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Foto: Brandon Shigeta
Foto: Brandon Shigeta| Foto:

Quem passa por umas das poucas ruas do pacato bairro de Brookside, em Los Angeles, não imagina o que se esconde por trás de um enorme portão em aço corten. A paisagem bucólica e o riacho natural – brook, que dá nome ao distrito – emolduram um projeto visionário do arquiteto Dan Brunn, 41 anos, de origem israelense. Bridge House, como o próprio nome diz, é uma casa suspensa sobre um córrego localizado nos arredores do Hancock Park.

A residência, que fica em uma propriedade de 418 m², é um exemplo de como é possível empregar sistemas e processos inovadores sem deixar de lado a estética e a funcionalidade. E ainda preservar a natureza. “A ideia principal era dar vida a uma obra extraordinária utilizando recursos comuns”, explica o arquiteto que também é o feliz proprietário do imóvel, o primeira do gênero em Los Angeles.

Foto: Brandon Shigeta
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E por que uma casa que fosse aos mesmo tempo uma ponte? “Essa é uma pergunta frequente”, responde ele, que em 2005 abriu seu escritório de arquitetura na cidade. “Tudo aconteceu por acaso. Eu já vivia no bairro e meu vizinho de frente resolveu me convidar para conhecer seu jardim. A grande surpresa foi que o espaço externo dele, que eu presumia ser igual ao meu, era muito maior e ainda tinha um riacho”, lembra o arquiteto que há cinco anos comprou um terreno com as mesmas características.

O plano inicial era simplesmente fazer uma reforma. Um projeto que não duraria mais que alguns meses. A descoberta de que as estruturas estavam comprometidas, no entanto, fez com que Brunn decidisse por uma nova obra. “A inspiração para o projeto veio depois de uma viagem à Newport, no estado de Rhode Island, após visitar o The Breakers, o palácio da família dos Vanderbilt, localizado na Ochre Point Avenue”, conta o israelense, que se baseou no desenho do pátio da edifício do século 19 para conceber a Bridge House.

Foto: Brandon Shigeta
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Obra inovadora e sustentável

A construção da casa-ponte valoriza sistemas inovadores e de baixo impacto ambiental, e ainda privilegia as bases da arquitetura sustentável. “Optamos pelo uso de uma estrutura metálica – Bone Structure -, um sistema de vigas confeccionadas em aço galvanizado que podem ser montadas por meio de encaixe e fixadas por aparafusamento”, conta. “O uso desse material é totalmente calculado, ou seja, não se utiliza mais do que o necessário. Sem falar que o aço usado é feito de 89% do mesmo material reciclado”, completa.

Foto: Brandon Shigeta
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O controle da temperatura dos ambientes e a preocupação em relação à economia de energia elétrica determinaram a instalação de janelas e portas-janelas com isolamento termoacústico. Outro elemento fundamental para que a obra se encaixasse na categoria das edificações sustentáveis foi a definição da planta. “A casa se estende por 64 metros, dos quais 20 metros passam sobre o riacho, em direção ao Norte. De largura, temos só 7 metros, o que facilita a total exposição à luz natural e a redução de consumo de energia elétrica”, revela o arquiteto, que instalou claraboias nos corredores para incrementar a ventilação e uma série de painéis solares fotovoltaicos no teto. “Há também um sistema de distribuição hídrica que fornece água de ótima qualidade e filtrada”, detalha.

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A harmonia entre os espaços externos e internos é completa. A vegetação complementa a estética minimalista adotada por Dan Brunn para a residência. Os ambientes comuns se comunicam com fluidez. Na sala de estar, com peças de design contemporâneo, em tons que vão do bege ao preto, desponta um jardim vertical que contribui para purificar o ar, além de estabelecer uma conexão com a paisagem externa. A cozinha planejada, que o arquiteto considera o coração do imóvel, se abre para a sala de jantar por meio de uma entrada discreta. Móveis em madeira, bancadas em quartzo e uma ilha combinam com as amplas portas envidraçadas de correr que vão do piso ao teto, favorecendo a entrada da luz natural.

Foto: Brandon Shigeta
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Paredes revestidas de madeiras foram usadas para conferir privacidade à sala TV e às suítes principal e de hóspedes. Já nos dois outros quartos – menores e com banheiro compartilhado -, o israelense recorreu a um design clássico, com paredes brancas e acessórios coloridos. A paixão pela música se reflete na decoração do escritório, repleta de guitarras penduradas compostas com a icônica poltrona Charles Eames Conforto.

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Na parte inferior da casa localizam-se uma área de lazer com piscina e um salão com cozinha à vista. “É uma obra que durou três anos para ser finalizada. E o resultado não poderia ter sido melhor”, comemora Dan Brunn, que abrirá as portas da sua Bridge House para abrigar uma mostra durante a badalada feira de arte Frieze Los Angeles, em fevereiro de 2020. Uma ótima oportunidade para atravessar o impenetrável portão em aço corten e descobrir os mistérios naturais desse projeto único.

*Especial para Haus, de Milão.

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