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Projeto O-SI do coletivo Democratic Architects prevê a possibilidade de utilização de quase cinco mil ônibus que estão fora de frota para o atendimento básico de saúde.
Projeto O-SI do coletivo Democratic Architects prevê a possibilidade de utilização de quase cinco mil ônibus que estão fora de frota para o atendimento básico de saúde.| Foto: Divulgação

A notícia de que a cidade de São Paulo substituiria quase cinco mil ônibus da frota despertou um grupo de arquitetos, já inquietos por natureza. O coletivo Democratic Architects não se conforma com a ideia de que, com a crise causada pela pandemia da Covid-19, precisemos ficar imóveis, estagnados. “Acreditamos justamente no contrário, na produção e criação para enfrentar esse momento”, resume André Zanolla, arquiteto que junto dos colegas Amanda Cunha, Antonio Zanolla e Rennan Carlos, criou o projeto Ônibus de Saúde Imediata (O-SI).

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“Pensamos: para onde foram os ônibus antigos? O que será feito deles?” Para reaproveitar o recurso que acabaria em algum pátio da cidade e pensando na necessidade de leitos hospitalares e unidades de atendimento para a população, o grupo pesquisou e propôs uma forma de transformar ônibus em equipamentos de saúde de atendimento primário, móvel e modular. O projeto tem potencial de implantação rápida e grande alcance.

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A ideia é que o O-SI atenda pacientes que têm deixado de procurar atendimento médico por outros problemas de saúde por medo da contaminação pelo coronavírus. “Identificamos, por meio de uma pesquisa de campo em São Paulo, que até 94% dos cidadãos acreditam que uma pessoa deixaria de ir ao atendimento médico por medo do coronavírus”, relata André. Isso é preocupante, pois pode agravar os quadros de outras doenças, gerando fluxo nos hospitais já sobrecarregados.

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Toda a adaptação do espaço interno dos ônibus, que têm 32 m², foi feita com foco em telemedicina, permitindo mais flexibilidade e menor custo de operação. “O paciente pode marcar uma consulta por aplicativo ou telefone e ir para a O-SI designada para o atendimento somente no momento da consulta”, acrescenta o arquiteto. O grupo contou com a consultoria técnica do médico Sun Rei Lin, do Hospital de São Paulo (Unifesp).

De acordo com o grupo, cada módulo custará em média R$ 250 mil com todos os equipamentos necessários. “A construção de uma unidade tradicional custa em média R$ 750 mil e demora muito mais tempo para a execução.”

O anteprojeto foi concluído no último dia 8 de maio e o grupo está em contato com o executivo municipal e estadual de São Paulo. “Mas é um projeto que pode ser financiado também pela iniciativa privada e, neste cenário, temos alguns contatos em andamento. Outra possibilidade seria a viabilização via Parceria Público-privada (PPP).

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Passada a crise do coronavírus, o projeto seguirá relevante e importante no apoio à atenção básica de saúde, principalmente em lugares remotos. O primeiro protótipo funcional deve entrar em operação em algumas semanas.

Um dos primeiros locais onde o grupo vislumbra a instalação seria em Cidade Tiradentes, bairro no extremo leste de São Paulo e distante 35 quilômetros do centro. Mas há contatos ainda com os governos do Maranhão e do Distrito Federal. “O que nos deixa muito confiantes no projeto é a capacidade dele de ser replicável e expansível. Além disso, nosso escritório nasceu com a ideia colaborativa, então estamos abertos a conversar com parceiros de outros estados e com empresas também. Nossa intenção é poder replicar o O-SI e mostrar que o melhor é não parar e pensar em soluções para este momento”, finaliza André.

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