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Tendências do mercado imobiliário em Curitiba.
Edifício Guará, da Bidese, com paisagismo de Alex Hanazaki e projeto do Studio Architetonika Nomad, com Fabrício Bettega e Maurício Martins.| Foto: Divulgação

O ano de 2021 foi o melhor da história recente do mercado imobiliário brasileiro. Vendas aquecidas, recorde de financiamentos e uma avalanche de novos lançamentos. Segundo dados levantados pela Brain Inteligência Estratégica, até setembro do ano passado, a alta no número de unidades vendidas gira em torno de 21%. Se observado somente o mercado de Curitiba, o índice chega a dobrar, com aumento de 42% nas vendas. E o que esperar de 2022?

“Em 2022 veremos ainda uma taxa de juros elevada, porém, acreditamos que o ritmo de compra de imóveis irá se manter. Curitiba está muito aquecida no mercado imobiliário, com vários lançamentos previstos para diversos gostos e estilos. É claro que em 2022 temos as eleições, que geralmente deixam o país um pouco instável, mas o mercado imobiliário se mostra sólido e é um dos mercados em que houve crescimento durante a pandemia”, garante o diretor de marketing da Bidese, Adriano Bianchi Ribeiro.

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Alguns elementos, contudo, têm mudado e reconfigurado os novos empreendimentos. Confira a seguir o que é tendência no mercado imobiliário de Curitiba.

Beach tênis

A modalidade esportiva virou febre. Os empreendimentos imobiliários que estão sendo planejados para serem lançados nos próximos anos já estão colocando a quadra de beach tênis no programa arquitetônico, e alguns edifícios prontos estão tentando viabilizar esse novo espaço. “É ao ar livre, proporciona maior diversão por ser em quatro pessoas, tem um ambiente similar ao da praia, é jogado descalço e, dentre os esportes de raquete, é o mais fácil”, avalia o diretor de incorporação da Laguna, André Marin.

A diretora de marketing da San Remo, Aline Perussolo, explica que incluir a quadra de beach tênis nos espaços já construídos é um desafio, mas que muitos moradores têm pedido. “Gera confraternização das pessoas. É jogo, troca, encontro”, resume.

Apartamentos decorados

Desde o início da pandemia, a urgência por mudanças rápidas se fez notar de forma expressiva. E uma das formas mais eficazes de se conseguir isso é adquirindo os apartamentos que já se encontram mobiliados e decorados. “Antes, o apartamento decorado era muito de gosto pessoal. Agora, como grande parcela das pessoas quer rapidez, os decorados venderam muito”, conta a diretora de marketing da San Remo. “Os moradores preferem se mudar logo e alterar qualquer detalhe depois. Muitos de nossos clientes têm casas em Miami, Balneário Camboriú, por exemplo, de valores bem mais altos do que suas residências em Curitiba. E com a pandemia eles sentiram necessidade de morar bem também aqui na cidade”, argumenta Aline.

Novos conceitos fazem parte do mercado imobiliario
O conceito de casa suspensa, com abundância de iluminação e ventilação naturais, tem sido um norte na concepção dos espaços residenciais. Na foto, o empreendimento Epic, da A.Yoshii. | Divulgação

Casas suspensas

Morar em um prédio, mas se sentir vivendo em uma casa. Esse conceito de casa suspensa, com abundância de iluminação e ventilação naturais, tem sido um norte na concepção dos espaços residenciais, como garante o diretor da A.Yoshii de Curitiba, Ricardo Kitamura. E elas vêm acompanhadas da planta openview. “Uma tendência muito forte é a configuração integrada que permite olhar para o todo, sem delimitações de paredes. No decorado do nosso empreendimento residencial Quintessence, incluímos um pequeno escritório na sala com porta retrátil de vidro, de onde é possível observar todo o movimento dentro do apartamento”, frisa Kitamura, lembrando que é intensa a procura por sala integrada com sala de jantar, cozinha e sacada.

“E há também a presença de divisórias de vidro que permitem que o morador altere os espaços, conforme a necessidade." Nesse estilo de planta, a proximidade com a natureza é um ponto focal que acaba se traduzindo em fachadas verdes e jardins suspensos.

Piscina privativa do espaço gourmet

Essa é uma novidade que faz muito sucesso porque permite que os convidados de uma festa usem uma piscina separada da piscina comum do empreendimento, separando completamente o fluxo de pessoas que moram no edifício do de visitantes de um evento. A San Remo estreou o espaço no seu prédio residencial Queen Victoria.

Novas tendências nas formas de moradia se apresentam ao mercado imobiliário.
No Queen Victoria, da San Remo, a piscina integrada ao espaço gourmet atende visitantes de forma isolada e privativa.| Divulgação

Certificação de bem-estar

Baseado no princípio do bem-estar, as pessoas procuram casas e apartamentos que garantam uma vida mais saudável e o menor impacto ambiental possível. Então, as certificações ganham cada vez mais espaço como chancelas que provam que determinada construção cumpriu todos os requisitos para poder se intitular ecológica e socialmente amigável. É o caso da Laguna, com a certificação Well, e da AG7 Realty, com a Fitwell.

“Tem-se dado cada vez mais valor em melhorar a relação do morador com o próprio empreendimento, conferindo mais conforto e saúde para as pessoas, uma vez que passamos 90% do nosso tempo em espaços fechados”, opina o diretor de incorporação da Laguna, André Marin.

Os edifícios com certificação podem propiciar aos moradores diversos benefícios, como a melhora na qualidade de sono, maior conexão com a natureza, mais momentos de calma e alegria, elenca o diretor de marketing da Bidese, Adriano Bianchi Ribeiro. “Outro atributo das certificações é a valorização dos imóveis em uma futura venda por parte do cliente, uma vez que elas possuem muito apelo comercial”, relembra Ribeiro.

Projetos no metaverso

O metaverso é uma tendência da tecnologia. Pouco se compreende por enquanto sobre essa nova possibilidade, mas ela já chegou ao mercado da construção civil. Duas das principais marcas de revestimentos cerâmicos, a Roca e a Incepa são as primeiras do setor a apostar nessa imersão virtual para reunir seus clientes e mostrar o portfólio e lançamentos. Os arquitetos responsáveis são Felipe Guerra e Carlos Henrique Bianco, com a programação e a modelagem assinadas pela VR Glass. “A estética do metaverso era muito gamificada, infantilizada. Para esse projeto, nós reprogramamos a plataforma existente do zero, valorizando texturas, luz e sombra, uma linguagem mais refinada”, conta Guerra.

Para o arquiteto, o metaverso é a rede social do futuro. “Dessa experiência, pude sentir que é um caminho sem volta. É uma oportunidade do cliente poder ter uma experiência direto de casa, de ver um decorado, simular adaptações, seja no PC, no celular ou nos óculos. E para nós, arquitetos, é mais uma ferramenta para apresentar o projeto, da mesma forma que antes a gente utilizava o 3D e o vídeo”, defende o profissional que é um dos pioneiros no Brasil para concepção de espaços de arquitetura dentro do metaverso.

Para André Marin, da Laguna, o metaverso parece ser mais um bom veículo de marketing. “É mais um espaço onde precisamos estar presentes”, conclui.

O metaverso já chegou ao mercado da construção civil. Na foto, imagem do metaverso criado pela Roca.
O metaverso já chegou ao mercado da construção civil. Na foto, imagem do metaverso criado pela Roca. | Divulgação

Trabalho remoto e marketplace

A despeito da volta dos colaboradores para os escritórios, a onda da Ômicron deixa cada vez mais claro que o trabalho remoto é uma realidade com a qual iremos conviver. “Para o mercado imobiliário, nos vários níveis de renda, isso significa ter que planejar moradias adequadas para o home office. E vai além: é ter que pensar em como resolver os problemas de barulho, de circulação das pessoas, de interrupção, de conexão”, alerta Marcos Kahtalian, sócio-fundador da Brain Inteligência Estratégica, empresa de pesquisa e consultoria em negócios, responsável por diversos estudos para os atores do mercado imobiliário.

E esse espaço para o trabalho remoto pode ser também um coworking dentro do edifício, como pontua o diretor de marketing da Bidese. “Essa é uma tendência que vem forte para o mercado em um cenário pós-pandemia que pode trazer uma comodidade imensa para o morador que trabalhará neste modelo”, comenta.

Outra mudança que precisará ser feita é com relação aos deliveries. “Com a explosão alucinada do comércio eletrônico, os próximos empreendimentos terão que contar com um miniterminal logístico de entregas para deliveries de gastronomia, supermercado e outras compras”, ressalta Kahtalian.

Regiões de Curitiba mais valorizadas

Segundo o sócio-fundador da Brain Inteligência Estratégica, os bairros mais procurados em Curitiba são também aqueles com mais concentração demográfica e de renda, como Batel e Água Verde, Cabral e Juvevê, Ecoville e Mercês. De acordo com um estudo da Associação dos Dirigentes de empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR), as regiões do Bigorrilho e do Batel são as mais procuradas. Para o presidente da Ademi-PR, Luiz Gustavo Salvático, a alteração recente na legislação de uso e ocupação de solo da cidade (sancionada em 2019) fomenta o desenvolvimento de “novos eixos” de empreendimentos imobiliários nesses bairros. Uma tendência para essas regiões é a de apartamentos de alto padrão, porém em edifícios baixos – entre seis e oito pavimentos, em média. Logo, construções de menor impacto sobre os característicos casarões existentes, sobretudo no Batel. Ruas como Carmelo Rangel e Hermes Fontes despontam como endereços para esses novos empreendimentos.

Os edifícios com certificação de bem-estar propiciam aos moradores benefícios como a conexão com a natureza e momentos de calma e paz. Na foto, o Vaz Batel, da Laguna.
Os edifícios com certificação de bem-estar propiciam aos moradores benefícios como a conexão com a natureza e momentos de calma e paz. Na foto, o Vaz Batel, da Laguna. | Divulgação

Fly to quality

Um estudo recente da Ademi-PR aponta que Curitiba vive o momento fly to quality, que define o processo de busca por espaços com mais qualidade. “Vê-se na cidade esse processo, alçando Curitiba à vanguarda de algumas tipologias de produtos”, comenta o sócio consultor da Brain Inteligência Estratégica, Guilherme Braga Werner.

E a autoralidade - projetos inteligentes assinados por arquitetos experientes - é uma das garantias de qualidade. “Em 2022 iremos lançar dois novos edifícios: o Zen, próximo ao Barigui, em que todos os moradores terão uma vista incrível para o parque, e o Lemme, no Água Verde. Ambos os projetos são do arquiteto Léo Maia, um dos expoentes da arquitetura no Brasil e no exterior. Estes dois edifícios são singularmente criativos e serão um presente para a arquitetura de Curitiba”, reforça o diretor de marketing da Bidese.

Conteúdo editado por:Sharon Abdalla
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