Abandonadas há 25 anos, obras de Niemeyer no Oriente Médio são candidatas a Patrimônio da Humanidade

Batizado de Feira de Trípoli, conjunto de 15 prédios inacabados assinados por Niemeyer começam a ser preservados

Imagens do projeto atualmente. Foto: Anthony Saroufim/Reprodução

por Aléxia Saraiva

16/10/2018

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Um complexo de 15 prédios assinados por Oscar Niemeyer e localizados na cidade libanesa de Trípoli passaram a integrar a lista de candidatos a Patrimônio Mundial da Humanidade da Unesco depois de quase 25 anos de abandono. Projetada pelo arquiteto brasileiro no início dos anos 1960, a chamada Feira de Trípoli — ou Feira Internacional Rachid Karamé — foi uma ideia do então presidente Fouad Chéhab para transmitir uma nova fase de esperança, progresso e modernidade do país.

Em entrevista ao Le Monde, a historiadora franco-libanesa Chloé Kattar explica que as obras tinham previsão para serem concluídas entre 1966 e 1967, mas uma série de imprevistos adiaram o projeto. Passando por orçamentos estourados e problemas técnicos, a construção foi interrompida definitivamente em 1975, quando a Guerra Civil Libanesa se iniciou.

Foto: Anthony Saroufim/Reprodução

Durante o conflito, o espaço serviu de base militar e, desde então, a obra nunca foi finalizada. No total, o espaço soma 100 hectares. Apesar de inacabado, o local é um ponto turístico famoso entre fãs da arquitetura.

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Renovação

O status de ruínas começou a mudar em 2006, quando a Feira de Trípoli passou a integrar a lista dos 100 monumentos mais ameaçados do mundo pela fundação World Monument Fund (WMF, na sigla em inglês).

Mais recentemente, em setembro, o espaço recebeu uma grande exposição de arte contemporânea, chamada “Ciclos do Progresso em Colapso”, e a discussão sobre o complexo voltou à tona — chegando, em seguida, à indicação da Feira como candidata ao título de Patrimônio Mundial da Humanidade da Unesco.

Foto: Anthony Saroufim/Reprodução

Além disso, em 2018 o complexo integrou a lista anual de prédios contemplados pela Fundação Getty, que repassa um fundo de conservação de 1,7 milhão de dólares a prédios icônicos do século 20 com o objetivo de preservá-los.

Curvas e concreto

Segundo o Le Monde, a área é uma verdadeira ‘utopia urbana’. O terreno tem a forma de um bumerangue, ao longo do qual seriam instalados pavilhões nacionais e um parque. O projeto paisagístico também é assinado por um brasileiro renomado: Roberto Burle Marx, que pensou em um espaço que abarcasse um teatro ao ar livre, uma sala de shows, um heliporto, alojamentos, entre outros — um centro cultural completo e integrado com curvas sinuosas e futurísticas.

Foto: Anthony Saroufim/Reprodução

Trípoli é a segunda maior cidade do Líbano, localizada a 80 km ao norte de Beirute e próxima ao Mar Mediterrâneo. A cidade foi alvo de ataques de uma milícia formada por seguidores de uma seita do islamismo xiita durante o início da Guerra Civil Libanesa. Posteriormente, foi ocupada por tropas sírias. A guerra durou 15 anos: de 1975 a 1990.

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Foto: Anthony Saroufim/Reprodução

Veja como é o interior dos prédios da Feira de Trípoli:


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