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Hotel Citic Jinling, na China, foi criado por Cui Kai e se insere de forma quase natural na paisagem, seguindo até a forma natural das montanhas.
Hotel Citic Jinling, na China, foi criado por Cui Kai e se insere de forma quase natural na paisagem, seguindo até a forma natural das montanhas.| Foto: Divulgação

Dois dos mais proeminentes nomes da arquitetura chinesa contemporânea -- Cui Kai e Zhang Li -- marcaram presença nesta segunda-feira (19) na UIA2021RIO (27º Congresso Mundial de Arquitetos), que segue até a próxima quinta-feira (22).

Cui Kai tem um escritório próprio com uma produção arquitetônica numerosa e em diferentes escalas, é professor da Universidade Tianjin e vice-presidente da Sociedade de Arquitetura da China. Zhang Li é chefe da Escola de Arquitetura da Universidade Tshinghua, encabeça seu próprio ateliê, o TeamMinus, em Beijing, e é editor-chefe da revista chinesa mais importante de arquitetura, a World Architecture.

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Cui Kai e Zhang Li são dois nomes de peso da arquitetura contemporânea chinesa.| Divulgação

Em comum, a busca constante pela harmonia total entre os edifícios e os locais onde estão inseridos. Reinterpretam a monumentalidade que caracterizava a arquitetura chinesa, gostam de trabalhar com diferentes escalas no mesmo projeto e seguem a filosofia oriental pré-industrial.

A diferença é que Kai é adepto de um regionalismo crítico, e Li gosta mais de utilizar dados científicos e big data para aprimorar seus projetos.

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Centro de Exibição Digital de Mogao Grottoes, na China, que se mimetiza na paisagem árida e montanhosa da região.| Divulgação

Kai foi o primeiro a falar, e começou pelo exemplo do centro turístico construído próximo das grutas de Mogao, que são patrimônio internacional. "Procuramos a harmonia entre a natureza e o edifício, em criar uma paisagem única", explica. "Além da funcionalidade, o mais importante é fazer com que o prédio seja harmônico com a área", defende o arquiteto chinês que projetou o complexo seguindo a forma em declive do terreno, utilizando formas simples e curvas, e uma estrutura básica de concreto.

Outro projeto que merece destaque e foi comentado pelo arquiteto é o Hotel Citci Jinling, hoje considerado um dos melhores hotéis nas proximidades de Beijing, que se insere na paisagem de modo quase natural. "A construção está em harmonia com a montanha. Fizemos todos os quartos se ajustarem à inclinação e reduzimos a massa do prédio. Plantamos grama nos terraços e colocamos painéis especiais na fachada que acompanham a textura de pedra das montanhas", esclarece Kai.

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Vista noturna do Hotel Citci Jinling, projetado por Cui Kai.| Divulgação

Porém, o exemplo mais radical dessa mimetização é o Museu das Ruínas da Dinastia Yin, que foi todo desenvolvido no subterrâneo, a fim de não alterar a paisagem da região da província de Henan. "É uma pequena massa sobre o solo, que te indica e leva para baixo, onde você encontra um grande pátio."

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Construção do museu por Kai é quase imperceptível no terreno.| Divulgação

E como fazer no meio urbano? Kai trabalhou na readequação da Mansão Longfu e seus arredores, que ficam na parte velha da cidade. Ele manteve as construções originais, mas adaptou seu entorno, como utilizar-se de rasgos nas muralhas existentes para que os usuários dos prédios possam visualizar a cidade e contemplar a vista. Segundo ele, essas foram as lições desenvolvidas ao longo de 22 anos para equilibrar homem e natureza na China contemporânea.

Já Zhang Li, que também leciona no Politécnico de Turim, na Itália, e em outras universidades da Europa e dos Estados Unidos, por meio de uma apresentação bastante dinâmica, apresentou o conceito de ergonomia urbana e como essa abordagem pode ser a base da arquitetura.

Segundo Li, existem cinco escalas diferentes, baseadas na proximidade com o referencial, que mudam nossa abordagem e análise do projeto. Pode-se observar a construção e como ela se interliga com o macro, a 2 km de distância, até o micro, que é como o corpo do usuário interage com o edifício.

Jianamani Visitor Center é um importante local para os tibetanos, tanto turistas quanto residentes, e foi todo construído com pedras Mani.
Jianamani Visitor Center é um importante local para os tibetanos, tanto turistas quanto residentes, e foi todo construído com pedras Mani.| TeamMinus

Um projeto de destaque de Li e seu estúdio, o TeamMinus, é o Jianamani Visitor Center, um importante local para o budismo tibetano, que recebe diariamente dezenas de peregrinos. O local foi pensado para os turistas e para os peregrinos, com diversos serviços no edifício, como uma clínica, banheiros, quartos, biblioteca e serviço postal.

Como 40% da população da região vive da extração de pedras Mani, a escolha foi óbvia para o arquiteto chinês. Todas as técnicas construtivas adotadas são locais, e o trabalho necessário para adaptar as pedras foi feito pelos pedreiros de Yushu. Os 11 terraços são feitos de madeira reaproveitada de casas atingidas pelo terremoto de 2010.

Governo regional chamou Li para transformar uma antiga usina de aço em um local para os Jogos de Inverno de 2022.
Governo regional chamou Li para transformar uma antiga usina de aço em um local para os Jogos de Inverno de 2022.

O arquiteto chinês foi chamado para transformar uma antiga usina de aço desativada em um local de competição para os Jogos de Inverno Shougang Big Air of Bejing 2022. De acordo com Li, precisamos valorizar o patrimônio industrial de nossas cidades, pois essa "arquitetura industrial é precisa, clara, com uma linha estrutural bem limpa e feita, o que permite sempre reinterpretar a lógica do espaço para novos usos".

Aranya Qixing Youth Camp, projetado por Zhang Li.
Aranya Qixing Youth Camp, projetado por Zhang Li.| Divulgação

O arquiteto sabe compor com maestria diferentes estruturas, como nessa escola, a Aranya Qixing Youth Camp, em que ele criou o edifício a partir de uma rampa contínua que dá a volta toda no espaço, induzindo as crianças a se exercitarem e correrem.

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Li terminou sua fala lembrando quão democráticas as cidades são em seu conceito originário. "Temos que compartilhar a cidade com os outros. Gradualmente formamos uma comunidade, criamos laços. Eu diria que é o compartilhamento do direito à cidade que nos faz nos darmos bem, é o que mantém a coerência social. Se isso não acontece, coisas negativas aparecem, como violência, enganação, descriminação", ensina.

O UIA2021RIO segue até a próxima quinta-feira (22) em formato 100% digital. As inscrições estão abertas. Mais informações podem ser obtidas no site oficial do evento. A palestra dos arquitetos chineses pode ser revista por quem já está inscrito na plataforma. Elas permanecerão disponíveis por dois anos, segundo informações dos organizadores do evento.

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