PUBLICIDADE

Patrimônio da Humanidade, Cartagena corre risco por avanço imobiliário

Construção de complexo habitacional de quatro torres no centro histórico da cidade colombiana foi suspensa por acabar com paisagem urbana tombada a nível internacional

Foto: reprodução/Pinterest

por Luan Galani

12/03/2018

A Colômbia acaba de receber um ultimato da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco): o país latino-americano deve tomar providências para restaurar a paisagem original tombada do centro histórico de Cartagena das Índias ou ver a cidade perder o título de Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade, que ostenta desde 1984.

O pivô da bronca é a construção do complexo de habitação social Aquarela, com 4 torres, para 950 famílias, que, mesmo com uma única torre pronta, alterou drasticamente o conjunto tombado, que engloba o porto, a fortaleza de San Felipe e o restante do centro histórico.

Segundo nota de Patricia Galindo Salim, diretora executiva do Conselho Gremial de Bolívar, entidade responsável pela aprovação de construções na cidade, a “situação é delicada e consequência da falta de atenção das autoridades nacionais e territoriais, que não atuaram como ordenam os princípios de planejamento e legalidade da Constituição da Colômbia”.

Por terem autorizado a obra e concedido todas as licenças de maneira equivocada, por meio de uma ação pública, o empreendimento foi embargado e sua construção paralisada por ordem da Justiça. A intenção de Salim é de esclarecer todas as normas para evitar situações similares no futuro, que possam debilitar a proteção patrimonial e o interesse de empresários e compradores da construção civil no centro histórico.

Opinião divergente

De acordo com uma das construtoras responsáveis pelo empreendimento, a Promotora Calle 47 S.A.S., o projeto não põe em risco a permanência da cidade na lista de Patrimônio da Humanidade da Unesco. “A permanência da cidade na lista implica um trâmite legal composto de várias etapas, e está relacionada ao estado de conservação atual do porto, das fortificações e de seus outros monumentos, e não de projetos imobiliários que surgem cumprindo com as normas vigentes”, protesta por meio de nota a empresa para o jornal local El Universal.

A Associação de Coproprietários do Edifício Aquarela veio a público pedir para que a construção volte a ser autorizada. “É uma injustiça o que o Ministério da Cultura está fazendo com nosso desenvolvimento e com nosso direito a uma habitação digna”, afirma em vídeo o presidente do grupo, Gastón Gaitán. “Mais do que os recursos, são os nossos sonhos de ter a própria casa que estão em jogo, por negligência do estado”

A Prefeitura de Cartagena informa que irá rever os projetos em sua câmara técnica de patrimônio histórico e cultural. Ao todo, licenças de 151 projetos serão revistos. Mas as autoridades não sabem o que fazer com a torre que já foi levantada e que abrigaria famílias de outras edificações que estão a ponto de colapsar. O próximo passo seria a demolição da edificação.

LEIA MAIS

PUBLICIDADE