Com microgerador eólico, Curitiba ganha ‘casa mais sustentável do Brasil’

Residência M&L obteve a maior pontuação já registrada pelo a do Brasil selo sustentável Green Building Council Brasil, recebendo o Nível Platinum. Casa conta com geração de energia eólica e fotovoltaica

por Aléxia Saraiva

28/06/2019

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Se, ao imaginar uma casa sustentável, você pensa em uma construção feita de bambus ou em uma casa muito mais cara do que um projeto convencional, aqui vai uma novidade: esse paradigma caiu por terra há tempos. Prova disso é a Residência M&L, casa que recebeu a mais alta pontuação do Brasil pelo Green Building Council (GBC) Brasil Casa, atingindo o Nível Platinamais alto patamar da certificação de referência em construções sustentáveis.


Com projeto arquitetônico de Eloi Bastos, interiores de Gabriela Casagrande e consultoria em sustentabilidade pela empresa Forte Soluções Ambientais, a residência de alto padrão fica em Curitiba e custou de 1% a 3% a mais do que sairia uma ‘casa normal’. E a economia não para por aí: com microgerador de energia eólica e painéis fotovoltaicos, a casa produz muito mais energia do que consome, ‘zerando’ a conta de luz — os moradores pagam apenas a taxa mínima estabelecida pela concessionária de abastecimento.

A casa foi pensada para um casal que ainda pretende aumentar a família. São 330 m² de área construída, divididos em três pavimentos: garagem, áreas compartilhadas e área íntima, com três suítes.

Iluminação natural

Segundo Matheus Forte, engenheiro ambiental responsável pela consultoria em sustentabilidade, a certificação obtida foi resultado de uma integração de fatores. Tudo foi pensado para aumentar a eficiência energética da casa, reduzindo ao máximo o uso da eletricidade.

Um exemplo disso são as janelas. A iluminação natural foi priorizada de forma que a casa não precisa de luzes acesas até às 17 horas em qualquer estação do ano. Para isso, não é só prever o espaço, mas pensar no tamanho das janelas e nos vidros utilizados de forma que não entre claridade de menos nem demais — o que dificultaria o uso da televisão, por exemplo.

Outra redução drástica na conta de energia elétrica veio da ventilação cruzada, um artifício da arquitetura da casa que resfria os ambientes utilizando a ventilação natural em detrimento do uso do ar condicionado. Para os tempos frios, optou-se por instalar um aquecedor por biomassa, sistema que queima combustíveis renováveis sem deixar fumaça. Todo o ar externo que entra na casa passa pelo fogo, que aumenta a temperatura de forma natural e sem deixar o ar seco.

Projeto paisagístico foi prioridade, pensado para ser visto de qualquer janela da casa, integrando os moradores à natureza. Foto: divulgação

Energia solar e eólica geram R$ 350 por mês

O orçamento original previa R$ 38 mil para o ar condicionado, que foram reinvestidos na geração de energia pela própria residência. O telhado da casa tem cerca de 30 m² de painéis fotovoltaicos, que geram o equivalente a R$ 300 em energia elétrica por mês.

Além disso, a casa também é equipada com o microgerador de energia eólica. “A casa fica em uma região alta da cidade, com muito vento, e a gente tinha que explorar isso. Então por que não ter energia eólica?”, conta Forte. “[O gerador é] Esteticamente discreto, abastece duas baterias que dá uma autonomia de dois dias sem luz na casa“.

A energia excedente devolvida à rede gera um crédito aos moradores, que estão há quatro meses sem consumir mais energia do que é produzido. Ao atingir a marca de um ano, a casa vai obter outro selo sustentável: o Zero Energy, que atesta sua autossustentabilidade.

Geradores de energia eólica e solar ocupam 30m² no telhado da casa. Foto: divulgação

Tecnologias na água

O reaproveitamento da água da chuva é outro pilar sustentável do projeto. A residência é equipada com um sistema de filtragem ultravioleta que permite o reaproveitamento em bacias sanitárias, irrigação, máquina de lavar roupas, louças e torneiras externas. Dessa maneira, a água encanada é necessária apenas na pia da cozinha e nos chuveiros. Segundo Forte, esse sistema garante uma redução de 60% no consumo da água.

Forte reforça que os critérios de pontuação do selo GBC Brasil também incluem todo o processo de obra. Por isso, ele ressalta que a integração entre todas as equipes de projeto desde o início foi fundamental para reduzir erros e evitar desperdícios. Além disso, conta que 96% dos resíduos gerados durante os 18 meses de construção da casa foram para reciclagem.

>>> Casa no interior do PR é a primeira do estado com certificação sustentável

Construções verdes no Brasil

Curitiba detém o maior número de residências certificadas pelo GBC Brasil Casa — são 12% do total de projetos. Edifícios residenciais de alto padrão também são incluídos nessa conta. A região também foi a primeira a receber o selo por residências do tipo Minha Casa Minha Vida: o projeto, também com consultoria da Forte Soluções Ambientais, fica no município de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

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