, economia e criar cooperativas.

Outro material bastante familiar na região são os tijolos, que são baratos e estão presentes desde o século 8 em mosteiros budistas daquela área. Foi esse material que Marina utilizou para levantar a mesquita Bait Ur Rouf em um terreno que sua avó doou antes de falecer para a comunidade de Dhaka.

Fachada da mesquita em Dhaka.
Fachada da mesquita em Dhaka.| Divulgação

Sua principal forma de trabalhar é "ofuscar a fronteira entre dentro e fora, ter sombra e ventilação, proteger-se do sol e respirar ar fresco". No interior do terreno quadrado, ela criou uma planta circular e um quadrado menor em seu interior, o que propiciou quatro entradas diferentes para o ar e a luz natural. "A luz é o único ornamento", sentencia a arquiteta. O efeito faz parecer estrelas no chão, que vão mudando conforme a luz caminha ao longo do dia.

Detalhe de uma das entradas de luz da mesquita em Bangladesh projetada por Marina Tabassum.
Detalhe de uma das entradas de luz da mesquita em Bangladesh projetada por Marina Tabassum.| Divulgação

O UIA2021RIO segue até a próxima quinta-feira (22) em formato 100% digital. As inscrições estão abertas. Mais informações podem ser obtidas no site oficial do evento. A palestra de Marina pode ser revista por quem já está inscrito na plataforma.

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