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Foto: Leonardo Finotti/Divulgação
Foto: Leonardo Finotti/Divulgação| Foto:

A ousadia é um termo comum às inovações e movimentos que resultam em rupturas ou novos direcionamentos na forma de se fazer e experienciar a vida em todas as suas esferas. E na arquitetura não é diferente. Depois dos grandes mestres modernistas, jovens profissionais têm mostrado que, a partir dela, é possível romper com vícios construtivos e de mercado e se abrir ao novo, dando lugar a projetos que convidam à experimentação e à essência, à personalidade para se construir e morar.

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Um exemplo é o Edifício 1232, do escritório Arquea Arquitetos, que completa cinco anos de sua entrega em 2020 representando parte da renovação urbana de Curitiba.

Edifício 1232 traz materiais brutos e desenho limpo. Foto: Leonardo Finotti
Edifício 1232 traz materiais brutos e desenho limpo. Foto: Leonardo Finotti

"Além de bem localizado, ele traz uma arquitetura que rompe com o tradicional da região, formada por casarões mais antigos, gerando um contraste interessante na paisagem", aponta o arquiteto Guilherme de Macedo, idealizador do livro "Prédios de Curitiba", ao justificar a seleção do edifício para compor a publicação.

Segundo ele, durante a pesquisa que resultou na obra, a equipe composta por cerca de 20 pessoas encontrou dificuldade em destacar prédios tidos como de referência construídos após o ano 2000 na cidade, tendo o Edifício 1232 como um dos poucos de seus exemplares. "De forma geral, por muito tempo usou-se materiais industriais que revelavam muito mais o aspecto estético [das construções]. Temos uma 'geração pastilha'. O edifício deles faz uso de materiais simples, como vidro e madeira, sem muita nobreza, mas mostrando que com pouco se consegue fazer muito. É uma arquitetura honesta", completa Macedo.

Outra chancela para o projeto veio da Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA), que em 2016 concedeu ao escritório o Prêmio Arquiteto e Urbanista do Ano, na categoria Setor Privado, com o projeto do 1232 como um dos destaques.

O projeto

Com um programa de três pavimentos que abrigam quatro apartamentos de um dormitório, o edifício foi implantado em um terreno estreito, localizado na Alameda Augusto Stellfeld. Executado em concreto aparente, o prédio parece flutuar sobre o lote quando visto da rua, uma vez que todo o térreo é livre, possibilitando acesso visual até o jardim interno, nos fundos, e tendo como único elemento construído a escada de acesso aos apartamentos.

Térreo livre permite permeabilidade visual entre o edifício e a rua. Foto: Leonardo Finotti
Térreo livre permite permeabilidade visual entre o edifício e a rua. Foto: Leonardo Finotti

"O que é bonito nele é a leveza da laje, que tornou a estrutura super limpa, clara", destaca o arquiteto Fernando Caldeira de Lacerda, dono da obra, que assina o projeto com os sócios do escritório Bernardo Richter e Pedro Amin Tavares. Isso foi possível pela opção pela laje painel que, além de deixar livre o térreo, eliminou as vigas de borda, contribuindo para o desenho limpo do edifício.

Materiais brutos, sem acabamento, são destaques do edifício. Foto: Leonardo Finotti
Materiais brutos, sem acabamento, são destaques do edifício. Foto: Leonardo Finotti

As grandes esquadrias de vidro que ocupam as fachadas (frente e fundo) também merecem destaque e fazem com que o prédio e a "vida" no interior dele "conversem" com a rua e vice-versa. "Um dos conceitos do prédio é ser permeável, o que acaba deixando a cidade mais segura. Ele é mais gentil com a cidade. É preciso ser ousado para fazer isso, e o Fernando foi", pondera Tavares.

Os brises em madeira "vestem" a estrutura e ajudam a trazer privacidade para as áreas abertas, tanto nas varandas quanto nas circulações internas. Além de garantir ventilação e iluminação naturais, a solução aquece e traz conforto aos espaços. "A circulação aberta não passa aquela sensação de claustrofobia. É como se você abrisse a porta e saísse de casa, de fato", acrescenta Tavares.

Circulação interna garante contato com ambiente externo. Foto: Leonardo Finotti
Circulação interna garante contato com ambiente externo. Foto: Leonardo Finotti

Interiores

Internamente, os apartamentos têm cerca de 50 m² com planta livre, porém com alturas de pé-direito distintas. Todas as divisórias internas são feitas com móveis ou drywall e até o banheiro pode ser removido, caso em algum momento isso seja necessário.

A iluminação em eletrocalha compõe com o teto que destaca a laje bruta. O acabamento das paredes, por sua vez, é feito com pintura na cor branca.

"Esse nível de radicalismo coloca o prédio em outro patamar. Ele não tem nada de mais, é muito simples, barato. Ele é luz e arquitetura, tem essa beleza da ingenuidade. Essa pouca experiência na incorporação propriamente dita ajudou a sermos radicais nas soluções e que o edifício fosse tão diferente para a época", resume Lacerda ao lembrar que o prédio foi construído não para ter suas unidades comercializadas, mas, sim, locadas. Os candidatos a inquilinos, inclusive, são vários, o que faz com que exista uma lista de espera informal para quando vaga uma unidade.

Foto: Leonardo Finotti/Divulgação
Foto: Leonardo Finotti/Divulgação

"Se não fosse o Fernando, um arquiteto, o incorporador, [provavelmente] o prédio não teria saído como saiu. Eu já escutei e acredito vendo um pouco da arquitetura de Curitiba que ele mudou o jeito de muita gente pensar os edifícios, abriu a cabeça para se fazer coisas assim", avalia Richter.

O Dsenho, em fase final de obras, incorporado pela Idee e que leva a assinatura do Arquea no projeto arquitetônico, é um exemplo. Guardadas as proporções, ele é considerado como uma evolução do Edifício 1232 pelos arquitetos.

Conteúdo editado por:Luan Galani
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