Brasileira cria projeto para que mulheres construam suas próprias casas

Moradia pensada para zona rural de Uganda ganhou o prêmio alemão 'Beyond Bauhaus - Prototyping the Future' e pode ser replicada em áreas de zonas climáticas similares

Jajja Nonnono Imaculate, de 75 anos, é a primeira beneficiada com o projeto, que agora busca investimento por financiamento coletivo para viabilizar a obra. Foto: Mariana Montag/Divulgação

por Gazeta do Povo

01/07/2019

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A arquiteta Mariana Montag, recém-formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, criou uma casa que foi inteiramente projetada para ser construída por e para mulheres da zona rural de Uganda. Tudo foi pensado tendo em foco as necessidades e possibilidades das mulheres mais idosas, que, na maioria dos casos, são os arrimos de família na região.

Batizado de Casa de Jajja — avó, no idioma luganda, um dos falados no país africano –, o projeto é um dos 20 de todo o mundo que acaba de receber o prêmio alemão Beyond Bauhaus – Prototyping the Future’, que comemora o centenário da escola alemã e se debruça a reconhecer iniciativas de design e inovação voltada para inclusão social.

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Imagem: Mariana Montag/Divulgação

A primeira moradia foi concebida para Jajja Nonnono Imaculate, 75 anos, e suas duas netas, Rose, 14, e Gift, 6. Ela prevê o uso de materiais obtidos a no máximo um quilômetro do local de construção, o vilarejo de Kikajjo, que fica a 16 quilômetros de Kampala, capital do país.

Para viabilizar a obra, que inclui a compra do terreno e a construção da casa, Mariana criou uma campanha de financiamento coletivo para arrecadar R$ 60 mil. As doações podem ser feitas até 18 de julho.

Imagem: Mariana Montag/Divulgação

A intenção do projeto, porém, vai além da casa de Jajja Nonnono Imaculate. O desejo é tornar as mulheres de zonas rurais mais autônomas por meio de casas que elas mesmo possam construir.

O modelo de casa concebido pode ser replicado em outras áreas rurais do mundo de zonas climáticas similares. Os ambientes da casa foram organizados sob uma cobertura independente, um telhado de treliça que capta a água da chuva e que impactaria na renda da casa.

O fechamento dos dormitórios é feito com tijolos de adobe, a cozinha horizontal fica na parte central e pode ser separada da sala por meio de painéis pivotantes, que permitem que a casa fique totalmente aberta, entreaberta ou totalmente fechada, incentivando a relação interior/exterior.

Imagem: Mariana Montag/Divulgação

A longo prazo, outra intenção de Mariana é que o projeto desoprima o corpo da mulher na construção civil, que só pensa no corpo do homem por meio do homem. Segundo a arquiteta, quem cuida do lar é a mulher. Então se ela cuida, porque ela não pensa o lar?

Jajja Nonnono Imaculate e suas duas netas, Rose e Gift, segurando a maquete da casa. Foto: Mariana Montag/Divulgação

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