Como você se sentiu com essa matéria?

  • Carregando...
Futuro do design de interiores aponta na direção da liberdade e criatividade, com uso de cores potentes; tendência foi antecipada na coleção Primavera/Verão da Dolce  & Gabanna.
Futuro do design de interiores aponta na direção da liberdade e criatividade, com uso de cores potentes; tendência foi antecipada na coleção Primavera/Verão da Dolce & Gabanna.| Foto: Divulgação/Dolce & Gabanna

Não torça o nariz tão rápido, caro leitor. Não se trata de modismos. Daqueles que mudam a cada temporada de forma quase arbitrária. Nesta reportagem especial fomos atrás de diversos especialistas do setor para entender para onde caminha o morar, a arquitetura, a decoração, a construção civil e o mercado imobiliário de Curitiba e do mundo. No epicentro de todos esses movimentos que estão se desenrolando está o bem-estar. Aquele “viver mais e melhor” que as pessoas buscam ao longo da vida.

Todos os profissionais ouvidos por esta reportagem concordam: tal qual o beijo do príncipe na Branca de Neve, a pandemia da Covid-19 foi um ponto de despertar do ser humano que leva a uma série de reavaliações. Minha casa me satisfaz? Quem sou eu? O que quero daqui para frente? O que é importante para mim? Tenho aproveitado meu tempo com sabedoria? Todas essas preocupações foram novamente trazidas para o centro do ringue e norteiam todas as nossas buscas por casas melhores e mais agradáveis, soluções adequadas de morar, edifícios sustentáveis, materiais mais inteligentes, relações mais verdadeiras e duradouras.

Siga a HAUS no Instagram

“Saúde não se faz apenas dentro de hospitais ou consultórios. A saúde, que hoje a gente entende como o bem-estar biopsicossocial, começa em casa e é tempo gasto com qualidade. E a forma como se gasta esse tempo é com liberdade. Por exemplo, quase ninguém mais tem tempo de passar uma semana em um spa. Mas todo mundo pode se permitir ficar 30 minutos por dia descansando no ofurô e vendo o pôr do sol. Ou fazer yoga em uma sala de meditação com uma vista mais inspiradora para a cidade”, desmistifica a médica Andressa Gulin, que também é diretora de estratégia e inovação da AG7. Em resumo: as pessoas querem saber se em suas micro-atividades do dia a dia elas estão fazendo bem a alguma coisa, a alguém ou se fazendo bem.

Laguna revela com exclusividade projeto Bioos, no Centro Cívico: uma torre com consultórios e escritórios, e outra torre ao lado para moradores 60+.
Laguna revela com exclusividade projeto Bioos, no Centro Cívico: uma torre com consultórios e escritórios, e outra torre ao lado para moradores 60+.| Divulgação/Laguna

Por isso, as construtoras e incorporadoras estão focadas em como induzir comportamentos que levem ao equilíbrio biopsicossocial dos moradores a partir do espaço onde vivem (veja o infográfico logo abaixo). É o que os estudiosos chamam de design ativo, que são como pequenos empurrõezinhos de encorajamento para tomar atitudes diferentes das usuais que você tomaria. “O lugar da escada, por exemplo, a forma como ela está colocada perto do elevador, a cor que ela tem, se tem música ambiente ou não. Tudo isso vai te influenciar a pegar a escada. Fazendo uma matemática básica, usar mais a escada, então, garante que você vá perder alguns quilos e, em 10 anos, irá evitar doenças cardiovasculares”, exemplifica Andressa.

O que se percebe é que escolher uma moradia somente por suas características de localização e metragem não importa mais. João Alfredo Thomé, diretor da GT Building, defende esse ponto de vista. “Hoje, o comprador procura um empreendimento que supra as suas necessidades sem exagero, diferente de anos atrás onde durante a vida o objetivo era a cada nova moradia comprar um imóvel maior. A busca atual é pela qualidade de vida, projetos ousados, com espaços racionais, com muito conceito, tecnologia, inovação e sustentabilidade embarcados. Vemos o aumento da busca por uma moradia que tenha relação com o seu estilo de vida”, avalia Thomé.

Isso também é um resultado da mudança de geração que impacta todo produto, e com o mercado imobiliário não é diferente. “As pessoas se deram conta de que passam a maior parte do tempo em ambientes fechados, seja em casa ou no escritório. E com essa nova geração, as pessoas buscam morar com qualidade e propósito, mais do que simplesmente morar”, finaliza André Marin, diretor de incorporação da Laguna.

O que observar para ter uma vida melhor

Existem diversas rodas de bem-estar. A mais comum, porém, tem sete dimensões interconectadas que sustentam o equilíbrio e a harmonia pessoal. O esquema a seguir é do Centro de Estudos de Bem-Estar da Universidade de Nevada, nos Estados Unidos.

Ocupacional

Aqui entram a sua carreira, os seus estudos, interesses e habilidades. Vale pensar na sua profissão não apenas como função que desempenha no trabalho, das 8h às 18h, mas como você se manifesta na sociedade, seja como mãe, filha, voluntário em alguma ONG, ativo em alguma comunidade específica.

Espiritual

Este elemento diz respeito a momentos de contemplação, valores, intuição, caráter, ética, plenitude e tradições espirituais.

Intelectual

Como você administra o seu tempo? Estabelecer metas flexíveis de curto, médio e longo prazo ajuda, caso você tenha dificuldade de se organizar.

Físico

Esse é um pilar importante, pois engloba atividade física, alimentação e qualidade do sono.

Emocional

A redução de estresse é a maior fatia deste componente, que também compreende relações afetivas, e como você lida com alegrias e dificuldades da vida.

Ambiental

Você tem contato suficiente com a natureza na sua casa, no seu bairro ou na sua cidade? É basicamente como você se relaciona com o ar, a terra, as plantas e a água, e o que você faz para cuidar desses recursos, como separação do lixo e preferir construções com impactos ambientais menores.

Social

Observe como anda sua vida social, suas relações com amigos e familiares, sua comunicação e seu envolvimento em atividades culturais e recreativas.

No AGE 360, da AG7 foram pensados espaços como sala de <em>mindfulness</em>, espaço <em>wellness</em> e sala da criatividade.
No AGE 360, da AG7 foram pensados espaços como sala de mindfulness, espaço wellness e sala da criatividade.| Divulgação/AG7

Infraestrutura para serviços on demand

Uma mudança significativa que está acontecendo é a migração dos serviços tradicionais para o formato on demand, em que os profissionais vêm até você e o seu apartamento em horários combinados. Mas nem sempre a pessoa quer ter a privacidade perturbada.

“Por que não ter um espaço de salão de beleza, sala de reunião, sala de aula para professores de idiomas, consultório para receber um médico, biblioteca para estudos, sala de criatividade para fazer trabalhos da faculdade? Esses espaços não geram custo para o condomínio e são apenas uma infraestrutura que adianta essa tendência, que vai abraçando as novas necessidades das pessoas. Pode parecer pequeno, mas é uma revolução”, sentencia a médica e diretora de estratégia e inovação da AG7, Andressa Gulin.

Edifício Ícaro, da AG7, traz o conceito de casa suspensa.
Edifício Ícaro, da AG7, traz o conceito de casa suspensa.| Divulgação/AG7

Edifícios autorais

Está chegando o fim da era dos apartamentos standartizados. E começa a surgir cada vez mais a arquitetura de pertinência. “Vejo um futuro brilhante nisso. Estamos tendo espaço, clientes e um mercado que aceita experimentar, fazer arquitetura de qualidade, autoral, regional. A cidade tem pessoas talentosíssimas para isso”, explica o arquiteto Lucas Issey, cofundador da Y Arquitetos, responsável por diversos projetos disruptivos na cidade. “Vale lembrar que autoralidade não vem do arquiteto, mas a quem ele serve. A originalidade dos clientes é que vai impulsionar uma arquitetura original. Quando nossos clientes são indivíduos únicos e específicos é que se gera uma arquitetura única e específica.”

Graal da engenharia está cada vez mais perto

Em geral, no Brasil, as pessoas consideram a madeira um material periférico, pobre, de pouca qualidade, quando se trata de assumir papel estrutural. Mas isso não passa de preconceito, afirmam os especialistas. Países mais desenvolvidos, como o Canadá e a Alemanha, por exemplo, adotam a madeira como material há muitos anos e atualmente constroem edifícios de vários andares com ela. Devido à tecnologia empregada, a madeira adquire uma resistência mecânica semelhante e até superior ao concreto armado. Por isso, é considerado o material do futuro.

Tanto que, em Curitiba, o diretor de engenharia da Laguna, Fábio Giamundo, confidencia para a reportagem que a construtora já iniciou alguns estudos sobre a viabilidade da madeira engenheirada. “A madeira tem um desempenho indiscutível”, destaca Giamundo. “As limitações são o custo elevado e a cadeia de mão de obra e fornecedores, que ainda é escassa”, frisa o engenheiro, referindo-se ao fato de que ainda há poucos engenheiros, poucas fábricas e poucas construtoras que lidam com o material.

O prédio de quatro andares da loja de chocolates brasileiros Dengo foi inaugurado este ano e é o primeiro do país construído com madeira engenheirada. O projeto é dos arquitetos Mateus Farah e Manoel Maia, com a Amata.
O prédio de quatro andares da loja de chocolates brasileiros Dengo foi inaugurado este ano e é o primeiro do país construído com madeira engenheirada. O projeto é dos arquitetos Mateus Farah e Manoel Maia, com a Amata.| Pedro Kok

Mas, afinal, o que é essa madeira tão diferente? O engenheiro civil e arquiteto Gabriel Ruiz de Oliveira, que leciona na FAE e na Uniandrade e que é um grande estudioso do material, explica que a madeira engenheirada, também chamada de CLT (madeira laminada cruzada, da expressão em inglês), são pequenas ripas de madeira com cerca de uma polegada de espessura coladas com resina a alta pressão em camadas de 3, 5 ou 7 partes. “Da forma que é construída ganha uma qualidade muito superior à madeira convencional, porque você tem um controle bem maior sobre o tipo de produto que vai usar, evitando peças com defeitos, vazios ou partes podres”, destaca Ruiz.

Além disso, engenheiros e arquitetos se derretem pela madeira engenheirada porque o material torna a construção mais ágil. Com a CLT, por exemplo, a obra dura um terço do tempo de uma obra convencional de concreto e alvenaria. Isso acontece, como elucida Ruiz, em razão de grande parte do trabalho ser feito antes e fora do canteiro. “As peças chegam prontas, já furadas, daí é só montar com os encaixes metálicos”, diz o especialista.

Llum, da Laguna, que fica no bairro do Batel, foi eleito o edifício mais sustentável do mundo.
Llum, da Laguna, que fica no bairro do Batel, foi eleito o edifício mais sustentável do mundo.| Divulgação/Laguna

Flexibilidade espacial

O livro de arquitetura para crianças “Pela casa se conhece o dono”, de Didier Cornille, oferece uma boa lição do momento em que a arquitetura se encontra. A autora cita o primeiro exemplo de casa moderna, a Casa Schröder, de Gerrit Rietveld, de 1924, e como ela ensina a flexibilidade espacial, onde os ambientes se integram ou se compartimentam conforme a necessidade do momento.

“Talvez essa seja a lição moderna que ainda não aprendemos e minha aposta para o futuro da arquitetura. Uma lição que vem em suas origens das casas japonesas”, resume a arquiteta Thais Saboia Martins, sócia-fundadora do escritório Sabóia+Ruiz Arquitetos e professora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), com a experiência de quem trabalhou com o renomado arquiteto espanhol Josep Maria Botey e lecionou na University College Cork, na Irlanda.

Como dizia Lina Bo Bardi, a arquitetura responde às necessidades de seu tempo, e agora durante os confinamentos da pandemia, as pessoas precisaram adaptar seus espaços, e as casas se transformaram em escolas, restaurantes, academias. “As pessoas querem um lar que atenda às necessidades específicas da sua família naquele momento e que possa ser adaptado para alterações físicas pela transformação da família, seja pelo aumento ou diminuição dos moradores”, reforça João Alfredo Thomé, diretor da GT Building.

“Ao se voltar para dentro da moradia com um novo olhar, a casa virou multifuncional. Com portas de correr, por exemplo, é muito fácil transformar e esconder os novos espaços. E quem não adotou isso, mudou para apartamentos maiores, ou de apartamentos para casas, ou de casas para casas de campo”, conta a arquiteta Viviane Loyola.

A flexibilidade espacial é uma demanda para que o lar possa atender às necessidades naquele momento, mas para que também possa ser adaptado.
A flexibilidade espacial é uma demanda para que o lar possa atender às necessidades naquele momento, mas para que também possa ser adaptado.| Casa Schröder/Reprodução

Sustentabilidade real

O Fórum Econômico Mundial, que reúne as mentes mais brilhantes de todo o mundo em Davos, na Suíça, desde 1971, lançou em 2020 um projeto ousado que sugere frear o capitalismo nos moldes que ele existe hoje e recriar as bases da economia, com foco em relações mais justas e sustentáveis. O projeto foi batizado de "The Great Reset" (O Grande Recomeço, em tradução livre) e foi lançado pelo Príncipe Charles com o economista Klaus Schwab, criador do fórum. A iniciativa recebeu apoio dos maiores gigantes do mundo, como Amazon, Apple, Microsoft, British Pretoleum, Mastercard, FMI, ONU, Comissão Europeia, entre outros, e já está em curso por meio de diversas frentes de ações conjuntas.

“Um dos maiores problemas hoje é a questão do lixo”, alerta a business designer Glaucia Binda, que atua há mais de 22 anos no mercado de decoração e design, estudando macrotendências do consumidor e outros temas relacionados. Segundo uma média aproximada, Curitiba hoje produz 1,5 toneladas de lixo por dia. “É um erro de projeto, um erro de design. Tudo precisa ser repensado. Quanto tempo a gente acha que o planeta vai aguentar? A gente mora em um endereço só, que é o planeta Terra. E essas grandes mentes em Davos finalmente se deram conta disso”, conclui a especialista. Isso mostra como cada vez mais a arquitetura, a engenharia e o design precisam estar abertos para novas práticas e novas experimentações, que são a base para um mundo mais sustentável de verdade.

Portas de correr foram uma das soluções encontradas para deixar a casa mais multifuncional no projeto de Viviane Loyola.
Portas de correr foram uma das soluções encontradas para deixar a casa mais multifuncional no projeto de Viviane Loyola.| Divulgação/Viviane Loyola

Saber quem é você e do que você gosta

Um comportamento que vai mudar a cara da arquitetura por aqui e pelo resto do mundo acontecerá quando as pessoas finalmente perceberem e assumirem quem elas realmente são e o que elas desejam. “Nós não sabemos quem somos. Se uma cliente me pede uma copa para seis pessoas, uma sala de jantar para oito e um espaço gourmet para 16, eu penso: ou essa pessoa gosta muito de comida ou ela não sabe como gosta de comer”, brinca Issey. “As pessoas precisam saber seus próprios costumes e preferências. Isso muda tudo.”

Biofilia

Pelo mundo todo ofuscar a fronteira entre dentro e fora está na pauta do dia. Os teóricos chamam de biofilia, um termo que trata da nossa paixão pela natureza. E existe uma razão clara para isso: as pessoas se sentem melhor quando em ambientes naturais e as plantas servem como uma boa fonte de conforto psicológico. Como destaca a arquiteta Viviane Loyola, as pessoas voltaram a querer plantas nas varandas, a ter pequenos espaços de descompressão em casa.

E isso vai até mesmo na origem de empreendimentos imobiliários. No caso do Pinah, da Laguna, por exemplo, como conta André Marin, diretor de incorporação da empresa, enquanto outras construtoras veriam como empecilho um terreno com araucárias, eles viram oportunidade de criar um bosque único com 13 árvores típicas da região e valorizar ainda mais o local. “Todo o conceito do edifício surgiu desse bosque de mil metros quadrados”, exemplifica Marin.

A biofilia deve ser cada vez mais presente em áreas comuns. Projeto do empreendimento Vazz, da Laguna.
A biofilia deve ser cada vez mais presente em áreas comuns. Projeto do empreendimento Vazz, da Laguna.| Divulgação/GT Building

Essencialismo

No interior das casas, tudo aponta para o que tem se chamado de essencialismo. Não mais aquela montoeira de objetos. No lugar, poucas peças, mas itens que são especiais para você e dos quais você não vive sem. “Não é o minimalismo, mas é privilegiar coisas mais bem pensadas”, aposta a business designer Glaucia Binda. André Marin, diretor de incorporações da Laguna, concorda. “Vejo cada vez mais as pessoas darem valor para o que realmente precisam, e uma decoração mais clean, sem acúmulo de coisas, fácil de limpar e de manter.”

Metodologia é chave para sustentabilidade

Você já deve ter ouvido falar do método BIM. Apesar de bastante comentado, ele é ainda pouco utilizado. Mas quem usa jura de pé junto que vale a pena, pois ele garante uma otimização precisa de todas as etapas do projeto, da execução e da assistência ao pós-entrega. Trata-se de uma metodologia, uma forma de projetar a partir de uma plataforma com diversos softwares diferentes e integrados.

O projeto de Gui Paoliell usa a taipa de pilão feita a partir de terra e barro; material tem sido usado para construções inteligente e conscientes.
O projeto de Gui Paoliell usa a taipa de pilão feita a partir de terra e barro; material tem sido usado para construções inteligente e conscientes.| Manuel Sá

Taipa de pilão

Esse é outro material que começa a despontar no horizonte da arquitetura. Novamente. Um material vernacular – a partir de terra e barro do próprio local – bastante conhecido pela humanidade há séculos, mas que foi refinado pela tecnologia atual e é perfeito para gerar construções inteligentes e conscientes. “A taipa tem diversos pontos positivos. Ela facilita a logística de obra, tem inércia térmica que mantém conforto térmico sempre, é de uma escala que não é megalomaníaca. É a cara do Brasil”, relata o arquiteto Lucas Issey, cofundador da Y Arquitetos.

Flower power

Futuro do design de interiores aponta na direção da liberdade e criatividade, com uso de cores potentes; tendência foi antecipada na coleção Primavera/Verão da Dolce  & Gabanna.
Futuro do design de interiores aponta na direção da liberdade e criatividade, com uso de cores potentes; tendência foi antecipada na coleção Primavera/Verão da Dolce & Gabanna.| Divulgação/Dolce & Gabanna

Depois de tudo o que a humanidade passou, de tanto medo, cuidado, dor e clausura, o futuro do design de interiores aponta para uma explosão de liberdade, com muita cor, cores potentes, formas orgânicas, fluidas e psicodélicas, de acordo com a business designer Glaucia Binda, que estuda macrotendências do consumidor e outros temas relacionados. “No Brasil, em decorrência das eleições de 2022, isso vai demorar mais para acontecer. Mas no resto do mundo a gente já começa a ver isso, quase como se fosse uma nova onda hippie, que eu chamo de flower power”, aponta. Se for para apostar em uma cor, a especialista aponta o verde. “Não quer dizer que tudo vai ser verde, mas alguns elementos, revestimentos e acabamentos já estão em destaque nessa tonalidade desde o ano passado”, afirma Glaucia.

Certificação é reconhecimento de qualidade

Baseado no princípio do bem-estar, as pessoas procuram casas e apartamentos que garantam uma vida mais saudável e o menor impacto ambiental possível, sem falar da responsabilidade social. Então, as certificações surgem como chancelas que provam que determinada construção cumpriu todos os requisitos para poder se intitular ecologicamente amigável. É o caso da Laguna com a certificação WELL.

“Ela coloca o ser humano no centro, em vez de fazer simplesmente uma construção. Você faz a construção para gerar impacto positivo no ambiente e nas pessoas”, pontua o engenheiro civil Fábio Giamundo, que encabeça o departamento de engenharia da Laguna, construtora com o maior número de empreendimentos certificados do Sul do país, entre os selos LEED, GBC e WELL. No Brasil, a empresa é a primeira a ter um edifício com o carimbo WELL.

Esse selo especificamente mede diversos elementos da construção, como uso racional de energia e baixa produção de resíduos durante a construção; conforto térmico para não sentir frio ou calor em excesso; conforto acústico para não ficar escutando os vizinhos; qualidade do ar, que impacta diretamente no sono e, portanto, no rendimento do trabalho e no cansaço; qualidade da água, que é toda filtrada, até no chuveiro; qualidade da iluminação natural, entre outros, como elenca André Marin, diretor de incorporação da Laguna.

Na arquitetura em módulos, a proposta é uma residência não monolítica.
Na arquitetura em módulos, a proposta é uma residência não monolítica.| Divulgação/YArquitetos

Arquitetura em módulos

Quando se fala de casas, a solução de uma residência não monolítica, mas em módulos espalhados pelo terreno, criando um pátio central e uma promenade interessante em permanente contato com a natureza, é cada vez mais comum, inclusive em Curitiba. “Onde você vê módulos, eu chamo de ritmo. Em que a repetição de elementos configura algo melhor. É um refinamento que vem da arquitetura universal clássica para compor ritmo no caminhar e oferecer mais oportunidade de degustação do espaço pelo usuário”, ensina o arquiteto Lucas Issey, cofundador da Y Arquitetos. “E muito disso acontece porque a arquitetura tropical é um ato de construir a sombra”, afirma Issey, parafraseando uma máxima do arquiteto curitibano Gustavo Utrabo, que hoje é um dos grandes nomes da arquitetura brasileira.

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]