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Entrada da SFco 179: portão laranja em uma casa azul.
Atrás do portão laranja se “esconde”um refúgio urbano, onde o único barulho são os sinos da catedral de Curitiba.| Foto: Leticia Akemi/Gazeta do Povo

No início dos anos 2010, a Rua São Francisco, um dos marcos do centro histórico de Curitiba, vivia seu auge. Após uma revitalização completa e a chegada de diversos empresários que viram nas poucas quadras potencial para ocupação da região, a rua fervilhou e se transformou em point cultural. Outro marco foi a construção da Praça de Bolso do Ciclista em um pequeno terreno de 100 m2 no final da rua, ação coordenada na época por ativistas da Cicloiguaçu e interessados da sociedade civil.

Com a reocupação, uma recaída da rua parecia improvável. A partir de 2016, porém, ameaças de traficantes que atuavam no local geraram conflitos com empresários - alguns inclusive tiveram seus estabelecimentos depredados . E, aos poucos, o logradouro se esvaziou novamente. Agora, um novo grupo criou o que eles definem como um “projeto de regeneração”,  a SFco 179, um refúgio urbano localizado no prédio onde foi o ateliê e casa do escultor Ricardo Tod, o criador da Fonte da Memória, mais conhecido como o “Cavalo Babão”, no centro do Largo da Ordem.

| Leticia Akemi

O imóvel, que foi uma ferraria no século XIX e já foi sede da Guairacá Cultural e de um teatro, agora abriga o multiespaço. Quem interfona no portão alaranjado e adentra o local esquece que está em pleno centro da cidade: é possível admirar a construção histórica enquanto se toma um café, ou vinho, embaixo da sombra de uma parreira, que foi plantada pelo próprio Tod.

No espaço estão operações distintas, como a Tijolo CWB (vinho e gastronomia), o café Royalty Coffee, a NØS TEE Factory, de impressão de camisetas, e a Soma Galeria, que trabalha com arte contemporânea e mudou de endereço para somar ao projeto. Ainda esse ano deve ser aberta também uma loja de design da Moca Arquitetura e uma sala para residências artísticas no espaço onde foi o quarto do artista Ricardo Tod.

“É algo simples e sem frescura. Tudo o que sobrou ou que encontramos aqui a gente manteve. Usamos ferro, e resíduos de obras do Ricardo Tod, como a porta de ferro da entrada. Na sala Tijolo, mantivemos um desenho que ele fez à lápis na parede. É um espaço sensacional que estava em desuso. Em pleno centro da cidade e é uma paz só. A única coisa que você escuta é o sino da catedral”, conta Mário Nicolau, um dos fundadores do projeto. “Mas eu me autodenomino síndico da São Francisco 179”, brinca.

Passada a pandemia de coronavírus - ainda em curso - o que obrigou o espaço a se manter fechado operando apenas com delivery ao longo das últimas semanas - a ideia é que a Sfco 179 possa servir também para eventos e lançamentos corporativos. Porém, mantendo a essência de ser um local tranquilo, com uma operação mais diurna do que noturna, fala Nicolau.

“Nos consideramos um espaço de convivência entretenimento e lazer, num lugar legal e seguro. Independente da pandemia e da localização, nunca seremos um espaço para 200 pessoas. Queremos manter essa exclusividade e a sensação de que pessoa possa ficar aqui, trabalhar, ter entretenimento e ficar longe do fluxo da rua”, salienta.

Ocupar e ocupar 

Diretora e produtora-executiva da Soma Galeria, que se dedica à arte contemporânea, Malu Meyer mudou a sede física da Soma para a SFco 179 impulsionada principalmente pela amplitude do projeto. “Instiga-me estar ocupando o centro. A rua é maravilhosa e acredito que é uma forma de contribuir com a cena cultural da cidade, e de certa forma facilitar o acesso. Precisamos de pessoas nesse centro, ocupando os imóveis do entorno”, fala.

O espaço interno da Soma.
O espaço interno da Soma.

Segundo ela e Nicolau, o refúgio urbano não é apenas uma iniciativa comercial; eles estão em contatos com órgãos públicos, prefeitura e outras entidades para que possam compor a ideia junto ao governo. “É um projeto de regeneração que acreditamos para a rua e estamos, como pessoas físicas e empreendedores, fazendo na raça”, frisa Nicolau.

Serviço: 

As operações da Sfco 179 funcionam de terça a domingo das 10h às 22h mas podem ser alteradas (cheque antecipadamente no Instagram @sfco179 e @Tijolo.cwb). O portão está sempre fechado e é só interfonar para ser atendido. O espaço é Pet Friendly, conta com local para estacionar bicicletas e tem convênio com estacionamentos próximos. O local segue as regras dos decretos municipais em decorrência da pandemia de Covid-19 e opera apenas por delivery enquanto essas regras estiverem vigentes.

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