Complexo egípcio de Curitiba vai ganhar novo prédio com muralhas e templo subterrâneo

Sede de língua portuguesa da fraternidade mais antiga do mundo terá duas novas construções no Bacacheri e museu inteiramente dedicado à história de Tutankhamon

Complexo egípcio ganhará mais dois edifícios: um contemporâneo e outro com linguagem egípcia, muralhas de 12 metros e templo subterrâneo. Fotos: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

por Luan Galani

24/04/2019

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Curitiba ficará um pouco mais egípcia a partir de outubro deste ano. O complexo egípcio do Bacacheri, na Rua Nicáragua, que abriga a sede de língua portuguesa da fraternidade mais antiga do mundo, a Antiga e Mística Ordem Rosacruz (Amorc), vai ganhar mais duas construções monumentais.

Uma será um prédio contemporâneo de quatro andares que vai hospedar um museu inédito no Brasil sobre Tutankhamon, e outra será um novo edifício com muralhas de 12 metros e templo subterrâneo, como conta com exclusividade à reportagem de HAUS o grande mestre da jurisdição de língua portuguesa da ordem e especialista em filosofia antiga, Hélio de Moraes e Marques. Ao todo, o complexo, que começou a ser construído em 1956 por uma líder mulher — a carioca Maria Moura –, passará de seis para oito edifícios.

Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

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A sociedade, que um dia já foi secreta para se esconder de duras perseguições e que também remonta aos cavaleiros templários — monges que aprenderam a empunhar espadas para defender Jerusalém –, completa 63 anos de sua presença no Brasil e hoje é uma organização filosófica que busca transmitir para seus membros conhecimentos místicos sobre os grandes mistérios que cercam a existência humana e o universo, a fim de ajudar no desenvolvimento interior de cada um. Hoje somam aproximadamente 30 mil pessoas que participam da ordem.

Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

O prédio a ser levantado inteiramente em linguagem arquitetônica da 17ª dinastia do Antigo Egito será batizado de Espaço Amarniano, em homenagem a cidade egípcia de Tel-el-Amarna, que foi a capital durante o reinado do faraó Aquenáton.

O edifício terá um templo subterrâneo para os rituais e estudos da ordem, e na fachada terá dois pilonos (portas monumentais flanqueadas por duas torres em forma de trapézios, que representam as montanhas através das quais o sol nasce), muralhas de 12 metros e seis colunas papiriformes, que imitam papiros enrolados, outro símbolo sagrado para a arquitetura egípcia. Em sua parte central, o espaço terá uma abertura zenital para entrada da luz do sol. Confira a primeira imagem do projeto logo abaixo.

Imagem: Amorc/Divulgação

“O templo original que ainda existe na capital do Antigo Egito foi construído em adobe, um tipo de tijolo mais sensível às intempéries, em vez de granito”, esclarece o grande mestre. “Alguns pesquisadores ingleses e franceses estudam o edifício por meio de alguns poucos remanescentes. Não vamos reproduzir, mas faremos uma homenagem a nosso primeiro grande mestre.”

O projeto é assinado pelo arquiteto Mauro César Pereira e ainda está em processo de aprovação pelas instâncias legais na Prefeitura de Curitiba. Ainda não existe data para sua inauguração, mas a intenção da ordem é finalizá-lo até 2020.

Imagem: Amorc/Divulgação

O outro edifício (veja a perspectiva 3D acima) já está em construção e vai seguir uma linha arquitetônica mais contemporânea. Nele será instalado o museu O Rei Menino de Ouro: Tutankhamon, que foi desenvolvido por um dos egiptólogos mais renomados do mundo, Zahi Hawass, e pelos italianos do Laboratório Rosso, responsáveis pelas melhores exposições do mundo sobre Egito, para abordar de forma definitiva a história do faraó menino.

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Imagem: Amorc/Divulgação

Entre as novas peças em exposição no novo museu, estarão réplicas fiéis de algumas peças da tumba do faraó, confeccionadas pelo Conselho de Antiguidades do Egito, no Cairo. Os objetos selecionados estão relacionados ao poder real, associados ao cotidiano, ao divino e à garantia de vida além tumulo.

Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Além do novo museu, que ocupará dois pavimentos, o prédio contemporâneo de quatro andares abrigará também um estúdio, para os cursos de Ensino a Distância da ordem, e um Templo Martinista. De acordo com Hélio de Moraes e Marques, a Tradicional Ordem Martinista é um grupo paralelo, porém administrado pela Amorc. “Eles estudam conhecimentos esotéricos e místicos relacionados ao cristianismo, como a cabala hebraica e as origens do cristianismo primitivo”, diz o grande mestre.

“Em resumo, Saint-Martin defendia que o conhecimento também poderia ser encontrado pela via cardíaca. Isto é: pelo desenvolvimento da sensibilidade e da percepção. Então o novo prédio terá um espaço mais generosos para esses estudos e o templo martinista seguirá a linguagem arquitetônica pós-renascimento, típica do iluminismo francês.”

Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

SERVIÇO:

O bosque Rosacruz e o Museu Egípcio são abertos ao público, de terça a sexta-feira, das 8h às 12 horas, e das 13h às 17h30; no sábado, as instalações funcionam das 10h às 17h; no domingo, das 9h às 12h; em feriados, das 10h às 17h. O ingresso (adulto) sai por R$ 10 e a meia-entrada fica por R$ 5. O complexo fica na Rua Nicarágua, 2.620, no Bacacheri, em Curitiba. Para mais informações, clique aqui ou ligue para (41) 3351-3024.

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