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Conceito

O que é arquitetura biofílica? Entenda o conceito e como ele é aplicado no design e na construção

  • PorIsadora Rupp, especial para a HAUS
  • 09/02/2021 12:02
Supertree Grove em Singapura.
A famosa Supertree Grove, em Singapura.| Foto: Annie Spratt/Unsplash

Tendência natural de voltarmos a atenção para as coisas vivas. Esse é o significado, ao pé da letra, da palavra biofilia, termo cunhado pelo etimologista e biológo norte-americano Edward Osborne Wilson. Após décadas de um padrão de consumo excessivo e de cidades construídas para priorizar a produção, e não as pessoas, passou-se a perceber a necessidade de resgatar os estímulos positivos da natureza. Na arquitetura e no design, isso engloba aspectos como uma forte presença do verde e de plantas, seja dentro de casa ou em um espaço urbano, valorização de aspectos como luz e ventilação naturais e soluções que incentivem as pessoas a buscar alguma conexão com o natural.

Idealizador de projetos paisagísticos em empreendimentos como o Brascan Century Plaza, no bairro Itaim Bibi, em São Paulo, o arquiteto paisagista Benedito Abbud fala que a ideia da biofilia na arquitetura e no design vem principalmente como um desdobramento dos healing gardens - os “jardins de cura” instalados em clínicas e hospitais. “Há várias pesquisas que verificaram que pacientes que saem para tomar sol e ficam junto à natureza se recuperam melhor. O design biofílico é uma forma de encarar todos os universos amplos da arquitetura, que inclui de interiores ao urbanismo, e incentivar a relação das pessoas com a natureza”, explica.

No caso do Brascan, a construção, há 20 anos, foi realizada em uma área até então urbanisticamente degradada, conta Abbud. O conceito de arquitetura e design biofílico ainda não era tão debatido, mas o prédio projetado pelos arquitetos Jorge Konigsberger e Gianfranco Vannucchi, que traz o conceito de oásis urbano e uso misto (com flats, escritórios, lajes corporativas, centro comercial, restaurantes e cinemas), virou a centralidade do bairro, possível pela união da disponibilidade de serviços junto com uma área verde.

Projeto paisagístico do Brascan Century Plaza, no Itaim Bibi. Foto: Divulgação.
Projeto paisagístico do Brascan Century Plaza, no Itaim Bibi. Foto: Divulgação. | photo © leonardo@finotti.com

Abbud cita ainda outro empreendimento na capital paulistana, esse mais recente, o Cidade Matarazzo, que coloca na prática os conceitos da biofilia, com vegetação que irá “invadir"o prédio.

Maquete de como ficará o projeto da Cidade Matarazzo.
Maquete de como ficará o projeto da Cidade Matarazzo.| Luan Galani

Em Curitiba, o profissional é responsável pelo Bosco Centrale, edifício na Rua Mariano Torres, no centro, que será o primeiro bosque vertical da cidade, trazendo os benefícios da fachada verde não só para os moradores, mas para a área do entorno como um todo. Aproveitamento ao máximo da luz natural, reaproveitamento da água e redução de resíduos na construção são outras soluções adotadas.

Fachada do projeto do edifício Bosco Centrale na Rua Mariano Torres, em Curitiba. Foto: Divulgação.
Fachada do projeto do edifício Bosco Centrale na Rua Mariano Torres, em Curitiba. Foto: Divulgação.
Jardim interno do Bosco Centrale. Foto: Divulgação.
Jardim interno do Bosco Centrale. Foto: Divulgação.

Melhora da amplitude térmica, da umidade relativa do ar e se evitar ilhas de calor são alguns dos benefícios proporcionados, segundo o arquiteto, pela presença da vegetação em um ambiente. Seja em casa, com mais plantas, com a adoção das urban jungles, ou na estrutura das cidades, com a implementação de corredores verdes, parques e outros espaços que abraçam a vegetação.

Jardins verticais são uma opção para trazer o design biofílico para dentro de casa. Na imagem, projeto da Ecotelhado. Foto: Divulgação.
Jardins verticais são uma opção para trazer o design biofílico para dentro de casa. Na imagem, projeto da Ecotelhado. Foto: Divulgação.

Fora a vantagem psicológica da sensação de bem-estar, que podemos conquistar apenas com imagens de natureza, diz Abbud, seja em um bonsai, numa planta natural e até artificial, além de objetos que trazem imagens biofílicas (animais, plantas, etc).

Surpresa da natureza 

Além da promover a conexão com a natureza, os projetos de arquitetura e design que aplicam a biofilia em sua execução trazem ainda, de acordo com Abbud, a “surpresa da natureza”. “Você está em um percurso e sente um aroma, ouve o canto de um pássaro, vê uma árvore florida. No percurso, ora há sol ora sombra”, exemplifica.

Outro elemento importante é a água, diz o engenheiro agrônomo João Manuel Feijó, desenvolvedor de produtos da Ecotelhado. "A água tem um valor biofílico muito grande, por estar ligada à questão vida. Quando olhamos para uma superfície de água, rio ou o mar, há uma sensação de apaziguamento. E isso é algo biológico. Porque, para o nosso corpo, sinaliza que há um manancial de água próximo”, frisa.

Projeto da Ecotelhado: água é elemento precioso no design biofílico. Foto: Divulgação.
Projeto da Ecotelhado: água é elemento precioso no design biofílico. Foto: Divulgação.

O mesmo ocorre na sensação em observar os ambientes: um mato vegetado gera uma percepção muito diversa do que uma parede cinza. “Nos últimos anos foi constatado que essa era uma parte relegada e menos importante no crescimento das cidades. E isso afetou a saúde pública e o bem-estar psicológico das pessoas”acredita Feijó.

Ele cita como exemplo a cidade de Singapura. “Tudo era feito maximizando o concreto e foram derrubando a parte natural. De uns anos para cá foi colocado no plano diretor da cidade privilegiar o que fosse biofílico. Investiram em áreas vegetadas, fachadas verdes”, fala.

Após privilegiar o concreto, Singapura investiu na arquitetura urbana biofílica. Foto: Sergio Sala/Unsplash.
Após privilegiar o concreto, Singapura investiu na arquitetura urbana biofílica. Foto: Sergio Sala/Unsplash.

Para Feijó, transformar o asfalto em áreas verdes será uma tendência crescente a partir de agora. “Se as pessoas vão fazer mais home office, isso diminui a necessidade de trânsito nas grandes cidades. Vimos na pandemia que muitos setores funcionam perfeitamente de maneira remota. Logo, espaços de asfalto podem virar florestas urbanas”.

Acesso e compromisso 

Na visão do arquiteto Lucas Issey, sócio-fundador da Y Arquitetos e professor do curso de Inovação do Centro Europeu, a arquitetura e o design biofílico trazem ainda um senso de responsabilidade e compromisso em uma sociedade que ele define de “alto consumo”. “A biofilia nos traz esse ensinamento. Ter uma planta em casa dá outro significado, mas é preciso cuidar para que ela sobreviva”.

O escritório da Ecotelhado. Foto: Divulgação.
O escritório da Ecotelhado. Foto: Divulgação.

Apesar de acreditar que a integração da natureza à arquitetura e ao design é uma necessidade e uma tendência, Issey pontua que em países como o Brasil ainda é preciso se atentar ao básico, promovendo a construção de residências e prédios que tragam o mínimo de conforto ambiental, como circulação de ar e luz do sol abundantes. “É complexo falar de cidades inteligentes quando, no Brasil, muitas pessoas ainda não têm água, saneamento básico. Antes de falar de arquitetura de altíssima qualidade, é importante debater sobre como podemos dar acesso a grande parte da população a uma arquitetura de qualidade englobado a natureza junto”.

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Comentários [ 3 ]

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  • M

    Mauricio

    ± 0 minutos

    Bem biofílica e sustentável essa mesa de tora de madeira. Me lembra um certo restaurante que também adora um Greenwash.

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    • R

      Renata de Paula Xavier Moro

      13/02/2021 23:20:12

      Ainda bem que no final da reportagem é lembrado que primeiro tem de ter serviços básicos. Biofilia em cidades e bairros pobres e abandonados pelo poder público é luxo.

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        Nico Gavelick

        09/02/2021 18:54:28

        Gostei do conceito. Além do maior conforto térmico e acústico, deixa a paisagem urbana mais bonita.

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