Jayme Bernardo de olho no futuro

Com 32 anos de uma carreira bem­-sucedida, o arquiteto se prepara para um novo desafio: inspirar os estudantes que vão participar da mostra THÁAD

Jayme Bernardo em frente ao edifício 7th Avenue Live & Work, no Rebouças, que irá receber a mostra THÁAD: “será um exercício prático da profissão”

por Daniela Piva, especial para a Gazeta do Povo

20/07/2014

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“A arte de vencer é a arte de ser ora audacioso, ora prudente.” A máxima de Napoleão Bonaparte é um dos mantras do arquiteto Jayme Bernardo, 56 anos, um colecionar de petit bronzes do imperador francês. Paulista criado em Loanda, interior do Paraná, Bernardo desenha seus sofisticados edifícios desde os 5 anos de idade. “Sempre gostei de desenhar, mas antes eles não eram sofisticados”, brinca. Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), há 32 anos é conhecido por seu traço contemporâneo que conserva a comodidade. “É preciso ser funcional, mas com arte”, diz. Entre projetos comerciais e residenciais de alto padrão e sua linha de mobiliário, Bernardo será curador da primeira Mostra THÁAD, promovida pelo grupo Thá, em parceria com a Gazeta do Povo. A partir do dia 30 de setembro no empreendimento 7th Avenue Live & Work, no Rebouças, serão expostos apartamentos projetados e decorados por times de estudantes do último ano dos cursos de Arquitetura e Urbanismo e Design de Interiores de universidades e escolas do Paraná e de Santa Catarina.

Com 32 anos de experiência, como se sente em assumir o papel de curador da mostra, de influenciar a carreira desses estudantes?

Me sinto realizado. Compartilhar meus conhecimentos com esta geração de futuros arquitetos vai me permitir expandir ainda mais meus horizontes. O entusiasmo contagia não só a mim, mas a toda equipe do escritório envolvida neste evento.

De que maneiras o evento pode contribuir para a formação dos futuros arquitetos?

Será um exercício prático da profissão na área de arquitetura de interiores, o contato com fornecedores, o dia a dia da obra e principalmente os desafios que as atividades diárias nos impõem.

Será uma ponte entre as salas de aula e o mercado de trabalho?

Sem dúvida. É uma oportunidade para os alunos colocarem em prática o que aprendem, muitas vezes, apenas na teoria. Eles irão criar e executar o projeto do início ao fim com um tema específico, como se fosse um cliente. Além do networking que farão com profissionais da arquitetura, fornecedores e imprensa especializada.

Como será feito o acompanhamento dos projetos?

Os alunos terão acompanhamento de todas as etapas do projeto até sua finalização. Nós faremos a avaliação técnica dos projetos e direcionamento das equipes para escolha de fornecedores.

O que os times têm que ter em mente ao desenvolver os projetos?

Trabalhando com grupos tão jovens da arquitetura, esperamos soluções criativas e inovadoras ao mercado, trazendo para esta mostra o sangue novo dos bancos universitários e as tendências modernas.

Qual é a sua dica para quem quer ser um bom profissional?

Uma das coisas que eu sempre digo, é que o arquiteto precisa ser extremamente curioso. Ele tem que saber sobre tudo, tem de ser antenado.

Como foi o início da sua carreira?

Na época que eu comecei, era complicado. O arquiteto não tinha uma posição, principalmente o jovem arquiteto, sofria muito para iniciar. Foi um início de bastante trabalho, mas os resultados foram acontecendo.

Como funciona seu processo de criação?

O escritório tem um departamento de criação. Nós nos reunimos para que possamos resolver o partido. O processo de criação é uma troca muito grande de informação. Estamos sempre buscando, é sempre um grande brainstorming.

Existe moda quando o assunto é arquitetura?
A moda é passageira e na arquitetura, tudo é atemporal. Hoje a arquitetura passa por uma fase do moderno, mas com materiais alternativos. A sustentabilidade é um dos grandes motes do futuro.

Atualmente, quais são os gargalos das universidades de arquitetura e design de interiores?

Acredito que, de maneira geral, falta prática. O jovem estudante não vive o dia a dia de um projeto, da execução. Ele não sabe como funciona um escritório de arquitetura, uma construtora. Na época que estudei, a prática era mais facilitada, porque todos os professores tinham escritório. Todos os professores passavam o dia a dia do trabalho. Hoje, isso não existe tanto. Os professores são muito mais teóricos.

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