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Arquiteto Manoel Coelho.
Manoel Coelho, em 2013, em uma de suas criações: a Boca do Brilho, no Centro de Curitiba.| Foto: Jonathan Campos/Arquivo/Gazeta do Povo

Morreu nesta quinta-feira (4), aos 80 anos, o arquiteto Manoel Coelho, um ícone da produção arquitetônica em Curitiba. Segundo informações de seu escritório, o Manoel Coelho Arquitetura e Design, ele faleceu em casa em decorrência de complicações de câncer na bexiga e no fígado. O escritório destaca ainda que o profissional não contraiu Covid-19 e estava bem em casa. O velório e sepultamento do arquiteto ocorrem nesta quinta-feira, às 17 horas, na Capela 2 do Cemitério Municipal do Água Verde.

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Formado na primeira turma do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Coelho envolveu-se na arquitetura pública e foi responsável por logomarcas e identidades visuais nas gestões do arquiteto Jaime Lerner como prefeito de Curitiba, além da revitalização da Praça Osório, com a criação da Boca do Brilho.

Manoel Coelho na Boca do Brilho, parte importante da revitalização da Praça Osório, em Curitiba.
Manoel Coelho na Boca do Brilho, parte importante da revitalização da Praça Osório, em Curitiba.| Jonathan Campos/Arquivo/Gazeta do Povo

No âmbito privado, Coelho foi o responsável por projetos arquitetônicos como os campi da PUC-PR e da Universidade Positivo, e, mais recentemente, o Hospital do Rocio, em Campo Largo.

"Ele teve uma trajetória brilhante e pode participar do início dessa formação de leva de arquitetos da UFPR, que são ícones", diz o diretor de projetos há 25 anos do escritório Manoel Coelho, Antonio Abrão.

Catarinense nascido em dezembro de 1940 em Florianópolis, Manoel Coelho não poderia ser outra coisa que não arquiteto. A começar pelo fato de ter nascido em uma casa tombada, no Largo da Alfândega. Já arquiteto consagrado, ele viveu na casa que ele mesmo projetou, a Casa MIC, uma verdadeira obra de arte e exemplar da arquitetura brutalista na capital paranaense.

Manoel Coelho em seu escritório.
Manoel Coelho em seu escritório.| Priscila Forone/Arquivo/Gazeta do Povo

Radicado em Curitiba, o "manézinho de floripa", como ele mesmo costumava dizer, quase se formou pintor antes de entrar o curso de Arquitetura da UFPR. Estudou dois anos de pintura na Escola de Música e Belas Artes do Paraná (Embap).

"Era algo espetacular. Você ouvia música pelos corredores, cruzava com o Bento Mossurunga [maestro e compositor]. Eu gostava, e tinha carteirinha para poder comer no restaurante universitário. Aí, vi que iria abrir arquitetura e resolvi tentar, porque na época, eu já estagiava em uma construtora", contou Coelho em entrevista à Gazeta do Povo, em 2013, ano em que o Museu Oscar Niemeyer (MON) realizou uma mostra em homenagem aos seus 45 anos de trajetória profissional.

Ainda estudante, foi estagiário do Instituto de Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc). Na capital paranaense, deixou sua marca: é de autoria de Coelho símbolos como o da rodoferroviária, até o design das lixeiras públicas e os abrigos de pontos de ônibus. "Ele costumava dizer que, se as pessoas se orgulhassem da cidade, elas cuidariam da cidade. O Manoel foi um grande incentivador do design. Nos anos 1990, criou várias marcas para governos quando ninguém se preocupava com isso", frisa a vice-presidente da Pró-Design PR, Gisele Haulik, que o conheceu quando ainda era estudante.

Obras públicas, como o abrigo para pontos de ônibus em Curitiba, que lembra uma araucária, também é de Coelho.
Obras públicas, como o abrigo para pontos de ônibus em Curitiba, que lembra uma araucária, também é de Coelho.| Arquivo/Gazeta do Povo

Gisele conta que Manoel foi um dos maiores incentivadores da criação do Centro Brasil Design, hoje o único centro brasileiro do segmento no país. "Ele era muito generoso conosco, sempre de portas abertas, dando ideia e criando as conexões que precisávamos sem nenhuma necessidade de protagonismo".

O arquiteto tampouco tinha a vaidade de considerar relevantes apenas as grandes obras. "A maneira de encarar um projeto tem que ser a mesma, sendo uma lixeira ou um espaço urbano", declarou na época.

Em nota, o presidente do Ippuc, Luiz Fernando Jamur, lamentou a morte do arquiteto. "Grande nome da arquitetura e do urbanismo de nossa cidade, Manoel Coelho fez história e deixa um grande legado de identidade urbanística. Sua atividade nas áreas pública e privada e seus projetos, que privilegiam a escala humana e a harmonia no espaço urbano, seguem como referências e marcos em sua memória".

Marcas de Manoel Coelho se espalham por Curitiba, até mesmo nas lixeiras.<br />
Marcas de Manoel Coelho se espalham por Curitiba, até mesmo nas lixeiras.
| Arquivo/Gazeta do Povo

Relação com Curitiba

Quando não estava trabalhando com música ao fundo - que ia de Chopin aos Beatles, Coelho gostava de passear pela área central de Curitiba. Sua região preferida era a Boca Maldita, e não por acaso: ele foi um dos envolvidos na revitalização da Praça Osório, em 2001, quando parte da região foi reformada.

É dele o espaço batizado de Boca do Brilho, específico para os engraxates que, outrora, atuavam na Osório. "Consultei todos eles para saber como usavam os banquinhos, como guardavam os materiais. Pensamos no projeto juntos", contou Coelho à Gazeta.

A capela da PUC-PR também foi projetada por Coelho.
A capela da PUC-PR também foi projetada por Coelho.| Arquivo/Gazeta do Povo

Entre as homenagens que recebeu de Bicho do Paraná em 1996 e de cidadão honorário de Curitiba, em 2005, a que mais orgulhava Coelho era ser, desde 2003, um Cavalheiro da Boca. "É o título de que mais gosto", declarou.

Conteúdo editado por:Luan Galani
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