Entenda o que se perdeu no incêndio da Catedral de Notre-Dame em Paris

Construção gótica de 855 anos era o monumento mais visitado da Europa e recebia 12 milhões de pessoas por ano

Vista do outro lado do Rio Sena mostra a fachada da catedral de Notre-Dame em chamas, envolta pela fumaça. Foto: Francois Guillot/AFP

por HAUS*

15/04/2019

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A Catedral de Notre-Dame, que sofreu um incêndio nesta segunda-feira (15), já dava sinais de desgaste há anos. Símbolo da arquitetura gótica medieval e Patrimônio Mundial da Humanidade, a edificação que começou a ser construída em 1163, havia sofrido intervenções e reformas, mas estava em um avançado estado de degradação, denunciado pelos próprios responsáveis pela instituição que a mantinha.

Em 2017, uma fundação foi criada para levantar recursos para uma reforma mais extensa, a Amigos de Notre-Dame, mas a mesma ainda não havia sido iniciada, já que custaria entre 100 e 150 milhões de euros. Uma renovação de menor porte, orçada em 6,8 milhões de dólares (cerca de R$ 26,3 milhões), havia sido iniciada neste ano. Cinco dias atrás, 16 das estátuas que ficavam no topo da catedral haviam sido removidas e enviadas para restauração. No entanto, não se sabe ainda quais das demais peças estavam em exposição ao público quando o incêndio começou nem se alguma delas foi retirada antes que o incidente se agravasse.

Foto: Catedral de Notre-Dame/Divulgação

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Não se sabe ainda a origem do incêndio, mas rumores entre os bombeiros que chegaram à mídia local dão conta de que possivelmente esteja conectado a este processo de renovação. Em um comunicado para a imprensa francesa, o porta-voz da catedral, André Finnot, disse que o fogo tomou toda a igreja e que boa parte da estrutura de madeira já havia sido destruída.

De acordo com o jornal parisiense Paris Match, um dos padres da catedral assegurou a imprensa de que os fragmentos da coroa de espinhos de Jesus Cristo, que estavam guardados no local, estariam a salvo das chamas. A peça segue guardada na catedral de Notre-Dame desde 1896, conservada dentro de um tubo de cristal e de ouro.

De acordo com dados de 2017 do escritório oficial de Turismo da França, Notre-Dame é o monumento mais visitado do país, com 12 milhões de visitantes por ano, seguido pela Basílica de Sacre Coeur, com 11 milhões, e o Museu do Louvre, de que recebe 8 milhões de pessoas anualmente. Ela recebe anualmente o dobro de visitantes da Torre Eiffel, que é o destino de 6 milhões de turistas.

Catedral de Notre-Dame em chamas. Foto: Francois Guillot/ AFP

Oito séculos de história

Com 855 anos, a catedral começou a ser levantada durante a gestão do bispo Maurice de Sully (de 1160 a 1196) e fazia parte de um plano demográfico para a região parisiense às margens do Rio Sena.

Foi construída e nomeada em homenagem à Virgem Maria (Notre-Dame, em português, se traduz para Nossa Senhora) e, embora a base tenha sido erguida entre 1163 e 1190, os alicerces da fachada e das duas torres da fachada, assim como a galeria alta, foram feitos somente no século seguinte, até 1250.

Foto: Pexels

Cinco grandes construtores franceses comandaram a obra: Jean de Chelles, Pierre de Montreuil, Pierre de Chelles, Jean Ravy e Jean le Bouteiller, que conduziram o processo em diferentes fases.

A edificação tinha várias fachadas e ângulos de acesso, na área externa, entre as quais a mais conhecida é a fachada ocidental. Vista por este lado, a catedral se ergue em linhas verticais e horizontais com quatro contrafortes que se elevam dizendo que simbolicamente a catedral é construída para Deus.

Rosácea em vitral da Catedral de Notre-Dame. Foto: Bigstock

Imponente, a edificação tem 41 metros de largura, 43 metros de altura até a base das torres e 63 metros incluindo o topo das torres. Sua área total é de 4.800 m².

Entre as principais características arquitetônicas da catedral gótica está a perfeição geométrica, com uso de quadrados e círculos que relacionam o trabalho dos arquitetos ao do próprio Deus.

No centro da fachada, na chamada Galeria da Virgem, uma grande rosácea com 9,6 metros de diâmetro foi construída por volta de 1225 e funcionava como uma espécie de halo para a Virgem Maria. Além da fachada ocidental, a estrutura externa da catedral inclui também a Porta Vermelha, o Portal da Virgem, o Portal do Julgamento e o Portal de Sainte-Anne.

Interior da catedral. Foto: Bigstock

Durante sua história quase milenar, a Catedral de Notre-Dame presenciou fatos históricos como a coroação de Henrique VI, durante a Guerra dos 100 anos, no século 15; e a de Napoleão Bonaparte, em 1804, bem como a beatificação de Joana D’Arc, em 1909.

Obras de arte

Além de sua importância arquitetônica, a catedral também possui um incalculável valor artístico por conta das peças de decoração, história e arte que conserva em seu interior.

Além das pinturas na parede, dos 78 quadros do século 17 que faziam parte do acervo, somente 50 sobreviveram ao tempo e apenas 13 decoram as paredes, entre elas peças de artistas como Jacques Blanchard, Laurent de la Hyre, Charles Le Brun, Nicolas Loir, Luis Testelin, Gabriel Blanchard, entre outros.

Obra de arte talhada retrata Cristo e Zaqueu, Foto: Bigstock

No estatuário, estão inclusas peças como Clôture du Chœur, uma escultura na parede que separa a zona de circulação e o interior do coro e que data do século 14. Outras estátuas incluem representações de Santa Teresa do Menino Jesus, Santo Antonio, Nossa Senhora de Paris, entre outras.

Pelo Twitter, o arcebispo de Paris, Michel Aupetit, conclamou: “Os bombeiros ainda estão lutando para salvar as torres da Notre-Dame de Paris. O quadro, o telhado e o pináculo são consumidos. Oremos. Se desejar, você pode tocar os sinos de suas igrejas para convidar a oração.”

*Luciane Belin e Marina Fabri, especial para HAUS.

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