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O projeto reforça a conexão entre espaços interior e exterior.
O projeto reforça a conexão entre espaços interior e exterior.| Foto: Valentino Gareri/Divulgação

Imagine uma escola amplamente integrada à natureza, com espaços conjugados entre o interior e o exterior, além de salas de aula que se pareçam com uma casa na árvore. É o que vem propondo o arquiteto italiano Valentino Gareri. Tocado pelo clima de incertezas que assolou os centros de ensino de todo o mundo durante a pandemia, Gareri chegou a um modelo escolar que considera ideal.

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Chamado de Tree-House School, o projeto do arquiteto traz um modelo sustentável e modular, combinando diferentes edifícios educacionais. A ideia é que jardim de infância, Ensinos Fundamental e Médio se encontrem no mesmo ambiente, mas mantendo sua independência.

Concebida como uma casa na árvore, a construção fica distribuída em vários níveis, com espaços interiores e exteriores combinados, permitindo grande flexibilidade para as atividades educativas. A ideia principal é criar uma escola suspensa e imersa na natureza, fazendo com que a relação com o espaço verde seja aumentada não só física, mas também visivelmente.

Nas salas de aula, a relação com o exterior é aumentada
Nas salas de aula, a relação com o exterior é aumentada| Valentino Gareri/Divulgação

Para isso, todos os espaços são encaixados em dois anéis, com dois pátios e uma cobertura utilizável. Cada módulo tem 55 metros quadrados e recebe a configuração para abrigar uma sala de aula com até 25 estudantes. Feitos de madeira laminada colada, os módulos são dispostos em círculos e interligados ao pátio e à paisagem externa. O perímetro circular apresenta painéis opacos que ajudam a bloquear a luz solar direta, enquanto um conjunto de painéis transparentes difunde a luz e oferece vistas desobstruídas.

A proposta de Valentino Gareri ainda inclui a ideia de autossuficiência para o complexo. Com diversos dispositivos para economia de energia, o edifício traz coletores de água de chuva, painéis fotovoltaicos e turbinas eólicas no telhado mais alto. Com isso, o arquiteto busca trazer a ideia de sustentabilidade na prática para crianças e adolescentes no período educacional.

A escola é distribuída em várias camadas, sendo também aproveitadas as coberturas, o que permite flexibilidade para atividades educacionais.
A escola é distribuída em várias camadas, sendo também aproveitadas as coberturas, o que permite flexibilidade para atividades educacionais.| Valentino Gareri/Divulgação

Por conta do conceito de modularidade, o projeto também permite que diferentes necessidades sejam atendidas no mesmo edifício. Por exemplo, um centro médico temporário para emergências ou até mesmo residências temporárias poderiam ter seu espaço.

Feito com materiais naturais e técnicas construtivas de baixo custo, o projeto é visto como flexível e adaptável, o que poderia trazer benefícios à comunidade e, a partir daí, até mesmo a requalificação de áreas periféricas.

Reflexão sobre as cidades

O professor do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da USP, Miguel Antonio Buzzar, salienta que incentivar o uso de espaços abertos não é exatamente inédito no contexto escolar. Segundo ele, a ideia de ambientes que permitam uma grande circulação do ar e tenham boa salubridade está presente em outros momentos da história da arquitetura.

“Já existiu anteriormente um movimento open air school, que incentivava que escolas tivessem grandes aberturas. Na época, o objetivo era evitar a proliferação da tuberculose”, diz. Segundo Buzzar, o que Valentino Gareri propõe pode ser visto como uma nova proposta para movimentos desse tipo.

O professor cita, ainda, o que considera ser o ponto mais importante do projeto do italiano: permitir a reflexão sobre qual é o tipo de cidade que teremos no pós-pandemia. “A escola pode até satisfazer a questão da salubridade, mas e se depois o aluno vai para um transporte coletivo abarrotado e um conjunto habitacional de espaço exíguo?”, questiona.

Para Buzzar, a ilustração apresentada por Gareri precisa ser pensada junto a todas as condições das grandes estruturas urbanas, o que vai desde os meios de transporte até eventos culturais. “Pensar a escola como um dispositivo de transformação exige um pensamento maior de conjunto, pois, sozinha, a proposta não tem essa capacidade de transformação”, garante.

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